Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos…

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Democracia sim! Mas não pra você!

Muita gente anda dizendo por aí que estamos vivendo numa ditadura. Ou que a ditadura de 1964 ainda não acabou. Eu não concordo com isso.

Estas pessoas dizem isso porque estão vendo os fatos acontecendo, pessoas são presas sem acusação, manifestantes presos com provas forjadas, a justiça trabalhando a favor de pequenos grupos de interesses, direito de greve cerceado, prisões de manifestantes antes mesmo de irem para a manifestação (pré-crime), criminalização de movimentos sociais, sumiço de pessoas, assassinato de pessoas pela polícia, enfim, a lista é longa. Para cada um destes fatos que apresentei seria possível uma notícia de jornal para exemplificar, contudo não consigo fazer este trabalho agora… quem sabe em breve.

É por tudo isso que as pessoas estão achando que estamos vivendo em uma ditadura.

Acho que estamos vivendo numa democracia sim. A DEMOCRACIA DA BURGUESIA. Esta democracia pode ser pior que a ditadura, porque ela condiciona os sujeitos à alienação, à uma ilusória liberdade.

A democracia da burguesia é feita por esta classe social e PARA esta classe social. Não é para qualquer um. Não é democracia para pobre!

Basta pegar os mesmos exemplos que citei acima e se perguntar, qual é a classe social mais afetada com a criminalização dos movimentos sociais, por exemplo?

Qual classe social sofre com pessoas desaparecidas e assassinadas pelo braço armado do estado?

Qual a classe social que busca, através de greves e manifestação, seus direitos? E por isso tem as greves e manifestações duramente reprimida pela burguesia e seus governos?

A burguesia (aqueles que detêm os meios de produção social) usa sua democracia par atacar de maneira violenta a classe trabalhadora. Os proletários!

Se pensarmos nos princípios da democracia, do livro Educação escolar e democracia no Brasil do Elie Ghanem, (1) o respeito pelos direitos fundamentais, (2) a cidadania e (3) a representatividade dos dirigentes, quem, em nossa sociedade, têm seus direitos fundamentais respeitados? Em outras palavras, quem têm educação de qualidade, saúde, transporte? Quem se considera cidadão? Obviamente só a burguesia pode se enquadrar neste mundo. A democracia é só deles.

Existe um problema aí, alguém pode dizer, a classe social dominante não se sente representado pelos seus governantes… afinal no Brasil temos no comando um partido de esqueda. Primeiro, o PT NÃO é de esquerda há muito tempo. Segundo, não vamos confundir a burguesia com a classe média revoltadinha. Quem xingou a Dilma nos jogos da copa do mundo foi a classe média.

O PT serve muito bem aos interesses da classe dominante. Mantêm os trabalhadores e trabalhadoras sob suas rédeas. Trabalha na base do assistencialismo eterno. E resta, para a classe média reclamar.

A Classe média sofre, né? Afinal ela tem aspirações de classe dominante e dirigente da sociedade, mas tem que se contentar com as migalhas desta. E para piorar (como sofre), têm que conviver diariamente com os proletários. Tem que enfrentar o mesmo trânsito e o mesmo supermercado dos trabalhadores, muitas vezes. Enfim, aqueles que xingam muito o partido que está governando o país, não são da burguesia. A elite está bem contente com o governo, afinal nunca antes na história deste país, foi dado tanto incentivo ($$$) para as industrias. Nunca antes foi investido tanto em infraestrutura (Odebrech sorri). Nunca antes foi dado tanto dinheiro para as redes particulares de educação, e por aí vai…

Para concluir, quero reforçar que vivemos sim numa democracia, mas esta democracia não é para qualquer um. E para aqueles que ousam dizer que querem uma outra democracia, resta a bala de borracha, o gás lacrimogêneo, o spray de pimenta, a prisão forjada ou mesmo a copa do mundo….

 

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Algumas ideias para as escolas que se propõe ser diferente das escolas tradicionais reprodutoras

Algumas poucas ideias para as escolas que se propõe ser diferente das escolas tradicionais reprodutoras de conteúdos e massificadora de pessoas.

