Estudos sobre os levantes estudantis

Estudando hoje os levantes estudantis assistir os seguintes vídeos:

 

 

 

Eu influencio seu filho e sua filha sim!

Escrevo este texto inspirado numa história que acabaram de me contar. Uma mãe de um aluno reclamou, veementemente, que o filho dela estava sendo influenciado por um professor com relação a ocupação de escola. Adivinhem só quem é o tal professor?

Cara mãe (pais, avós, tias etc), eu influencio seu filho e sua filha sim.

Mas não só eu…

Existe toda uma rede imperceptível de influências que os filhos e filhas de vocês estão submetidos.

Eu influencio seu filho e sua filha, mas o professor da sala ao lado também, a direção da escola que ele/ela estuda também, a ideologia da escola também, os amigos e amigas, a televisão que ele/ela assiste, os/as artistas que ele/ela gosta, os governos que nos comandam e, mais importante de todos, o sistema no qual vivemos, o capitalismo é a maior influência de todas.

No fundo o que temos aqui é a falsa ideia de neutralidade que o mundo tenta nos passar. Não existe neutralidade numa sociedade dividida em classes e todos e todas estarão defendendo um grupo, uma classe. O problema é que muitas pessoas se dizem neutras para defender suas ideias, mas esta forma de agir é inescrupulosa.

Pois é, eu influencio seu filho e sua filha sim. Influencio eles a lutarem por um mundo melhor, a não abaixarem a cabeça, a não aceitar os pequenos e grandes ditadores, eu influencio eles e elas a se indignarem contra as opressões e injustiças.

O que a senhora não está percebendo é que o professor da sala ao lado que diz que eles devem obedecer apenas, também está influenciando. A direção da escola que decide regras sem os consultar também está influenciando, a ideologia da escola, católica, evangélica, militar, conteudista etc., também está influenciando seu filhinho e sua filhinha, mas parece que isso não é tão importante né?

Vejamos. Eles influenciam seus filhos e filhas a obedecer sem reclamar. A abaixar a cabeça, a cumprir ordens sem questionar, dão notas arbitrárias, ensinam que a disciplina é sabia e que o individualismo é soberano. Dizem nas entrelinhas que eles/elas estão numa grande competição, ensinam a ser meritocráticos. No fundo estão criando seres dóceis para o sistema.

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E a Televisão? Será que sua filha e seu filho não estão sendo influenciados pela televisão que elas/eles assistem?

Olhe bem para ela/ele, que roupa estão usando? Que marca? Que palavras elas/eles usam? Que piadas fazem? Que gírias? Elas e eles (e nós!) somos produtos da sociedade, não temos como escapar disso. Eu seria um alienado ou hipócrita se acreditasse que não sou influenciado pela TV. Neste momento mesmo estou usando uma blusa vermelha com um simbolo do Star Trek, uma calça jeans e um tênis adidas. Isso é influência da mídia. Seu filho e sua filha não escapam disso.

A pior das influencias vem de um lugar “mais alto”, os governos burgueses criam leis, regras, implícitas e explícitas que nos influenciam o tempo todo. Sempre no sentido de manter e defender o sistema. manter o trabalhador passivo, manter a classe proletária alienada. Ou seja, com seu pensamento no outro (na tv, na igreja etc).

Para o capitalismo se manter, não basta que ele exista. Ele precisa criar meios de se auto reproduzir. O principal mecanismo de reprodução do sistema é a escola. Afinal os estudantes passam 12 anos, 10 meses por ano, 22 dias por mês dentro dela!!! Lá o sujeito é preparado para ser a peça que a maquina precisa. Lá ele vai aprender apertar parafuso como ninguém, mas não vai aprender a pensar (assista Tempos Modernos do Chaplin). Lá ele vai aprender a nunca se revoltar. De lá ele vai sair falando, “lutar pra que? Não adianta”, “Nada muda”, “O mundo é assim mesmo, paciência” e todo tipo de frase derrotista que se pode imaginar.

Pois é, eu influencio seu filho e sua filha, mas para algo diferente do que a maioria do sistema influencia. Eu seria pretensioso demais se achasse que vou mudar sozinho a cabeça de alguém. Não vou.

Mas não estou sozinho também, outras pessoas vão fazer o que faço, vão influenciar seus filhos também. Essas pessoas (que costumo chamar de camaradas) vão influenciar seus filhos para o mesmo caminho, o caminho da revolta. Sim, é um cabo de guerra e só futuro dirá que vai ganhar.

