Escolas Democráticas

Como estou lecionando em uma e pesquisando outras duas achei interessante trabalhar um pouco aqui as escolas ditas democráticas. Obviamente isto será apenas um resumo, umas poucas palavras para que interessados tenham um ideia do trabalho nestes espaços. Outras informações poderão ser encontradas nos links no final do texto.

Não existe um modelo único para uma escola ser considerada democrática, isto perpassa uma série de elementos que podem caracteriza-las mais ou menos democráticas. Contudo existem traçadores comuns.

Uma escola democrática pode ser encarada pela gestão compartilhada de suas funções. Este compartilhamento deve ser feito entre professores, gestores, funcionários, pais alunos e alunas. Num plano ideal todos estes elementos participam dos processos escolares. Também a individualização das trajetórias de aprendizado dos alunos e alunas é valorizada como característica das gestões democráticas, nestas trajetórias são respeitados os tempos particulares para a maturação do aluno e da aluna em determinados conteúdos ou competência. A escola entende a importância deste tempo e incentiva este processo. Outro traçador pode ser o trabalho educativo na forma de projeto, o conjunto de agentes educativos (pais, professores, gestores, etc) elaboram juntos um projeto para a escola e a atividade escolar se baseia nele. Além disso, e para que haja a tomada de decisão comunitária, é comum haver assembleias de classe, espaços de tomada de decisão onde todos os papeis devem estar representados. Nestas assembleias são levantados pontos de interesse da escola, estes pontos são discutidos e em seguida votados. É importante perceber aqui o exercício de cidadania que eles alunos e alunas recebem.

Alunos e alunas da escola da Ponte em uma Assembléia

Estou trabalhando em uma investigação com duas escolas democráticas, Escola da Ponte, situada em Vila das Aves, Portugal e a Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, em São Paulo, Brasil. Ambas são escolas públicas de carácter democrático, tendo sido a segunda inspirada no projeto da primeira. Ambas as escolas, antes de desenvolver estes projetos que levam a esta gestão democrática, funcionavam com carácter tradicional, ou seja, os alunos eram divididos em turmas e as turmas divididas por ano, cada professor trabalhava apenas com uma turma por vez, os alunos tinham poucos espaços de liberdade, tanto para opinar sobre a escola quanto para escolher o que quer aprender. Esta forma de trabalho já não ocorre mais em nenhuma destas escolas, que fizeram/estão fazendo a transição para está nova gestão. Este processo não é rápido nem fácil, a escola Amorim Lima, por exemplo, vem fazendo a transição desde 2003 e não se pode dizer que está concluída.

A outra escola democrática que tenho contato é a Politeia, onde leciono. Lá, uma escola menor e privada, difere em termos específicos das citadas acima, mas em linhas gerais desenvolve o trabalho semelhante. Nesta escola temos a Trilha Educativa. A trilha é composta por quatro eixos: Pesquisa Coletiva; Pesquisa Individual; Grupo de Estudos e Aprimoramento (GEAs) e Saídas.

A Pesquisa Coletiva, normalmente emerge das pesquisas individuais, ou seja, dos interesses dos estudantes. Dura um semestre e constitui uma pergunta que queremos responder no final do percurso. Todas as áreas do conhecimento, naquele semestre, trabalham em torno deste tema. Por exemplo, neste semestre (1º semestre de 2012), a pesquisa coletiva envolve “Heróis e Tecnologia”, a pergunta escolhida coletivamente é: “Quem Inventa os Heróis?”, desta forma, as áreas do conhecimento trarão temas de trabalho quem nos ajude a responder esta questão. 

Nos GEAs, os estudantes podem ser agrupar de outra maneira, por interesse e não mais por idade ou turma. São propostos temas mensais (3 temas paralelos) e os estudantes se inscrevem em um GEA que é de seu interesse. Neste momento estamos tendo 3 GEAs: Construção de Instrumentos; Contos de Horror e Dr. Bactéria.

As Saídas da escola fazem parte do projeto pedagógico da Politeia, nelas são propostas visitas a espaços educacionais ou de lazer. Espaços que possam contribuir para a resposta da nossa pergunta.

Achamos importante que os estudantes conheçam a cidade onde vivem e possam se relacionar com ela. Estas saídas acontecem uma vez por semana.

Acredito que este tipo de ensino, sem modelos para serem seguidos, pode ser aplicado em diversas escolas melhorando seus trabalhos, seus resultados efetivos que são mais que a aquisição de informações diversas. É a produção do conhecimento, a busca pela autonomia dos alunos e alunas, a independência, a formação de cidadãos melhores para nossa sociedade.

Links e Referências

http://escolapoliteia.com.br

http://www.escoladaponte.com.pt

http://www.amorimlima.org.br

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2 comentários

  1. Achei muito legal sua publicação. Estou fzendo um trabalho sobre gestão democrática e especificamente falarei da Amorim lima.
    Gostei do seu ponto de vista e também acredito que a G. Dem. não é facil de ser implantada, porem ela permite ganhos para a educação do nosso país.

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