Paradigmas – Parte I

Um bom começo para esta postagem é trazer um problema para o debate, tal seja, qual a relação entre o moderno, o pós-moderno e a ideia de paradigma tão usada hoje em dia.

Podemos usar o texto de Boaventura de Sousa Santos (BSS), Introdução à uma ciência pós-moderna, em que ele apresenta duas possíveis crises de paradigma existentes na ciência e na epistemologia, BSS propõe a princípio a divisão das crises da ciência em dois grupos distintos: Crise de Crescimento e Crise de Degenerescência, isso por que tratar de crise na ciência de forma única parece uma alternativa inviável. Segundo Piaget, a epistemologia aparece quando a ciência está em crise, contudo o autor ressalta que a epistemologia surgiu no século 17 e teve seu auge no século 19, período que coincide com auge da ciência moderna e não com sua crise. Para BSS a crise referida por Piaget é uma crise de crescimento, uma crise kuhniana, nomeadamente aquela que se dá pela quebra de paradigmas, proposta primeiramente por Thomas Kuhn e que trata especificamente da troca conceptual/teórica/experimental dentro de uma matriz disciplinar, num tema específico, como por ex., da gravitação de Newton à Relatividade de Einstein. As crises de degenerescência são crises muito mais amplas, para BSS são crises de paradigmas que atravessam toda a ciência e são mais profundas que as crises de crescimento. É importante ressaltar que Kuhn (2007) em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, trata a ideia de paradigma correlacionando-o sempre às modificações específicas que ocorrem numa dada disciplina. O Paradigma citado aqui por BSS seria um paradigma mais amplo, em toda a ciência, ligeiramente diferente do proposto por Kuhn em seu livro.

Desta forma o que BSS propõe é que a crise actual da ciência moderna é uma crise de degenerescência, que está atravessando todas as instâncias, científicas ou não, basta perceber que o termo pós-moderno vem sendo usado em ciências, artes, literatura, moda, etc.

Faremos uma série de postagens relacionadas a este tema que tem uma grande importância para qualquer pessoa que seja minimamente envolvida com ciência, ou mesmo, com o conhecimento.

Não percam os próximos capítulos!

Referências

SANTOS, Boaventura S. (1989) Introdução à uma ciência pós-moderna. Porto: Edições Afrontamento, 17-32

KUHN, T (2007) A estrutura das revoluções científicas. Série Debates. Editora Perspectiva.


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