O que é a Realidade?

De acordo com a proposta, com a linha filosófica ou de pensamento, de acordo com a classe social ou educacional, as respostas poderiam ser diferentes, poderiam ser muitas. A mais comum deve ser: Sei lá! Ou “Não faço a menor ideia!”

Antes de partir para este mergulho, muitas vezes sem volta, vamos fazer como os mergulhadores profissionais e descer devagar, aos poucos para não sermos esmagados pela pressão, vamos  fazer uma outra pergunta antes: o que é relativo pode ser real?

De uma forma mais simplificada eu fiz esta mesma pergunta aos alunos dias atrás. Andando pela sala joguei uma bola para cima e peguei logo em seguida. Perguntei: qual foi a trajetória do bola? Depois das diversas respostas percebemos que eu vi a bola subindo e descendo, quem estava a minha frente viu a bola fazer uma parábola, quem estava ao lado viu uma parábola mais fechada, e ainda imaginamos uma pessoa olhando de cima, esta veria uma linha reta, caso a bola deixasse um rastro. Para provocar perguntei: se a bola fez essas trajetórias descritas, qual é a verdadeira? Aí está a semelhança com a pergunta acima. Existe uma trajetória verdadeira? Melhor ou privilegiada? Creio que não. Sendo assim, qual delas é mais real? Este texto está me levando a pensar e me induzindo para uma resposta incômoda, a saber, Não, o que é relativo não pode ser real se não houver uma posição privilegiada de observação.  Mas para fazer esta afirmação (?) leviana, precisamos mergulhar um pouco mais e divagar sobre o que é o Real?

No mundo de Matrix, por exemplo, a realidade era virtual. Os filmes A Origem ou Abra os Olhos, também abordam este tema de maneiras interessantes. O que você prefere? Uma realidade fria, dura ou uma mentira confortável?

Qual a sua escolha?

Outra vez o contexto sócio-histórico-filosófico do indivíduo que for responder esta questão é de extrema importância, revelando respostas possíveis desde: o “dinheiro usado no Brasil”, passando por “tudo aquilo que vemos” e chegando até “uma entidade desenvolvida pela mente humana onde se projetam todas as nossas realizações e elaborações de vida”. Não sabemos o que é o Real. Em parte por que não podemos ter acesso a ele. Ele nos escapa quando tentamos atingi-lo por meio de nossas experiências, nossas sensações, nossos sentidos. Tudo que percebemos está em contato de uma forma ou de outra, com nossos sentidos.

E o que ela parece?

Alguém já falou em algum momento que a física é a maneira que desenvolvemos para chegar o mais próximo possível da realidade. Não sei se isso é verdade, mas certo é que desenvolvemos teorias, modelos e explicações (descrições?) para tudo aquilo que vemos e/ou conseguimos imaginar, como uma forma de traduzir o mundo natural. Por essa linha de pensamento a criação do real passa pela elaboração humana, por exemplo, quando vemos uma pedra cair no chão, elaboramos um modelo descritivo/explicativo para este fenômeno, aparece assim o conceito de campo. Uma região no espaço que pode provocar interações com certos elementos contidos no meio. No exemplo gravitacional, a propriedade fundamental que é regida por esta interação é a massa. O modelo frequentemente apresentado mostra que neste caso o planeta Terra possui um campo amplo ao seu redor e que a pedra interage com este campo indo em direção ao centro de gravidade do Planeta. Mas a pedra mesmo, não possui seu próprio campo? Se a propriedade fundamental é a massa, que a pedra também possui, ela também tem seu próprio campo gravitacional. Um raciocínio semelhante poderia ser usado para o campo elétrico e seus elementos com suas propriedades fundamentais, a saber, a carga elétrica.

Seria então a interação entre os campos (Terra e pedra) que produz o movimento? Se isso é verdade, a interação entre os elementos dos campos é relativa. E se usarmos a lógica simples (simplista?), e associarmos ao início deste texto, sou obrigado a dizer que os campos não são reais.

Uma piadinha nerd para não perder o costume

Mas sabemos que a lógica simples nem sempre deve ser aplicada. Ainda mais num texto de poucas elaborações e pesquisas. No caso do exemplo gravitacional, a teoria mais aceita hoje é que uma curvatura do espaço-tempo, por meio do mesmo elemento fundamental, a massa, é que provoca o movimento. Neste cenário a ideia de campo circundante ao planeta Terra deixa de ser necessária como entidade real e volta (?) ao status de modelo, elaboração necessária da mente humana para uma possível descrição do mundo. Mas a proposta de espaço-tempo deformado também não é uma elaboração da mente humana? Creio que sim, mas com o status de teoria mais aceita pela comunidade científica ela tem ares de verdade. E sendo assim é a realidade que temos no momento. Isso faz pensar que a realidade não é intrínseca e definitiva. Ela é provisória de acordo com o modelo que mais se encaixa em nossa explicação de natureza naquele momento.

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3 respostas para O que é a Realidade?

  1. Luciano Dias disse:

    Bom texto.
    Isto me lembra as aulas do Cristiano.
    E falando em realidade e filme, você já viu “O 13º Andar”? Recomendo.

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  2. nÿra... disse:

    É, TEM RAZAO, PARECE MESMO AULA DE CRISTIANISMO!
    MAS CREIO QUE COMO AULA JÁ É CHATO, VER UM FILME DE ASSUNTO CHATO, É MAIS CHATO AINDA!
    MAS PARA QUEM GOSTA DE FILME…
    VAI EM FRENTE!

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