Psicologia da Aprendizagem: Habituação

Neste e nos próximos posts falaremos um pouco de psicologia em geral e psicologia da aprendizagem em específico. Neste primeiro falaremos sobre o processo de Habituação, como um tipo de aprendizagem. Mas antes algumas palavras sobre o funcionamento do nosso cérebro.

Falaremos aqui essencialmente pela vertente cognitiva, como contraponto de uma abordagem neurofisiológica.

Como aprendemos as coisas? Como aprendemos na idade escolar? E como aprendemos no resto da vida? Qual a melhor maneira de aprender? Por que lembramos de certas coisas e outras nos custam tanto lembrar? Para fazer uma alusão a esta última questão Platão usou a analogia da gaiola de pássaros. Nossas memórias seriam como pássaros numa gaiola, ao olhar de fora podemos ver onde estão os pássaros, então tentamos pegar um, enfiamos a mão na gaiola e tentamos alcançar o pássaro, as vezes conseguimos outras vezes ele nos escapa, mas sabemos que ele está lá voando de um lado para outro.  Outros exemplos poderiam ser usados para fazer uma analogia, como uma biblioteca e seu sistema de armazenamento. Uma coisa é certa. Existe uma ligação entre a unidade factual em que o evento que tentamos aceder ocorreu e a facilidade de recordação.  Passemos a habituação.

Tu que estás agora a ler esse texto no computador, pare por um momento e ouça o barulho que este aparelho está fazendo. Se no local em que estiver houver o tic tac de um relógio, pare um momento para ouvi-lo, agora o som que vem da rua, percebeste quantos sons existiam enquanto lias e sequer tinhas notado? Será que o computador não estava fazendo barulho antes? Claro que estava, mas tu estavas habituado!

A habituação consiste na diminuição de uma resposta referente a um estímulo novo, em outras palavras, vamos nos acostumando aos novos estímulos e em certo momento passamos a ignora-los. É por isso que não percebemos normalmente o barulho da rua (eu que moro ao lado da marginal Pinheiros em SP, sei como é isso), o tic tac do relógio, o cantar de um pássaro, etc. Um bom exemplo são os bebês, que o ver um rosto ou um objecto pela primeira vez tem uma fixação maior que vai diminuir conforme observar este objecto ou rosto outras vezes. Mas a habituação não acontece somente nos seres humanos, ela ocorre em todos os animais.

O ponto é, os organismos dispensam uma grande atenção para estímulos novos, e agora podemos falar de um ponto de vista evolutivo, quando esses organismos percebem que aquele estímulo não lhe fará mal, ela passa (inconscientemente) a ignora-lo. Basta que um novo estímulo apareça para que sua atenção se volte quase que totalmente para ele.

Por muito tempo a habituação não foi considerada como um tipo de aprendizagem, o argumento era que ela era apenas uma resposta fisiológica à um estímulo, sem a relação entre dois estímulos o que sempre foi uma característica da aprendizagem. Contudo estudos realizados por Sokolov (1963) e outros, mostraram que existe uma componente de memória. Ao receber um novo estímulo o organismo o compara com seu “acervo” de memória, caso seja novo, lhe dá a devida atenção, ao se repetir o estímulo, agora gravado na memória começa-se a proceder a habituação. Contudo mudanças de frequência (no caso de som), de ordem, de intensidade ou mesmo o desaparecimento do estímulo, pode fazer reaparecer a resposta no organismo (se seu computador repentinamente parar de fazer barulho é provável que tu perceba).

P.S. Não fique bravo(a) comigo se agora não consegue mais deixar de perceber tais barulhos, tu vai se habituar novamente :-P

Referência

PINTO, A., Psicologia Geral, Porto: 2007.

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