Psicologia: Resolução de Problemas – parte II

Outra abordagem da RP é pelo processamento de informações, área que está intimamente ligada a Inteligência Artificial.

Em 1972, Ernst Newell e Herbert Simon, publicaram o livro Human Problem Solving, onde desenvolveram uma terminologia mais abstrata para tratar da RP tanto por humanos quanto por maquinas,  Newell também participou de uma obra que lançava um programa de computador, o GPS (General Problem Sonving) no âmbito da RP por humanos e inteligência artificial.

Segundo a  abordagem do processamento de informações um problema é caracterizado por quatro elementos, são eles:

  1. Estado presente e/ou Inicial
  2. Estado pretendido (objectivo)
  3. Os operadores
  4. Condições do percurso

Para ir do estado inicial até o estado pretendido precisamos usar os operadores no que chamamos “espaço.problema”, é no interior desse espeço-problema que devemos procurar o caminho que leve de um estado à outro, a figura abaixo mostra essa ideia.

No Post anterior falamos um pouco sobre a fixidez funcional, o problema dos fios de Maier e as velas de Duncker mostram isso quando, nas investigações realizadas com esses problemas os pesquisadores perceberam que grande parte das pessoas não usavam um objecto fora de sua funcionalidade primária, como o alicate para fazer um pêndulo e unir os fios ou a caixa de tachinhas para fazer um suporte na porta e apoiar a vela.

Neste post falaremos sobre o Efeito de Set, algo que também é característico dos problemas estudados e que pode revelar aplicações aos professores que lerem isso em suas metodologias em sala de aula.  Eu particularmente tenho pensado em como usar esse conhecimento em minhas aulas de física e matemática. No caso da fixidez funcional trata-se de tem um olhar criativo sobre o problema, fazendo uma pequena extrapolação, o aluno teria que olhar para as informações que não estão explícitas no problema, ou seja, ter a visão para além dos dados. O professor poderia seleccionar alguns problemas que necessitem deste tipo de visão e trabalhá-los com os alunos.

O Efeito de Set, consiste numa manutenção da resolução, de um problema anterior, no próximo problema. Veja o exemplo dos Jarros de Luchins, que consiste em você possuir três jarros de água, vazios, e poder enche-los como quiser para conseguir uma quantidade específica. Tente resolver os problemas, lembrando ou anotando os passos dados.

Este problema estudado por Luchins em 1939 tem um resultado interessante. Se tentou resolver percebeu que era possível chegar a quantidade pretendida enchendo o jarro B e retirando duas vezes o C e uma vez o A, ou seja, B-2C-A. Estudos mostraram que pessoas que resolveram os problemas de 1 até 5 na sequência, no problema 6 em diante fizeram B-2C-A, quando era muito mais fácil fazer A-C ou A+C. Outro grupo foi submetido ao teste resolvendo os problemas a partir do 6 (set neutro), sendo que a grande maioria usou apenas os jarros menores. Este é um exemplo de set negativo e muitas vezes nos deparamos com este tipo de problema em sala de aula. Os alunos querendo resolver um problema pela mesma técnica do exercício anterior.

O Efeito de Set nem sempre é negativo, em alguns momentos pode ser vantajoso usar métodos anteriores na resolução de novos problemas, talvez o importante seja alertar os alunos para estes resultados e que ele deve avaliar primeiro se o método anterior é melhor que uma nova abordagem.

Um último efeito que quero tratar neste post é o Efeito de Incubação, que creio já terem pensado e algum momento sobre isso. Este efeito foi estudado, entre outros, no problema do colar barato (figura abaixo), um problema muito interessante.

Como fazer um colar de 12 elos, partir de 4 cadeias de 3 elos cada, sem ultrapassar o valor de R$150,00? Sabendo que custa R$20,00 para abrir um elo e R$30,00 para fechá-lo. (Tente resolver antes de seguir na leitura)

Este estudo foi feito por Silveira (1971), com três grupos de pessoas, o primeiro grupo teve 30 minutos para resolver e 55% das pessoas conseguiu. O segundo teve os mesmos 30 minutos no total, com um intervalo de 30 minutos, onde 64% das pessoas resolveram o problema e o terceiro grupo o intervalo foi de 4 horas com 85% dos participantes resolvendo o problema. Sendo assim esse efeito parece ser bem importante na resolução de problemas, claro que não podemos dar 4 ou 5 horas de prova aos alunos (não seria má ideia) mas pode-se pensar no vestibular/concursos e Redacções. Eu particularmente sempre usei isso nas redacções de vestibular que fiz, primeiro lia o tema e ia fazer a prova, só depois de acabada a prova eu voltava para a redacção e (normalmente) tinha uma ideia boa para escrever (Isso me valeu um 100 no Enem :-D).

A RP é um tema bastante amplo, de fato, existem livros inteiros só sobre isso, a ideia aqui é então apenas, lançar mão de alguns tópicos que podem ser relevantes para o trabalho em sala de aula. Continuamos no próximo post.

Referências

Aulas da professora São Luis Castro – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

Neto, A. J. (1998) Resolução de problemas em Física. Lisboa. Instituto de Inovação Educacional.

P.S. Abaixo um video interessante sobre a solução de problemas por humanos (crianças) e chimpanzés.

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