“Caso Bruno” e a “Ausência da figura paterna”

Não sou criminalista nem advogado, dessas coisas entendo tanto quanto todos que assistem tudo pela tv ou leêm em jornais ou internet. Mas de uns dias para cá, uma coisa anda me incomodando muito no desfecho da investigações do “caso Bruno”.

Não quero discutir aqui os requintes de crueldade deste crime, nem a culpa ou não do goleiro, nem nada disso. Mas os analistas ultimamente têm atribuído a culpa a má índole de Bruno e tantos outros à ausência da figura paterna! Isso não é menos que um absurdo.

É escusado dizer, já que isso me incomodou tanto, que eu cresci sem esta figura paterna em casa e hoje digo, não me fez falta alguma!

Não é possível atribuir boa índole à presença do pai em casa. Na verdade creio que muitas vezes isso é até contrário, ou seja, é justamente esta presença que pode fazer com que o filho “ganhe” caracteristicas não desejaveis para a sociedade, como o machismo, mas esta é outra história.

Muitos poderão dizer que estou pensando só em mim, como caso particular, isso não é verdade, conheço tantos outros (ao menos 5 pessoas muito próximas a mim e outros menos próximos) que cresceram sem a mesma figura paterna e nada de má índole, nada de caracteríticas violentas, nada.

Em casa fomos criados apenas por nossa mãe que teve de fazer o papel de pai e mãe e a falta da tal figura paterna não nos prejudicou em nada. Existem tantos outros motivos que levam a criminalidade que é reducionista demais encontrar a solução na falta do pai. Não vamos agora procurar a solução mais simples, muitos outros fatores podem contribuir para que certas pessoas tomem atitudes erradas e normalmente a pobreza (não se trata apenas de pobreza financeira) no geral contribui para isso, mas não tirem o mérito dessas mães, que são tantas pelo Brasil a fora, que lutam para criar seus filhos, sozinhas, tendo que trabalhar e cuidar das crianças, ser uma e ser muitas, tudo, ao mesmo tempo, agora! Não tirem o mérito delas, por que se fizerem isso estarão tirando a única glória que elas desejam ter: ver seus filhos bem  e fazendo o bem, depois de criados e soltos no mundo…

Uma dessas mães, criou dois filhos um deles sem a figura paterna, hoje é uma das pessoas mais inteligentes que conheço.

Outra mãe, criou 4, conheço bem um deles, lutou contra tudo e todos, sobreviveu no caos, contrariou as estatísticas, hoje ajuda em casa, trabalha e está na universidade.

Outra mãe, criou mais um, este rapaz tem um ótimo coração, sempre quis ajudar, hoje, ajuda…

Mais uma mãe dessas, criou dois filhos (casal), foi mil ao mesmo tempo, lutou, muitas vezes, literalmente, eles são o orgulho dela hoje.

Outra mãe, sozinha, colocou dois filhos na maior universidade do país.

Quantas outras histórias não existem. De todas essas que conheço de bem perto, me limitei a descrever aquelas que ocorreram em meio ao risco, nas periferias das cidade de São Paulo, no caos.

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4 comentários

  1. parabens para este artigo escrito por osvaldo de souza um artigo verdadeiro eu tambem acho um verdadeiro absurdo comesarem achar desculpas para má indole de um goleiro só por ser ou por te uma profissao rentavel, enquanto tantas maes criam seus filhos com muitas dificuldades e saem estudando ajudando encinando ,assim como meu filho osvaldo nao teve presença paterna e esta na mais conseituada univercidade do pais defendendo seus intereses vencendo preconceitos e ajudando a tantas outras crianças a serem homens e mulheres do futuro ,futuro bom futuro sem mascaras futuros de verdades de amor de esperanças de vida. homems e mulheres das leis deste pais pense nisso

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  2. olá Osvaldo, gostei do seu texto e principalmente da descrição em baixo da sua foto onde você diz que “inrresponsabilidade seria não escrever”..pois bem, a respeito do caso pratico realmente você tem toda razão, já que falta de não é justificativa para ser um monstro, prova disso é que eu também não tive pai presente e me julgo uma pessoa normal ( dentro do possível rsrs). Entretanto nós não podemos esquecer que para uma saudável formação pisicológica/emocional/intelectual etc., da criança é necessário as duas “matrizes” o homem e a mulher..existem alguns trabalhos a respeito disso no google, relatando como a ausência do pai mexe com a formação emocional/psicologica da gente. Seria bacana vc dar uma olhada.. o assunto é muito rico, e de grande importância, principalmente pra mim/nós.. Se quiser conversar será um prazer. sucesso no blog!

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  3. Sou Psicóloga e concordo plenamente com seu artigo sobre o “caso Bruno”. É realmente reducionista demais e, na realidade, até esteriotipa. Acho complicado esses analistas, psicólogos, psiquiatras ficarem deduzindo, muitas vezes de forma afirmativa até, as situações, sem antes um contato com o indivíduo em questão, sem um histórico de vida e tal. As pessoas de fora acabam se permeando ao que é dito e esteriotipando o indivíduo. É como se apontassem o dedo e dissessem: “esse cara fez isso porque ele tem isso”. Sabemos muito bem que nos diversos casos psicológicos, encontram-se muitas variáveis comuns a muitos tipos de psicopatologias e, muitas vezes, é difícil até definir conclusivamente um diagnóstico preciso por conta disso.
    Parabéns pelo insight momentâneo! hehehehehe

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