A escola que se propõe a ser diferente desta, deve ser radicalmente diferente. Deve se perceber dentro do momento histórico imperialista do capitalismo, contudo não se acomodar com este lugar. Deve se incomodar com isso e lutar para a transformação. Em primeiro lugar a transformação da própria escola e em seguida da sociedade que a cerca. Esta escola deve querer cidadãos melhores para o mundo, mas não pode abrir mão de um mundo melhor para estes cidadãos. Deve ter a democracia direta no seu seio, com a participação decisória de todos membros da comunidade (educadores/as, estudantes, funcionários/as, pais e mães) em igualdade de peso. Não obstante, não pode ter todas as certezas, deve se questionar sempre, ter a dúvida como motor da transformação que precisa fazer a cada dia.

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Operação Chumbo Impune – do Eduardo Galeano

Por Eduardo Galeano
Eduardo Galeano

Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa.

Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense.

Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe?

É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

(*) Texto publicado originalmente no jornal Brecha.

Tradução: Katarina Peixoto

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Escola Politeia e EE Anhanguera – entre dois mundos

Em minha vida profissional como educador vivo diariamente em dois mundos.

Sou educador na Escola Politeia e na Escola Estadual Anhanguera. Viver desta forma me traz dificuldades, aprendizados e experiências completamente diferentes. Isto porque uma das escolas é referência numa transformação educacional incipiente, escola de educação democrática, sem aulas, sem turmas, sem relação de castigo, etc. E outra uma escola estadual como tantas outras, com as dificuldades sistêmicas que todas têm, com a luta de classes se expressando no chão da escola, relação forte com o conteúdo, penalização, etc.
Não quero dizer com isso que uma é o paraíso e outra o inferno na Terra, não é isso mesmo (e se fosse eu diria com palavras menos religiosas). Tenho prazer de estar em ambas, mas são prazer diferentes.

Por um lado, discutir teorias educacionais para casos bem concretos de situações de educação, conseguir aplicar minha inspiração freireana, lidar com poucos estudantes e assim conhecer muito bem cada um/uma deles/as. E por outro lado, no estado, atuar no lugar e com quem mais precisa, trabalhar com um número grande de pessoas, entender os mecanismos do sistema e atuar dentro e fora deles, fazer a luta política e a militância, etc.

Neste exato momento estou sentado ao lado de uma das diferenças gritantes entre estes métodos/espaços. Uma pilha enorme de trabalhos para corrigir e diários. O sistema educacional público exige que se tenha duas ou três avaliações de cada estudante por bimestre. Bom, são 10 turmas, 40 estudantes por turma, 400 estudantes, vezes 2 ou 3 avaliações, 800 ou 1200 avaliações no total…
Ah, mas tá tranquilo, os educadores e educadoras contam com a evasão para ter menos avaliações para corrigir. Muitas/os apelam para a famigerada prova, afinal é muito mais fácil que ler um trabalho longo. Bom, como eu já disse em outras ocasiões, eu não dou provas! (para quem quiser saber mais sobre o que acho que significa dar provas clique aqui)

Resta então corrigir esta montanha de trabalhos. Muitas coisas interessantes aparecem nos textos dos/das estudantes. Mas o problema maior vem agora.
Como transformar uma elaboração mental dos/das estudantes em uma nota, um número?
Eis a dificuldade. O sistema em si é meritocrático, carrega a marca profunda do capitalismo, como podemos fugir disso? Como trabalhar neste sistema (já que somos obrigados a classificar os/as estudantes por números) sem reforçar as diferenças que já vêm de berço?
Estou falando dos conceitos de habitus de classe e capital simbólico de Bourdieu… O que podemos chamar de caldo cultural que o estudante traz consigo de casa. Por exemplo. Se peço um texto sobre um filme. De fato um dos trabalhos que eles e elas tiveram que fazer neste bimestre foi assistir um filme e encontrar conceitos de física nele. O trabalho é na forma de textual, então se eu pontuasse pela grafia correta estaria valorizando este caldo cultural, este capital simbólico que o/a estudante pode ter ou não dependendo da sua história de vida. Isto não seria justo com aqueles e aquelas que não tiveram acesso à leitura, não tiveram pais e mães que incentivassem a ler e escrever, etc.

Parece simples a ação de dar uma nota, mas se pensarmos com calma veremos que é uma tarefa dificílima. Não dar nota nenhuma não é uma opção. Percebam que não dar nota não significa não avaliar. Avaliação não é prova, avaliação não é nota!

