Janelas para o Universo

Este título traduz de maneira poética o papel do telescópio no desenvolvimento da astronomia e do nosso conhecimento sobre o universo.


Antes de sua invenção, possuíamos apenas um pequeno (porém muito importante) instrumento de observação, nossos olhos. É como se até então as janelas para o universo estivessem quase fechadas.


Obviamente, muitas coisas já tinham sido descobertas nesta época. Entre elas, sabíamos que existiam sete astros errantes, e para esses astros deram o nome de planetas. Eram eles: Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno, Júpiter, Lua e Sol (nos textos de Francis Bacon, por exemplo, podemos perceber o Sol e a Lua sendo chamados de planetas). Percebam que a própria Terra não entrava nesta categoria celestial.


Também eram conhecidos na época pré-telescópica objetos difusos, nebulosos aos quais deram o apropriado nome de Nebulosas. Duas delas têm uma pequena história curiosa.
Quando as caravelas europeias adentraram os mares do sul, além de estrelas desconhecidas, viram também duas nuvens para os lados do ponto cardeal sul. O estranho nestas nuvens, é que, dia após dia elas estavam lá, sempre na mesma região. Não eram iguais as nuvens que estavam acostumados a ver, que se desfaziam e mudavam de forma rapidamente. O conhecido navegador Fernão de Magalhães recebeu uma homenagem e hoje conhecemos as Nuvens de Magalhães. Enfim, não eram nuvens aquilo que os navegadores viam, sabemos hoje, são duas galáxias satélites da Via Láctea e é graças ao telescópio que temos hoje este conhecimento.
O telescópio teve (e ainda tem) um papel muito importante na história da humanidade, por que são mais que descobertas que ele nos dá acesso, são mudanças na forma de ver o mundo, quebras e remodelamento de paradigmas, crises e revoluções científicas, como diria Thomas Kuhn.

Os telescópios continuam nos mostrando como o universo é incrível. O telescópio espacial Hubble, lançado em 1990 fez as imagens mais importantes, para o conhecimento do universo, que o ser humano já viu. Entre 2003 e 2004 ele fez o que chamamos de “Hubble Ultra Deep Field”, uma imagem de campo profundo. Isto significa que ele ficou apontado para uma pequena região do céu e tirou uma foto que deixa qualquer um sem fôlego. A imagem abaixo representa o universo a bilhões de anos atrás (isto porque a luz demorou este tempo para chegar até nós). Cada ponto, cada pequeno objeto visto nesta foto é uma galáxia diferente, não se trata de estrelas. Cada galáxia tem em torno de bilhões de estrelas. Então o que é possível ver nesta imagem é uma pequena mostra da imensidão do universo. 

Imagem de campo profundo do Telescópio Espacial Hubble
Imagem de campo profundo do Telescópio Espacial Hubble

Quando o telescópio foi apontado para o céu, há 400 anos, foi como se as janelas para o universo tivessem sido enfim, abertas.

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