O Debate entre o Moderno e o Pós-moderno – Final

O pensamento pós-moderno sobre o currículo

O autor acha que o tema Currículo é o eixo articulador entre a condição e o pensamento pós-moderno e os elementos do estudo de caso apresentados anteriormente, é aquilo que liga as microralações de poder e o discurso filosófico mais amplo.

Entende assim que tudo que foi dito, pensado, explicitado ou não, aquilo que foi consensual ou não pelos diferentes elementos escolares caracteriza o que a escola constrói como sendo o seu currículo.

A força da percepção da crise da modernidade tem influência sobre a vida escolar, no sentido de que, quando é posto em causa certos valores, tradições, formas de conhecimento, etc., o próprio trabalho escolar é também posto em causa assim como os conteúdos e métodos. O que deve ser ensinado? Como sabemos, nas áreas de ciências, as ciências que são ensinadas fundamentam-se basicamente do projecto moderno (muitas vezes positivistas). Quando esse tipo de conhecimento é posto em causa aquilo que é ensinado também é.

Com relação a este questionamento colocado podemos cair na dicotomia entre o universalismo e o relativismo. Existem conceitos e conteúdos que são universais e devem constar em todo currículo? Se não, como fazer para não cair num relativismo cultural e pedagógico, uma espécie de vale tudo educacional?

Considerações Finais

Obviamente todos esses assuntos renderiam muito mais que as poucas páginas deste trabalho, muitas outras questões interessantes foram levantadas ao longo do curso de Epistemologia e ao longo da dissertação, com relação à esta última percebemos que o autor se situou, como queria, no debate e não se posicionou como moderno ou pós. Elaborou críticas concretas à ciência insustentável que possuímos hoje (moderna) e também apresentou as limitações do pensamento emergente, principalmente na forma em que este não combate de forma prática os modelos (grandes narrativas) deixando pouco espaço para uma critica das estruturas concretas. Contudo reconhecendo a importância desse pensamento na crítica ao estado de coisa que nos encontramos.

O autor apesar de não assumir esta postura pós-moderna tem pleno (ou muito próximo a isso) conhecimento da crise que a modernidade enfrenta, desta forma sua noção de objectividade e neutralidade estão mais contaminados pelo discurso pós-moderno, pós-estruturalista. Isso pode ter relação pela formação do autor em ciências sociais, uma área de ciências humanas e que tem grande ligação com autores articuladores desse discurso. Poderia ser um tanto diferente se a formação fosse na área de ciências naturais, contudo acho importante ressaltar que mesmo nesta área não são todos que ainda se apegam ao discurso moderno, ao menos na área que posso falar, o ensino de física, ensino de astronomia, onde actuo, que são áreas híbridas pois possuem formação em ciências naturais e são intimamente relacionadas aos discursos das ciências humanas, principalmente, educação. Neste campo muita investigação pode ser notada com severas restrições ao discurso moderno/positivista da ciência. O importante aqui é não fazer generalizações e tentar fazer a investigação boa, aquela que leva em conta o pensamento moderno e sua crise e, principalmente, leva em conta o discurso pós-moderno (sem ser algo já consolidado) como baliza de futuro.

Referências Bibliográficas

BOURDIEU, Pierre (1991) Estruturas sociais e estruturas mentais. In Teoria & Educação, 3, 113-119.

CHALMERS, A. (1993) O que é ciência afinal? Brasília: Editora Brasiliense.

FERNANDES, Uirá (2007) O currículo na encruzilhada pós-moderna – um estudo de caso de uma escola pública paulistana. Mestrado. Universidade de São Paulo.

HARAWAY, Donna (1988) Situated Knowledge: The Science Question in Feminism as a Site of Discourse on the Privilege of Partial Perspective. Feminist Studies 14.3, 575-99.

KUHN, T (2007) A estrutura das revoluções científicas. Série Debates. Editora Perspectiva.

MATTOS, Cristiano R. (sem ano) O ABC da ciência. Universidade de São Paulo – Instituto de Física.

NUNES, Adério Sedas (1984) Questões preliminares sobre as ciências sociais. Lisboa: Editorial Presença, 35-43.

SANTOS, Boaventura S. (1989) Introdução à uma ciência pós-moderna. Porto: Edições Afrontamento, 17-32

SILVA, Tomaz Tadeu da. (1995) O projeto educacional moderno: identidade terminal?. In: VEIGA-NETO, Alfredo. (org.) Crítica pós-estruturalista e educação. Porto Alegre: Sulina, p.245-260.


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s