Caras mães e pais, se seus filhos e filhas estavam entre aqueles que começaram a concordar comigo e meus camaradas, eles/elas fazem parte de um grupo heroico de lutadores que:

  1. Impediram o governo de SP de fechar 94 escolas!!!
  2. Teve coragem de enfrentar o governador e as direções das escolas e derrubaram o secretario da educação!!!
  3. Salvou o emprego de milhares de professores e funcionários!!!
  4. INFLUENCIOU outros estudantes pelo país e pelo mundo (destaque para os estudantes de Goiás que estão lutando lá contra a privatização das escolas).

Se eu fosse mãe ou pai desses estudantes eu teria muito orgulho! E daria todo apoio para ele/ela seguir lutando por um mundo melhor!

Se eu fosse mãe ou pai de um estudante que não participou desta luta eu diria pra ele/ela não perder a próxima luta que está por vir.

Fui atropelado, e daí?

Dizem que quando passamos por uma experiência de quase morte ou quando estamos para morrer nossa vida passa diante de nossos olhos em um segundo.

É claro que isso é uma enorme besteira. Mais uma das milhões de crendices populares que nos cercam, nos perseguem e que vão desde as crendices mais simples, como passar de baixo da escada faz mal ou chinelo virado mata mãe, até a maior de todas as crendices, a existência de um amiguinho imaginário coletivo.

Ontem passei pela tal experiência de risco de morte, pois fui atropelado.

E naqueles três segundos entre o impacto, a queda e a consciência de que estava a salvo, as únicas coisas que passaram pela minha cabeça foram: Um susto pelo impacto, a visão de estar voando por cima da bicicleta, um grito e o pensamento que viria um carro ou caminhão por trás que acabaria com o serviço.

Eu pedalava pela pista local da Marginal na altura do ceasa, sentido zona sul, quando simplesmente senti uma pancada por trás, voei por cima da bike e caí no meio da pista. O pensamento era de que um carro viria por trás, então, enquanto rolava, saltei para a calçada. Não vinha nenhum veículo atrás e deu tempo de tirar a bicicleta da rua. Olhei para frente e o motorista que me atropelou seguiu seu destino. Percebi que ele diminuiu a velocidade, mas em seguida foi embora sem prestar nenhum socorro. Deve ter visto pelo retrovisor que eu saí do meio da pista, talvez tenha pensado, “bom, está vivo, não precisa de mim”. Um grandessíssimo imbecil, como tantos outros que atropelam e não prestam socorro. O acidente (supondo que tenha sido um) pode ter algum motivo, distração, não me viu, sei lá o que mais… Mas não parar para ajudar é inadmissível.

Um outro motorista que passava perto e viu tudo parou mais a frente e voltou para me ajudar.

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Costumo dizer, inclusive num texto recente, que somos produtos sociais e históricos, mas preciso acrescentar que somos também frutos da aleatoriedade e determinados pela entropia.

Eis o ser humano, produto social, histórico, aleatório e degenerescente. Se estamos aqui, e vale para quem não está mais, trata-se de uma infinidade de escolhas que fazemos ao longo da vida que nos leva para cada momento específico. Estas escolhas são pessoais,  mas totalmente determinadas pelo ser social que somos, ou seja, escolho o que quero, mas baseado em toda a formação social que recebi e todas as oportunidades que a sociedade me oferece (ou deixa de oferecer).

É claro que o processo aleatório é no fundo estatístico. A escolha de pedalar pela via local da marginal me dá uma probabilidade de sobrevivência maior que pedalar pela via expressa e menor que não pedalar por canto nenhum. Mas a chance de termos dois carros seguidos naquele local era maior que a de não ter. Neste quesito fui agraciado pelo acaso.

De qualquer forma, todos nós caminhamos para a degenerescência (entropia) enquanto escapamos dos processos aleatórios que podem nos tirar de cena a qualquer momento.

Contudo uma sociedade diferente desta, que não fosse regida pela ferocidade, pela competição, pelo mérito, pela culpa e pelo prêmio, seria, automaticamente, mais justa, mais cooperativa, mais solidária, etc., sendo assim, vejo como culpado principal neste acontecimento, não o motorista, mas o sistema que o formou!

Quase posso ouvir daqui algumas pessoas indignadas lendo este texto e dizendo, “Você vai atribuir a culpa do seu acidente ao capitalismo???”

Sim!

