Ensino a Distância, e-learning e outras Maldades

Existe muito debate hoje em dia a respeito do ensino a distância, e-learning, etc. Vimos na USP recentemente uma greve que tinha umas das reinvidicações neste assunto. No entanto não adiantou e a USP começa seu curso a distância.

Obviamente meu título é provocativo, como a maioria deles, não sou – nem posso ser – contra todo e qualquer tipo de ensino a distância, estamos no meio de um gigantesco processo de revolução tecnológica e a adaptação à toda essa tecnologia se faz necessária (e urgente).

Um dos debates gira em torno da ausência/necessidade do professor presente. Algo que podemos trazer para discussão é a ideia de Conhecimento Declarativo (CD) e Conhecimento Procedimental (CP), proposto por Anderson (1990).

A ideia do CD é tomada como aqueles conhecimentos que podem ser transmitidos deforma verbal, preposicional, numa explicação escrita, por exemplo. Pode-se passar para um aluno de licenciatura um artigo sobre ensino de ciências, por exemplo, e pedir que ele leia e extraia de lá o conhecimento.

Os CPs são aqueles que não se pode transmitir apenas num texto escrito e suas tentativas são normalmente frustradas. Eu poderia escrever uma postagem neste blog ensinando as pessoas a andar de bicicleta, colocando todos os passos, os conceitos de equilíbrio, de momento e até o de gravidade para tentar ajudar meu e-aluno, dificilmente eu teria sucesso nesta tarefa.

Creio que exista uma presença necessária em algumas situações que não pode ser substituídas por um texto ou um Power Point qualquer. Sendo abusado e parafraseando um grande poeta, eu diria que, existe muito mais entre professor e aluno do que sonha nossas vãs filosofias.

Em boa parte do aprendizado a presença se torna necessária, quando falamos de licenciaturas, de formação de educadores, como as que estão sendo criadas a distância, uma preocupação maior surge. Deixa de usar professores para se formar professores?!

Fico imaginando a situação…

Estamos sentados tranquilos num avião que está cruzando o Atlântico quando de repente começa uma forte turbulência, e o avião começa a perder altitude, quando entra a voz do piloto pelos auto-falantes: Senhores passageiros fiquem tranquilos, perdemos uma das turbinas e o avião está caindo, mas já estou abrindo o CD do meu curso online de  pilotagem e poderei resolver o problema!

Situações exageradas a parte, me pergunto, por que alguns insistem em achar que a profissão de professor é menos importante? A mesma que serve de base para toda a sociedade moderna, já que não existe um só profissional que não tenha precisado de um professor na vida.

Acho que vale a pena pensarmos um pouco em tudo isso…

Referências

ANDERSON, J. R . Cognitive Psychology and Its Implications. 3 ª edição. Carnegie-Mellon University. W. H. Freeman and Company, New York, 1990.

PINTO, A., Psicologia Geral, Porto: 2007.

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2 comentários

  1. Gostei deste artigo. Alguns amigos meus estudam através do sistema e-learning e isto traz-lhes muitas vantagens. Contudo, todos se queixam da falta que a presença do professor lhes faz. E com certeza isto funciona melhor com umas disciplinas do que com outras. Um professor é imprescendível até para os auto-didactas, atrevo-me a dizer.

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