Liberdade

“Liberdade é consciência da necessidade”

- Marx (Manuscritos)

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Igualdade

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Por quem você chora?

Morreram hoje…

Milhares de pessoas de fome no mundo…
Algumas pessoas com ebola…
Algumas pessoas de frio…
As esperanças de milhares de pessoas, num futuro melhor…
Algumas crianças em Gaza…

Enfim, milhares de pessoas pelo mundo vítimas do capitalismo…

E não vejo tanta gente nem tanta mídia chorando por isso…

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Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos…

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Democracia sim! Mas não pra você!

Muita gente anda dizendo por aí que estamos vivendo numa ditadura. Ou que a ditadura de 1964 ainda não acabou. Eu não concordo com isso.

Estas pessoas dizem isso porque estão vendo os fatos acontecendo, pessoas são presas sem acusação, manifestantes presos com provas forjadas, a justiça trabalhando a favor de pequenos grupos de interesses, direito de greve cerceado, prisões de manifestantes antes mesmo de irem para a manifestação (pré-crime), criminalização de movimentos sociais, sumiço de pessoas, assassinato de pessoas pela polícia, enfim, a lista é longa. Para cada um destes fatos que apresentei seria possível uma notícia de jornal para exemplificar, contudo não consigo fazer este trabalho agora… quem sabe em breve.

É por tudo isso que as pessoas estão achando que estamos vivendo em uma ditadura.

Acho que estamos vivendo numa democracia sim. A DEMOCRACIA DA BURGUESIA. Esta democracia pode ser pior que a ditadura, porque ela condiciona os sujeitos à alienação, à uma ilusória liberdade.

A democracia da burguesia é feita por esta classe social e PARA esta classe social. Não é para qualquer um. Não é democracia para pobre!

Basta pegar os mesmos exemplos que citei acima e se perguntar, qual é a classe social mais afetada com a criminalização dos movimentos sociais, por exemplo?

Qual classe social sofre com pessoas desaparecidas e assassinadas pelo braço armado do estado?

Qual a classe social que busca, através de greves e manifestação, seus direitos? E por isso tem as greves e manifestações duramente reprimida pela burguesia e seus governos?

A burguesia (aqueles que detêm os meios de produção social) usa sua democracia par atacar de maneira violenta a classe trabalhadora. Os proletários!

Se pensarmos nos princípios da democracia, do livro Educação escolar e democracia no Brasil do Elie Ghanem, (1) o respeito pelos direitos fundamentais, (2) a cidadania e (3) a representatividade dos dirigentes, quem, em nossa sociedade, têm seus direitos fundamentais respeitados? Em outras palavras, quem têm educação de qualidade, saúde, transporte? Quem se considera cidadão? Obviamente só a burguesia pode se enquadrar neste mundo. A democracia é só deles.

Existe um problema aí, alguém pode dizer, a classe social dominante não se sente representado pelos seus governantes… afinal no Brasil temos no comando um partido de esqueda. Primeiro, o PT NÃO é de esquerda há muito tempo. Segundo, não vamos confundir a burguesia com a classe média revoltadinha. Quem xingou a Dilma nos jogos da copa do mundo foi a classe média.

O PT serve muito bem aos interesses da classe dominante. Mantêm os trabalhadores e trabalhadoras sob suas rédeas. Trabalha na base do assistencialismo eterno. E resta, para a classe média reclamar.

A Classe média sofre, né? Afinal ela tem aspirações de classe dominante e dirigente da sociedade, mas tem que se contentar com as migalhas desta. E para piorar (como sofre), têm que conviver diariamente com os proletários. Tem que enfrentar o mesmo trânsito e o mesmo supermercado dos trabalhadores, muitas vezes. Enfim, aqueles que xingam muito o partido que está governando o país, não são da burguesia. A elite está bem contente com o governo, afinal nunca antes na história deste país, foi dado tanto incentivo ($$$) para as industrias. Nunca antes foi investido tanto em infraestrutura (Odebrech sorri). Nunca antes foi dado tanto dinheiro para as redes particulares de educação, e por aí vai…

Para concluir, quero reforçar que vivemos sim numa democracia, mas esta democracia não é para qualquer um. E para aqueles que ousam dizer que querem uma outra democracia, resta a bala de borracha, o gás lacrimogêneo, o spray de pimenta, a prisão forjada ou mesmo a copa do mundo….

 

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Algumas ideias para as escolas que se propõe ser diferente das escolas tradicionais reprodutoras

Algumas poucas ideias para as escolas que se propõe ser diferente das escolas tradicionais reprodutoras de conteúdos e massificadora de pessoas.

A escola que se propõe a ser diferente desta, deve ser radicalmente diferente. Deve se perceber dentro do momento histórico imperialista do capitalismo, contudo não se acomodar com este lugar. Deve se incomodar com isso e lutar para a transformação. Em primeiro lugar a transformação da própria escola e em seguida da sociedade que a cerca. Esta escola deve querer cidadãos melhores para o mundo, mas não pode abrir mão de um mundo melhor para estes cidadãos. Deve ter a democracia direta no seu seio, com a participação decisória de todos membros da comunidade (educadores/as, estudantes, funcionários/as, pais e mães) em igualdade de peso. Não obstante, não pode ter todas as certezas, deve se questionar sempre, ter a dúvida como motor da transformação que precisa fazer a cada dia.

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Operação Chumbo Impune – do Eduardo Galeano

Por Eduardo Galeano
Eduardo Galeano

Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa.

Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense.

Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe?

É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

(*) Texto publicado originalmente no jornal Brecha.

Tradução: Katarina Peixoto

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