Muitos motoristas não veem no ciclista um carro a menos na via dando inclusive mais espaço para ele. Ele vê uma competição pela via. ele vê um ser mais fraco (e com razão, afinal minha bike pesa 15 kg e um carro popular 1000 kg, lembrando do conceito físico de momento p = m.v, e perceberemos que é uma disputa desleal), Ele vê como um adversário. A lógica do sistema é do enfrentamento, do ódio, da oposição. Antes fosse um enfrentamento, um ódio, uma oposição revolucionária que visasse a mudança deste sistema maldito.

Escrevo este texto lembrando das tantas bicicletas brancas pregadas nas ruas de São Paulo em homenagem aos ciclistas mortos. Ao rapaz que perdeu o braço atropelado, àquele que perdeu a vida para o possante do Thor Batista e aos tantos anônimos que sequer foram registrados pela história.

O processo aleatório da vida é submetido ao processo social, em outras palavras, você não é um imbecil se se envolver num acidente, mas será um idiota completo se insistir em pisar o acelerador e ir embora.

Eu, produto da história (ou Um Cubas!)

Há mais de cem anos um de meus mestres andava pela rua que hoje passei com a cabeça infestada de pensamentos.

Estava andando a esmo quando percebi que estava perto da rua do Ouvidor, uma rua muitas vezes citada nos livros do Machado de Assis. Digo que é um dos meus mestres, pois foi nos livros dele que adquiri meu gosto por leitura. Depois dele outros tantos livros, historias, poesias, eu comecei escrever, depois outras curiosidades, os livros científicos e enfim meu interesse em cursar uma universidade, e isso mudou tudo. Para um pobre estudar é um ato de rebeldia e não posso desvincular isso do meu motor original, Machado de Assis.

Neste contexto, a rua do Ouvidor me causou grande comoção. Gosto de ficar imaginando as pessoas que já passaram por ali, todas as histórias (reais e fictícias) que se formaram naquele lugar. Bentinho já andou por lá. Brás Cubas se encontrou com Virgília depois de muita saudade. E hoje me senti mais um Cubas do que nunca.

Porém minha história naquela rua não tem tanto glamour. Estava rolando uma festa de carnaval fora de hora numa travessa do Ouvidor, rua Rio Branco. Até ai tudo bem, não fosse o fato da festa não ter sido planejada e não ter nenhum banheiro. Sendo assim, a rua mais vazia, que era justamente a do ouvidor, virou o banheiro ao ar livre dos gringos, principalmente. Em meio minhas reflexões profundas sobre o passado e a transformação da sociedade, eu tive que desviar de calças arriadas, saias levantadas e poças de xixi.

Nem isso tirou a beleza daquele lugar. Foi para mim quase que uma viagem ao passado, era possível ouvir o barulho do bonde que passava por ali e das carroças e cascos de cavalo nas pedras. Mas era possível também imaginar todo o sofrimento de um povo. Era possível imaginar naqueles anos as comemorações de alguns negros que acreditavam que a libertação chegara enfim para libertar. Mas não. Era só uma prisão diferente. A prisão da pobreza, a qual somos condenados até hoje.

Saí dali, virando a direita numa rua pequena e depois direita novamente encontrei uma igreja. Quando olho sua frente percebo que estou na Candelária.

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Como não relacionar estes dois pensamentos, estes dois lugares? Aqueles meninos que tombaram na Candelária em 1993 não passam de um produto de toda a história de exploração do capitalismo, desde o tempo em que a rua do Ouvidor era a mais movimentada do Rio de Janeiro.

Eles pagaram com a própria vida, um preço alto demais, por terem nascido pretos e pobres. Por ser a maior vítima que o capitalismo faz, mas que a visão imediatista que este mesmo sistema produz, faz parecer que eles é que são os culpados. Os desajustados. O problema.

Esses pensamentos todos, esses choques de realidade são importantes para lembrar quem somos de verdade. Independente do nome ou do numero do RG, não passamos de produtos da história!

Meu jeito de fazer turismo

Não acho que isso importa para muita gente, mas gosto de escrever mesmo assim para sistematizar as ideias.

Não gosto de passeios turísticos organizados, com roteiros prontos, com guias turísticos, etc.  Sei que existe toda uma área do conhecimento que estuda e organiza isso. Sei também que “perco” muita informação nesse meu jeito “estilo livre” de vagar pelas ruas das cidades e ir descobrindo as coisas.

Esse meu jeito já até rendeu brigas com uma ex por “Não estar aproveitando bem a cidade luz”.
Mas é sempre possível deixar um pouco da cidade para uma próxima visita, mesmo que não tenhamos certeza se essa visita vai acontecer.

Aqui no Rio de Janeiro, em minha décima visita mais ou menos, está sendo assim. Hoje saí com planos de conhecer o Museu do Amanhã e o Nacional. A decisão de como eu chegaria lá eu faria no meio do caminho.

