Educação de Resistência

Creio que a educação de resistência apareça das relações entre o sistema do capital e a educação tradicional. Estas relações são extremamente complexas e obviamente em um texto tão curto, não conseguirei atingir o nível de profundidade que esta relação necessita. Contudo inspirado pelo trabalho de István Mészáros, principalmente seu livro dedicado a educação: Educação para além do capital de 2005, colocarei algumas questões que devem/podem ser refletidas.

Uma referência que não poderia faltar, pensando no título é o livro de Henry Giroux (1986), Teoria Crítica e Resistência em Educação, onde encontramos, além de uma visão menos fatalista e determinista que a de Mészáros, por um lado e, não conformista por outro, no sentido de imaginar uma resistência possível na educação dentro desta sociedade, também uma tentativa de explicitar as relações dialéticas entre as estruturas dominantes e as ações de transformação. “As instituições escolares representam “armas de contestação e luta entre grupos culturais e econômicos que tem diferentes graus de poder” (GIROUX, 1986, p. 17).

Para este autor a resistência é mais que uma resposta ao currículo autoritário da escola, que muitas vezes, nem se importa mais em remeter a questões de democracia. Para Giroux (1986) ela é o sintoma de um incipiente projeto alternativo.

As escolas que já apresentei aqui neste blog buscam em seus discursos acreditar na pessoa, no ser humano como agente transformador de sua realidade. Para isso uma educação que prepara o educando para a vida em sociedade é essencial. Uma educação para o mundo do trabalho é uma educação cidadã. É neste ponto que os dois últimos autores citados se encontram. Uma educação para o mundo do trabalho que seja crítica dos modelos dominantes, que municie o cidadão de vontade (e ação) de transformação.

Existe uma relação muito íntima e importante entre o sistema do capital e o mundo do trabalho. A educação exerce um papel essencial neste processo ela é hoje uma das maquinas mais poderosas de perpetuação do sistema vigente, uma de suas funções principais é produzir tanta conformidade ou “consenso” quanto for capaz (MÉSZÁROS, 2005, p. 45). Gosto de pensar que mesmo o ensino de ciências, que a primeira vista pode parecer despretensioso e imparcial pode carregar uma profunda carga de subjetividade e dispositivos de perpetuação, uma escola que caminhe na contra-mão deste processo deve explicitar estas relações e apresentar a ciência como construção humana, em desenvolvimento, como ferramenta para o cidadão desenvolver suas capacidades na sociedade.

Uma educação libertadora, crítica do sistema, que considere o imponderável, teria como uma de suas funções transformar o trabalhador em um agente político que pensa, que age e que usa a palavra como arma para transformar o mundo. Pensando desta forma, a educação tradicional baseada na heteronomia, que não permite a participação e não dá voz ao educando, não está preparada para cumprir este papel, ela é insuficiente.

Referências

1) Introdução do trabalho para o Enpec 2011

2) GIROUX, H. Teoria Crítica e Resistênciaem Educação. Petrópolis: Vozes, 1986.

3) MÉSZÁROS, I. Educação para além do capital. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2005.

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