Psicologia: Resolução de Problemas – Parte I

Um problema consiste de uma situação cujo objectivo não é óbvio nem automático, ou seja, quando se precisa pensar para resolver. Este é um ramo muito estudado em psicologia e que abre ramificação para inúmeras áreas, por exemplo, para o ensino das disciplinas escolares, resolução de problemas de física, de matemática, etc.

Na psicologia estão interessados em como o nosso cérebro procede na resolução de um problema, quais são os mecanismos de funcionamento, os limites e as potencialidades cognitivas para esta tarefa. Para se resolver um problema normalmente precisamos de etapas, passos a ser dados para se alcançar uma solução. Trataremos um pouco sobre essa temática neste post, espero que gostem.

Duncker em 1945, deu a seguinte definição para Resolução de Problema (RP), “Existe um problema à ser resolvido quando um organismo tem um objectivo e não sabe como atingir”, sendo assim dois termos são importantes na RP, a Intencionalidade e o Planeamento, o sujeito da acção precisa estar disposto a resolver o problema e precisa traçar um plano.

Alguns exemplos de problemas estudados em psicologia são, dois 2 fios de Maier, da vela de Duncker, da Torre de Hanói, dos missionários e dos canibais, dos jarros de Luchins, do colar barato, do tabuleiro incompleto, da radiação de Duncker, séries numéricas, etc. Falaremos de alguns deles aqui, digitando o nome de cada um deles na internet é possível achar mais informações.

Greeno (1978) propôs uma classificação simples para os diferentes tipos de problemas, esta classificação consiste me três categorias básicas: Problemas de Arranjo, Problemas de Transformação e Problemas de Indução de Estrutura.

No caso dos problemas de arranjo a solução é atingida reorganizando os elementos, o Cubo Mágico é um exemplo. Nos problemas de transformação o que importar são os passos, as etapas para se atingir o objectivo, um exemplo é o Xadrez. Já nos casos de indução de estrutura o importante é perceber a estrutura existente para que a continuação possa ser induzida, como nas séries numéricas.

Estes problemas citados até agora fazem parte das investigações em psicologia, mas não são os únicos existentes, de fato, nosso cotidiano está repleto de problemas para se resolver. Alguns são bem estruturados, como uma exercício de matemática, já outros, são vagamente estruturados como é o exemplo de uma infiltração numa casa ou diminuir a poluição em uma grande cidade, nestes casos existe um objectivo a ser cumprido e passos (mesmo que não sejam claros) a ser dados. Nestes casos de problemas vagamente estruturados não se sabe muito bem qual será o resultado final, diferente de um cálculo matemático.

Para se resolver um problema existem, como já foi dito, etapas, ciclos que são seguidos. Isso não é consenso entre os investigadores, de fato, existem diversas sequências possíveis, descritas na literatura, algumas podem ser encontradas em Neto (1998), descreveremos aqui uma sequência possível:

1. Reconhecer ou identificar a existência do problema

2. Definir e representar mentalmente qual é o problema

3. Desenvolver uma estratégia ou plano de solução

4. Organizar o conhecimento sobre o problema

5. Destinar recursos mentais e físicos à resolução

6. Monitorizar o progresso em direcção ao objectivo

7. Avaliar se a solução é adequada

Chegada a etapa 7 e o problema ainda não foi resolvido, é preciso voltar para a 3 e desenvolver outra estratégia ou mesmo 1 ou 2 e representar novamente o problema.

Varias abordagens poderiam ser dadas para o tema RP, abordagem d Gestalt, abordagem da Inteligência Artificial, Peritos vs. Principiantes, se tivermos tempo falaremos do segundo e terceiro item, por ora vamos ficar na abordagem da Gestalt.

Fixidez Funcional – Esse tópico é caracterizado quando diante de um problema usamos, para sua solução, os elementos disponíveis apenas com suas funcionalidades básicas. No entanto para que se chegue a solução e muitos problemas é preciso olhar para os elementos de uma forma diferente daquela que costumamos olhar para suas funcionalidades básicas. Tomemos um exemplo:

Os dois 2 fios de Maier – Você entra numa sala e o objectivo é unir os dois fios pendurados no teto (figura abaixo), você tem estes materiais disponíveis, faz? Obviamente não dá para unir só esticando os braços. (Pense um pouco antes de prosseguir a leitura)

Os estudos realizados por Maier e outros depois dele, mostraram que a maioria das pessoas usa os materiais apenas em suas funcionalidades óbvias, ou seja, a cola para colar, o alicate para apertar, a cadeira para subir (sentar), e desta forma constitui a fixidez funcional. No caso deste problema se um dos elementos for usado fora de sua funcionalidade teremos a solução óptima (isso quer dizer que existem mais de um solução).

Agora um desafio para o leitor, numa mesa se encontram os objectos da figura abaixo, e é pedido que se fixe a vela, acesa, em uma porta (na parte vertical da porta). Como resolver isso?

Trataremos em outros posts de outras abordagens dadas pela Gestalt, como a Mecanização do Pensamento, o Insight e o Efeito de Incubação, para já eu recomendo que entre nos links abaixo e brinquem um pouco com alguns problemas interessantes.

Problema dos Missionários e Canibais: http://rachacuca.com.br/jogos/missionarios-e-canibais

Problema dos 4 Cavalos: http://rachacuca.com.br/jogos/4-cavalos

Problema das lâmpadas: http://rachacuca.com.br/jogos/lampadas

Referências

Aulas da professora São Luis Castro – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

Neto, A. J. (1998) Resolução de problemas em Física. Lisboa. Instituto de Inovação Educacional.

P.S. Abaixo um bom vídeo para se aprender a resolver um problema de matemática!!!


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