Em conversas que tive sobre isso surgiu uma ideia. Avalia por presença, ou seja, dê a nota de acordo com a frequência do/da estudante. Podemos questionar, mas o que garante que aquele estudante e aquela estudante que está fora da escola está aprendendo menos que aqueles/as que estão dentro? Afinal o conhecimento escolar é apenas um conhecimento dentre tantos outros possível. Um conhecimento que foi eleito historicamente como melhor, mais importante, mas que, pelo desconhecimento que temos deste processo de escolha já nos faz questionar se é de fato o melhor conhecimento que as pessoas podem ter.

Na Escola Politeia a ideia de avaliação é mais parecida com um filme, não com uma foto. Ou seja, é continua, mostra o processo de cada estudante, diferente daquelas avaliações que retratam apenas um momento. Não apresenta uma nota no final. Temos conversas avaliativas com estudantes, mães e pais e relatórios dos/das educadores/as. Obviamente é uma avaliação muito mais difícil de ser feita, contudo mais próxima do que entendemos como sendo o melhor método de mostrar para os/as estudantes como estão no seu processo de desenvolvimento.
No ensino público de hoje não é possível fazer algo assim. Então não tenho uma resposta para meu (e de tantos educadores e educadoras) problema: como avaliar?

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A carta para David Luiz e um mundo mais felis!

A mãe de uma estudante compartilhou uma foto da carta da filha para o jogador David Luiz, onde ela expressa seus sentimentos e dá alguns recados para ele.

Eu já tinha visto esta foto rodando, mas não quis compartilhar. Apesar de achar bem fofa, eu tenho princípios bem fortes com relação ao que esta Copa do Mundo da FIFA representou para o país. Não vou colocar aqui outra vez o que penso da copa do mundo, da FIFA, da CBF, etc., outros posts neste blog podem mostrar isso de maneira mais profunda (post0, post1, post2, post3). Mas de maneira muito resumida, é a intervenção do capital internacional no país através de uma empresa (FIFA), modificando a constituição, provocando zonas de exclusão, desalojados e, o pior, mortes.

Vi hoje pela manhã que a carta da Ana Luz atingiu mais de 10.000 compartilhamentos e chegou ao site do Globo Esporte, é uma questão de tempo até a resposta do David Luiz. Vi um post da mãe, Renata Penna, sobre os comentários da página do jornal fazerem ela perder um pouco a fé na humanidade. Decidi então ler os tais comentários. Li uns 50 e ao fim da leitura minha opinião mudou. Decidi escrever este texto e compartilhar sim a foto da carta.

A absoluta maioria dos comentários são de uma brutalidade que não deveria se fazer nem com um adulto que considerássemos uma péssima pessoa, mesmo assim foram feitos e direcionados para uma criança de 9 anos.

Esta mesma maioria condenava de maneira terrível a ortografia da menina. Repetiam com fervor o fato dela ter escrito “felis”, “tasa”, ou colocado o “z” para o lado contrário.

Alguns dizem, “9 anos de idade e não sabe escrever “feliz”? Este é o futuro do país!”.

Eu digo:

Este seu comentário é totalmente coerente com alguém que já sabia escrever a palavra “feliz” com “z” aos 9 anos de idade.

Diga a palavra “feliz”, agora repita e preste atenção no som que sai ao final da palavra. Agora diga “s”. Atente para o som que faz. Pois é, é o mesmo som, faz todo sentido para uma criança. Aquelas que muito cedo já escrevem “feliz” com “z” é porque decoraram! É porque aprenderam em uma educação reprodutora e massificadora, que não faz mais que acabar com a criatividade das crianças.

Paulo Freire já dizia,

de nada adianta saber ler e escrever, se não souber ler e escrever o mundo!

Estas pessoas que se orgulham de saber escrever “certo”, são as mesmas que despejam comentários odiosos para uma criança de 9 anos. Me respondam, aprenderam a ler e escrever, mas sabem ler e escrever o mundo?

