Emoções Sociológicas

Quando se trata de emoções sociológicas como professor meus sentimentos são bem variados. Quando penso nas emoções sociológicas como aluno a coisa fica um pouco pior.

Neste segundo ponto a ideia de aluno é exatamente pelo viés da tradução literal da palavra aluno = sem luz! Foi assim que me senti em toda minha trajetória escolar. A expressão “me senti” não deve atribuir a culpa somente a minha pessoa. Me fizeram sentir assim.

Estatisticamente minha amostra escolar foi muito boa. Estudei até me formar no ensino médio em 10 escolas, isso mesmo, 10! Todas públicas. Nas cidades de São Paulo, Mongaguá, Sumaré, Campinas, Céu Azul e por aí vai. Mesmo conhecendo tantas escolas em nenhuma delas posso dizer que tive uma boa relação com o aprendizado.

Em nenhuma delas eu estabeleci qualquer relação forte. Qualquer emoção social que valha. Lendo isso, algumas pessoas poderiam se absurdar e se perguntar se o gosto pelo conhecimento nasceu sozinho. A resposta é: Claro que não. Mas foram outras experiências, não escolares que me trouxeram até este gosto.

Quando conheci, recentemente, escolas que faziam/fazem trabalhos diferenciados nas relações sociais e educacionais eu me encantei (estas diferenças se referem tanto ao currículo oculto quanto explícito, ou seja, sociológicas e epistemológicas). E hoje sei que este encanto vem primeiramente por elas oferecerem o que as dez escolas do meu ensino básico não me ofereceram, voz. Por esta razão digo que minhas emoções sociológicas são complicadas, o estabelecimento de uma relação (não precisa ser sentimental, mas tem q ser verdadeira) pauta uma boa parte dos processos ditos escolares.

Quando chego a Universidade a coisa é tão complicada quanto. As relações aqui neste espaço são frágeis, quando existem.

Não digo que para aprender e passar (?) em uma determinada matéria eu, ou qualquer aluno ou aluna, precise de um sorriso do professor ou professora. O que preciso saber é que aquela pessoa que ali está se importa. Isso basta.

Foi pensando nisso que mudei minha prática escolar neste 7 anos de docência. Não me importei sempre. Em outros momentos, me importei demais. Deve existir um intervalo ótimo para a relação estabelecida entre educador e educandos. Eu não posso estabelecer relações com meus educandos de forma a conduzir um a um ao caminho da luz e sabedoria (seja lá o que isso for). Se este lugar existir eles e elas devem chegar lá sozinhos, devem ter sua própria história. O que acho fundamental neste processo é que eu tenho que me importar. Não posso ser displicente como muitos foram comigo. Minha pesquisa é importante, é verdade. A descoberta científica não pode esperar para sempre. Mas aquelas pessoas que estão lá, no chão da escola, precisam saber que não são meras estatísticas de um quadro burocrático maior.

As vezes, por um breve instante, penso que uma formação educacional básica difícil, cheia de turbulências propicia uma concepção melhor de educação na vida adulta. Na maioria das vezes penso o contrário. Essas pessoas que são números na estatística burocrática do sistema acabam não dando a mínima importância aos processos educacionais a posteriori. Este fato e a assunção do que escrevi antes elevam a importâncias das tais emoções sociológicas de qualidade nos processos escolares.

O divertido das emoções sociológicas, é que elas estão sempre em transformação. Seja as mais recentes, da semana passada quando eu estive lecionando numa sala de aula. Seja as mais antigas que remontam o ano de 1986, quando entrei na escola. Mesmo as experiências passadas continuam em transformação, isso por que quando olhamos para dentro, quando olhamos para elas é sob a ótica do mundo que construímos até agora. Desta forma, tudo que escrevi até aqui pode não fazer sentido nenhum em alguns poucos anos. Dependerá da construção que eu fizer neste tempo.

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