O Espectro Pós-moderno

Um espectro paira sobre nosso mundo moderno.

Alguns já lhe deram nome, como foi dito em algum lugar, quando damos nomes para as coisas novas sentimos menos medo. Pois chamaram-lhe pós-moderno. E assim hoje, em diversos ambientes é possível ver este espectro como se fosse vivo, como se fosse coisa real, na educação, na política, na economia, na ciência. Ah esta ultima em particular tem sofrido diversos ataques. Seria ela inocente?

A ciência moderna nasce (essa frase vai ficar estranha) no renascimento e ganha um status elevado no Iluminismo, este status é preservado até hoje e creio que tenha até crescido. É comum ver na sociedade contemporânea que a ciência é tomada em alta conta pelas pessoas. As empresas até usam isso em seu favor, em jogos de marketing, anunciam: “Nosso produto é cientificamente mais eficaz”, “Está provado cientificamente, nosso produto é melhor “,  e desta forma as pessoas, que confiam na ciência, se interessam mais pelo produto. Esta é a ciência moderna.

Em contrapartida, a este valor social que a ciência tem hoje em dia, vemos cada vez mais um desinteresse pela mesma em níveis académicos, os cursos de carreiras científicas tem cada vez menos candidatos nas universidades (e aqueles cursos que associam, ciência e educação, pobres, esses tem um sofrimento crónico! A licenciatura em física é nosso triste exemplo).

A ciência moderna é a ciência que é praticada nas universidades e institutos do país e do mundo? Essa ciência que prega a objectividade e neutralidade é a ciência que prevalece? ela é hegemónica?

Pois parece que não é bem assim. As ciências sociais e humanas foram as primeiras a se libertar das amarras na modernidade, talvez por seu objecto de estudo ser dinâmico, fluido, tenham uma maior percepção das condições sociais actuais e suas relações dialécticas como o fazer ciência. Não sabemos que nome dar para o que está por vir, como diz uma interessante frase de Rouanet e Mafessoli (1994), “Notamos o que não é mais, mas não conhecemos o que está por vir”, esta frase sintetiza parte do meu sentimento com relação a este assunto. Uma definição muito precisa agora do que se trata a pós-modernidade seria prematura, afinal como foi dito, a nomenclatura é o que vem por último e não no começo. Mesmo quando se escreve um poema ou um livro (salvo excepções) o nome é a última coisa feita pelo autor, diante de toda a obra, como uma visão generalizada é possível nomear com mais propriedade. Mas concordo efectivamente que nossa sociedade tem passado por transformações que se farão insustentáveis em pouco tempo, sendo assim, o modo de fazer ciência (seja ela natural ou humana) não pode mais se manter o mesmo, o mundo não é o mesmo dos tempos do Iluminismo! Seja nas condições climáticas, a água, por exemplo, não é inesgotável, seja nas condições das classes sociais mais pobres, seja na produção de energia, etc. No Brasil esse problema se faz de uma urgência sem precedentes, todavia é bom saber que o Brasil teve um importante papel na reunião climática deste mês.

Outra afirmação do Rouanet diz o seguinte, “O homem está cansado da modernidade”. Ela não se esgotou, ela envelheceu (FERNANDES, 2007).

O ponto principal é: Não importa o nome que vamos dar, o que importa é perceber que o modelo anterior está em crise, a modernidade está em crise e assim precisamos pensar, que postura tomar daqui para a frente. Que tipo de educação queremos passar, que tipo de mundo (ou de projecto de mundo) queremos passar para os próximos habitantes desse planeta? Afinal a ideia de reciclagem se aplica até mesmo ao próprio planeta!!! Eu estou usando ele agora, outros virão depois de mim e usarão este planeta, e outros depois deles, e outros depois…

Referências
Uirá Fernandes. O Currículo na Encruzilhada Pós-moderna – Um estudo de Caso de uma Escola Pública Paulistana
ROUANET, P. S., MEFESSOLI, M. Moderno x Pós-moderno. Rio de Janeiro: UERJ. 1994.
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2 comentários

  1. O que você chama de “ciência tomada em alta conta pelas pessoas”, decorre do abuso do diálogo científico para fins políticos disseminados entre os leigos, uma vez que diversos interesses (que não cabem aqui) criaram um sentimento de infalibilidade científica. Isso só acontece por conta do desconhecimento de questões como o problema da indução, por exemplo.. E da confusão entre ciência e tecnologia que vem com bagagem filosófica não analisada.
    “Essa ciência que prega a objectividade e neutralidade é a ciência que prevalece” Essa ciência eu desconheço.. O que conheço hoje é a ciência que vale-se menos da objetividade e neutralidade que da superioridade numérica: É um time de cientistas tido na mais alta conta que escolhem o que deve ser aceito e o que deve ser perseguido.. Não faltam exemplos de carreiras arrunadas.. Todo, ou quase todo esquerdista que se aventurou em filosofia da ciência acabou propondo uma nomenklatura de cientistas, que hoje já existe..
    Esse é o fenômeno que tu analisou no teu texto, embora tenha dado vários argumentos em loop que parecem até duplipensamento.. E outra coisa, de onde você tirou que isso é epistemiologia?

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