Nenhum comentário, até onde eu li, foi na forma de pergunta. Por exemplo, qual o tipo de educação que esta criança está recebendo? Tenho o palpite… acho que não é uma educação reprodutora. A mãe poderia ter corrigido palavra por palavra antes de tirar a foto, não fez, e este simples gesto mostra uma coerência incrível com meu palpite.

Infelizmente esta educação que eu condeno em tantos textos aqui neste blog, no mestrado e nos meus discursos, é a educação dos nossos dias, é a educação hegemônica, aquela que está sendo aplicada na absoluta maioria das escolas públicas e privadas. É uma educação que ensina a reproduzir com excelência, doutrina, individualiza, adestra o sujeito, que tenta – e consegue – tornar objeto aquilo que deveria ser pessoa, enfim, faz com que não pensem mais por si mesmos, em uma palavra, Aliena.

Alienação é quando o trabalho (de fazer, de agir, de pensar, etc) está no outro não em si. Nosso povo está alienado e um dos mecanismos mais eficientes do capitalismo para esta alienação é justamente a escola reprodutora.

Eu sou contra a copa sim e, principalmente, tudo que ela representa, mas na idade da Ana Luz eu assisti a copa de 1990. Vi com lágrimas nos olhos o Brasil ser eliminado pela Argentina com a bela jogada do Maradona e o gol do Canigga… Não escrevi uma carta para o Muller ou para o Careca, não sei se eu teria escrito “feliz” com “s” ou “z”, provavelmente com “z”, porque nesta idade eu já me encontrava engolido pelo sistema reprodutor e como eu me adaptava muito bem, sabia ficar quieto, sabia copiar, sabia abaixar a cabeça, sabia ser o robô que o sistema precisa, eu fui o que chamam de sucesso escolar.

Mas é este mesmo sucesso escolar do mundo das crianças que gera os maiores fracassos sociais do mundo dos adultos.

Por uma educação que não aliena.

Por uma educação para a autonomia.

Por uma educação que, acima de tudo, emancipe!

E quem sabe assim teremos um mundo mais FELIS…

Algumas referências

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

________. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

MARX, K. Para a Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

________. A questão judaica. Tradução de João Fagundes. Lisboa, 1978.

Algumas escolas

1) Escola Politeia

2) Escola da Ponte

3) Escola Amorim Lima

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Brasil x Alemanha – um embate que vai muito além do futebol

Vamos aprofundar um pouca a conversa sobre a vergonha sofrida pela seleção da CBF ontem?

A Alemanha é melhor que o Brasil em fazer gols… ok, isso já deu para perceber. Mas são melhores em outras coisas como educação (índices mundiais), saúde, transporte, etc.

Não sejamos ingênuos e achemos que isso se deve a uma melhor administração simplesmente. Diferentemente do futebol, que creio eu, a melhor administração é imediatamente traduzida em gols e vitórias – basta lembrar do futebol nacional e na supremacia do SPFC no começo dos anos 90 e meados dos anos 2000 e do Corinthians de 2009 em diante. Vitórias que foram fruto de uma melhor administração financeira.

Contudo no caso da Alemanha se trata de entender qual é o seu papel do cenário político-histórico mundial.
A Alemanha representa o imperialismo mundial, enquanto o Brasil faz parte do grupo de países que foi saqueado e explorado ao longo da história.

Dentro do capitalismo existem os proprietários dos meios de produção (donos das fábricas), que exploram a força de trabalho daqueles que nada tem além disso (operários). Este modelo se reproduz no plano mundial entre os países. Existem aqueles países que são os exploradores (exportadores de capitais) e aqueles que são explorados (exportadores de matérias primas). Toda a América Latina e África, por exemplo, foram exploradas ao longo dos anos pelos países líderes deste cenário. Então não se trata de uma mera contingência eles terem educação, saúde, transporte melhores, trata-se do resultado da exploração. Da riqueza que eles arrancaram dos países subdesenvolvidos.

Um país, como o Brasil, que ocupa a  posição política de explorado no cenário mundial, não tem como sair deste lugar e passar a ser explorador. Esta imposição não sou eu em está dando é o capitalismo. Tudo que temos é mão de obra e matéria prima. Desta forma só mesmo a transformação de todo o sistema poderá tirar estes países de suas posição de explorados.

Em uma expressão, só mesmo o fim do capitalismo poderá modificar esta situação de explorados e exploradores mundiais!

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