Vagando pela cidade encontrei a rua São José que me lembrou algum livro. Qual será? Alguns prédios históricos nela. Decidi enveredar por ali sabendo que sairia do meu caminho. Um construção antiga me chamou atenção no fim da rua. Descobri, chegando lá, que era a estação de barcas para Niterói. A decisão foi instantânea. Um passeio de barco e ainda conhecer a cidade vizinha. Por que não?

E o museu do Amanhã?
Fica para amanhã.
(Quem sabe?)

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O meu ano novo foi assim…

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Enquanto luzes magníficas explodiam no céu clareando a noite e apagando momentaneamente as estrelas, no chão aconteciam um sem número de arrastões.

Engana-se quem pensa que isso foi o pior. O pior, na minha opinião, foi cada vez que a população (maioria branca) aplaudia a polícia militar pelas prisões (captura) dos meninos (todos pretos)…

2016 começou com cara de 1816.

Ano Novo?

Texto criado na virada de ano de 2009 para 2010, mas por eu considerar que permanece atual, fica valendo para este começo de 2016!
 

Chega essa época de festas nós ficamos tão envolvidos que normalmente nos esquecemos de coisas básicas como por exemplo, a superficialidade do conceito de Ano. Pois é, em algumas horas (aqui em Portugal) vamos mudar de ano, na Romênia, no entanto, já é 2010 e no Brasil só duas horas depois daqui. Contudo as pessoas comemoram com uma pontualidade inglesa (por sinal na Inglaterra já estão estourando champagne (será que fazem isso lá?)).


A contagem regressiva praticamente exige relógios atômicos, mas não lembramos que o ano novo no Rio de Janeiro deveria ser ligeiramente diferente do ano novo em São Paulo, afinal estas cidades não estão na mesma longitude do planeta!


A parte tudo isso e pensando um pouco na história, a ideia de ano mudou muito com o tempo, já teve apenas 10 meses (pense no nome do último mês do ano), nesta época o ano começava em Março.

Fisicamente nada muda, para tristeza das pessoas que fazem pedidos, prometem mudanças ou se fiam nas possibilidades que o novo ano inaugura, mas como eu disse, fisicamente nada muda, o que mede o ano, como sabemos, são as voltas que a Terra dá ao redor do Sol e não existe nenhuma marca em sua órbita que determina as contagens. E não pensemos que se assim é, ela já deu 2010 voltas ao redor do Sol, foi um pouco mais, na ordem de 4,5 bilhões de voltas!!!

Ok, sei que quem chegou na leitura até aqui deve estar me chamando de chato, provavelmente estão certos, mas o que disse até agora foi com relação a parte física do mundo. E como sabemos, nem só de física funciona o mundo (e nesta afirmação não vai nada de místico/espiritual)!

Sociológica e psicologicamente falando, muita coisa muda. É importante que exista esta transição, principalmente em nossa sociedade contemporânea, tão estafada, tão sobrecarregada. É a hora de tomar fôlego, de respirar bem fundo e dizer, “Vou continuar!” Ou “Vou mudar tudo!”, é um tempo de renovação e aqueles planos que falei a pouco, agora adquirem grande valor e força, precisamos dos ciclos para nos organizar, planejar e (principalmente) realizar.

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Neste momento, todos/as fecham os olhos por um momento e desejam que as coisas sejam melhores do que no ano que passou, nem precisamos lembrar que fizemos a mesma coisa há um ano e se lembrarmos não tem problema, uma função ontológica do ser humano é não desistir.

Então vamos lá, mais um ano, por mais superficial que seja essa definição, precisamos dela, precisamos nos organizar, nos reestruturar e continuar.

Ao sabermos desta fragilidade do conceito de ano e mesmo assim decidirmos comemorar a virada, estamos sendo sujeitos críticos, que analisa e decide criticamente. Não apenas por uma obrigação social ou religiosa. Este texto mesmo, que reciclo ano após ano, mostra isto. A cada ano que releio o texto percebo pequenas falhas ou mudanças de pensamento, mas sigo acreditando que é o nosso senso crítico que faz com que o próximo ano (2016) seja melhor.

Melhor?

Melhor dentro daquilo que é possível dentro do sistema. Afinal todos aqueles votos que damos e recebemos neste dia (saúde, paz, felicidade) não serão conquistados com o fim do ano e sim com o fim do capitalismo.

Sigamos lutando!

Feliz 2010!

(2011; 2012; 2013; 2014; 2015; 2016)