O Xadrez na Aprendizagem Escolar

Se eu pudesse dar um conselho para as pessoas eu as diria: Joguem Xadrez!

Quando leio algo sobre o jogo ou penso em suas possibilidades cognitivas, quase chego a associa-lo ao velho “Emplasto Bras Cubas”, aquele que seria capaz de resolver os problemas da humanidade!

Brincadeiras a parte, não é de hoje que o Xadrez é tido em alta conta por educadores, investigadores e pessoas ligadas a educação, principalmente nas séries iniciais. Particularmente ele auxilia e muito o raciocínio, a identificação de padrões e a resolução de problemas.

Desenvolvendo essas competências na criança ele poderia ser usado em qualquer área do conhecimento, este texto, no entanto, está mais voltado para o Xadrez e o aprendizado de matemática. O trabalho que tomamos como base é o artigo de Dores Ferreira e Pedro Palhares ambos da Universidade do Minho, Portugal.

Aqui em Portugal o Xadrez é recomendado pelo Currículo Nacional no ensino de matemática, dado sua potencialidade de auxilio nesta área. Em muitos países o xadrez é disciplina obrigatória nas escolas. A matemática é definida, neste mesmo documento, como a ciência das regularidades, sendo assim, busca-se na utilização do xadrez na associação com padrões.

Jovens jogando xadrez em Cuba

No Currículo Nacional de Portugal, o Xadrez aparece como um dos jogos indicados para auxiliar na resolução de problemas atribuindo às crianças competências como, agilidade de raciocínio, capacidade de elaboração de estratégias pessoais, abstração, desenvolvimento da memória e gosto pelo desafio.

Um ponto apresentado no Currículo que me custa aceitar é que o jogo de xadrez favorece a capacidade da criança aceitar e seguir regras, embora eu concorde que o xadrez possa mesmo provocar este efeito acho um tanto tendencioso isso aparecer num documento de estado. O mesmo estado que se privilegia e procura manter sob sua imponência os agentes sociais, as pessoas. Mas isso, creio eu, é discussão para outro post.

Outro ponto que considero muito importante é o potencial do xadrez para aumentar a concentração. Isso deve ser mais importante hoje que em outras épocas. Com o advento da internet e o maior acesso por parte dos estudantes de todo o mundo perdemos muito da capacidade de concentração, de foco. A internet é multifacetada e dinâmica, é a personificação do “tudo-ao-mesmo-tempo-agora”. Nossa capacidade de concentração está cada vez mais afetada. Sendo assim cada vez mais teremos nossos estudantes distantes de explicações ou principalmente leituras que possam durar mais-que-um-instante. Podemos perceber isso com os blogs (ai meu teto de vidro) que normalmente possuem textos curtos, o twitter é um exemplo claro, apenas 140 caracteres!!! Esse dinamismo faz com que (já disse isso em outro lugar) fiquemos com a atenção de um esquilo! Faz-se urgente ferramentas que possibilitem o aumento (ou a manutenção) de nossa capacidade de atenção e concentração. O xadrez é excelente para este fim.

Outra capacidade que o Xadrez propicia é a de visualização espacial, passo importante para se começar a aprender geometria, por exemplo.

O Xadrez como se sabe é um jogo extremamente antigo, porém a resolução de problemas a ele associados datam de meados de 1500 no livro de Damiano (Wood, 1972, p.788), onde pode-se perceber conselhos dados por este autor que ainda hoje são muito válidos no jogo. Por ex., Não jogue depressa, Quando vir uma boa jogada procure outra melhor, Nenhuma jogada deve ser feita ao acaso.

Os autores do trabalho apresentam um bom exemplo relativo ao primeiro “conselho”, relatam que um professor de xadrez pedia que seus alunos mantivessem a mão em baixo da mesa após a jogada do adversário, isso fazia com que esse alunos pensassem melhor em cada jogada. Relativo a isso, percebo que nas pessoas que estão aprendendo a jogar existe uma necessidade de visualizar a peça no local pretendido, para depois fazer a jogada. Como dissemos antes o recurso visual é importante, mas também dissemos que a abstração é fundamental, é preciso então imaginar a peça no local pretendido e saber se fará efeito ali. Eu poderia escrever outro texto somente falando da importância da abstração no aprendizado de ciências naturais, por exemplo.

Além do jogo tradicional outras tarefas envolvendo o tabuleiro e as peças do xadrez podem ser usadas ou mesmo criadas pelos educadores. Um exemplo clássico disso é o problema das 8 Rainhas (http://rachacuca.com.br/jogos/8-rainhas/), que consiste em dispor num tabuleiro oito rainhas de forma que nenhuma seja atacada. Esse problema não é nada trivial e se mostrou com poucas soluções possíveis. O Grande matemático Euler trabalhou neste problema.

Outro problema clássico é o do crescimento exponencial que conta, segundo a lenda, que o inventor do jogo de xadrez pediu, como pagamento por sua invenção, grãos de trigo, mas não de qualquer forma. Ele queria receber 1 grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro, 2 pela seguinte, 4 pela próxima e assim por diante até a 64º casa do tabuleiro. Logo verificou-se que seria impossível fazer o pagamento (e também impossível fazer o recebimento) já que se trata de um crescimento exponencial no final o pagamento deveria ser de nada mais nada menos que 18.446.744.073.709.551.615 grãos, o que ocuparia mais que a superfície de toda a Terra!

Referências:


Caldas, A. C. (2006). Todos os nomes. Notíciasmagazine, 732, 35-40.

FERREIRA, D., PALHARES, P. O jogo de xadrez e a identificação de padrões. Publicações LUDUS, http://www.ludicum.org/publicacoes

Wood, B. H. (1972). History of Chess. London: Murray’s Sales and Service Co.

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6 comentários

  1. Agora vejo que ficou faltando um smiley 🙂 no meu comentário. Verdade, xadrez é interessante. A história do xadrez é mais divertida. Mas Go é melhor. O fato de não ter sido resolvido é um dos pontos a favor.

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