Paradigmas Educacionais

Me parece que o cérebro humano, digo, nosso pensamento, seja anti-entrópico, pela constante necessidade de organização, classificação, enquadramento de objetos, conceitos e fenômenos, que apresenta, podemos perceber isso explícitamente pela teorias da psicologia de Categorizações, tais, nos mostram que evolutivamente fazemos isso para facilitar o pensamento e deixar as estruturas cognitivas para funções superiores. Porém, desta forma parecemos forçados a encontrar para as ciências sociais e humanas um enquadramento dentro da teoria dos paradigmas kuhnianos que as ciências naturais obedecem tão bem.
Não creio que as ciências sociais e humanas possam, dentro de uma especialidade, possuir um paradigma. Por, “dentro de uma especialidade”, me refiro as teorias específicas para tratamento de um determinado fenômeno (até por que dentro de uma abordagem mais ampla, como o Paradigma Moderno, paradigma Pós-moderno, Pós-crítico, etc, isso parece muito mais aceitável). Me parece que as variáveis são infinitas. Tomemos a educação como exemplo, e como eu citei antes “dentro de uma especialidade”, tomemos o ensino de ciências, como esta especialidade. Podemos pegar como exemplo o ensino de ciências em Portugal e no Brasil e perceber que parece impossível aplicar uma mesma teoria (paradigma kuhniano) aos dois países. Mesmo dentro de um só país, como o Brasil, com tantas e diferentes regiões, não serão também diferentes os métodos e teorias de aprendizado? Dentro de uma só cidade, temos diferentes regiões, e o que acho ainda mais grave, diferentes classes sociais, escolas privadas e públicas, como submeter todos a uma mesma teoria pedagógica? A um mesmo paradigma? Se as condições iniciais são diferentes, e neste caso são, parece impossível essa submissão. Não pensem que caio aqui em um relativismo sem saída, não quero isso também, mas o emolduramento das teorias específicas de educação é que solicitam uma melhor análise. Ensina-se com Paulo Freire como ensina-se com Piaget, ensina-se com Vigotsky como ensina-se com Carl Rogers e não parece que estes autores respeitem o mesmo “paradigma”.
Existe uma fluidez nas ciências sociais e humanas que não existe nas ciências naturais, estas por sua vez são mais comportadas, sujeitas a regras mais rígidas, mesmo que de tempos em tempos tenham suas quebras ou modificações de tais regras, quando ocorre o que Kuhn chama de Revolução Científica. O que quero dizer é que vejo um quê de dinâmico nas ciências sociais e humanas que não vejo nas naturais e aí pode residir a grande diferença entre elas, sua natureza intrínseca.
Será que estamos vivendo, nas ciências da educação um fase pré-paradigmática? Onde varias teorias aleatórias concorrem para explicar os fenômenos? Não creio.
Voltando para a situação mais prática educacional em nosso país, podemos pensar que, toda essa impossibilidade não é suficiente para que não existam tentativas de submissão nacional dos diferentes alunos, das diferentes escolas, com diferentes professores, através de planos nacionais (ou estaduais). Talvez por isso a piada de que o paradigma da educação seja: “O professor finge que ensina, o aluno finge que aprende e a escola finge que funciona.”, seja o mais próximo de um paradigma da educação que temos hoje.

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