Indutivismo e Falsificacionismo – Parte II

Continuando nos apontamentos dos textos de Chalmers e Popper, este último propõe o seguinte subtítulo: A Eliminação do Psicologismo, neste ponto o autor pretende fazer uma separação entre a epistemologia e a psicologia do conhecimento, ou seja, a lógica do conhecimento de um lado e a psicologia de outro. Os processos mentais que levam um cientista à uma ideia nova, à uma nova teoria fazem parte da Psicologia do conhecimento e não dizem respeito a lógica, esta se interessa pelas provas e justificativas que dizem respeito a esta nova ideia, o que faz com que ela seja considerada nova. E encerra este assunto dizendo que não existe um caminho lógico para se conhecer novas ideias, seu processo contém algo de irracional, algo de puramente intuitivo.

Em seguida ambos os autores apresentam o dedutivismo, como área de estudo, a lógica. Não entraremos em detalhes referentes a lógica, usaremos exemplos simples para exemplificar essa abordagem.

Um argumento lógico requer premissas  e conclusão. Se temos por exemplo, em um argumento lógico, duas premissas verdadeira a conclusão delas tirada deve também ser verdadeira. Ex.:

Todos os Blogs de ciência são chatos. (1)

Este é um blog de ciência. (2)

Este blog é chato. (3)

Desta forma, se as premissas (1) e (2) são verdadeiras a conclusão (3) também é.

Não é possível que tendo as premissas verdadeiras a conclusão seja falsa, se isso acontecer temos uma contradição lógica.

Se modificarmos, nos itens anteriores, a premissa (1) para Muitos blogs de ciência são chatos teremos um problema, pois é possível que este blog seja uma rara exceção de um blog de ciências que não é chato.

Contudo os argumentos lógicos só dizem respeito a estrutura interna deles mesmo, ou seja, eles não garantem que as premissas sejam de fato verdadeiras, ele apenas garante que SE as premissas forem verdadeiras a conclusão também será. Um exemplo disso vem a seguir:

Todos os cachorros tem 8 patas.

Cheio-do-Pulgas é meu cachorro.

Cheio-de-Pulgas tem 8 patas.

Este argumento aracnídico, do ponto de vista da lógica é válido, porém ele não garante a verdade da premissa.

Este tipo de raciocínio é usado para predizer eventos de uma teoria. Para Popper podemos seguir o seguinte esquema: Uma ideia nova é obtida por conjectura e ainda não justificada, pode-se tirar conclusões através da lógica. Isso não lembra em nado o argumento indutivo. Ele segue outra forma de raciocínio.

Popper ainda assinala:

Extraído do livro: A Lógica da Pesquisa Científica

A Falsificabilidade é apresentada em seguida. Popper propõe que teorias não sejam justificadas pela sua verificabilidade, ele propõe uma inversão e que a falsificabilidade de um teoria seja usada como critério de demarcação e justificativa, ao menos temporária.

Quero dizer, deve ser possível refutar uma teoria pela experiência para que esta seja valida dentro da demarcação, ou seja, para que ela seja científica.

Um exemplo simples, Choverá ou não amanhã! É um argumento que não pode, segundo este critério, ser científico, pois não pode ser falseado. Independente do que ocorra manhã ele estará certo.

Já o exemplo, Choverá amanhã!, pode ser testado e refutado – basta que não chova – desta forma ele resiste e é considerado válido (ao menos até a hora que começar a chover). O que importa aqui é a possibilidade lógica do argumento ser falsificado, neste momento não importa se a teoria é verdadeira ou não. De fato ela nunca será completamente verdadeira, por que, se puder ser falsificado sempre será possível encontrar uma prova empírica que a refutará.

Um outro exemplo, usado pelo Chalmers, Todos os corpos pesados, como tijolos quando liberados próximos a superfície da Terra caem diretamente para baixo se não forem impedidos. De primeira, pensamos, isso é claro e óbvio. Este argumento, pelo critério do Falsificacionismo é válido?

Sim. Este argumento pode ser falsificável, embora ele seja verdadeiro. Basta encontrar um tijolo que “caia para cima”, lembre-se o que importa não é a veracidade da informação, mas a possibilidade lógica. No caso do tijolo que cai para cima não existe nenhum contradição lógica.

Um ultimo argumento apresentado aqui será falsivicável como este último, porém será falso (o último era falsificável e verdadeiro). A expressão: Nunca chove as quartas-feiras! É uma expressão que é falsificável, basta encontrarmos uma quarta-feira chovosa. Além disso ela é falsa.

Agora pense você nos seguintes argumentos e responda se eles se enquadram na lógica falsificacionista.

Todos os dias faz Sol!

A Sorte é possível na especulação esportiva.

Amanhã darei uma festa.

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Referências

CHALMERS, Alan F., O que é Ciência Afinal? Editora Brasiliense. 1993.

POPPER, Karl, A Lógica da Pesquisa Científica. Editora Cultrix. 1972

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