Novas Escolas

A base deste texto já foi publicado aqui em algum momento, mas agora foi modificado e revisado para um trabalho que vou apresentar. Segue nova versão então…

Vivemos num mundo em grande transformação, contudo percebemos que, um espaço social que pouco se renova é a Escola.

Não podemos lidar com este (novo) mundo, como lidávamos no século passado (ou outro). O mundo é dinâmico demais para mantermos as antigas maneiras de relacionamento, de controle e tratamento. Por antigas, entendemos ultrapassadas, ou seja, que não se enquadram mais aos novos padrões sociais de relacionamento. Não se enquadram mais aos desejos dos estudantes e nem às vontades dos educadores. Entre as diversas mudanças que podemos destacar neste mundo pós-moderno, temos: a quantidade de pessoas no planeta (e nos espaços sociais), a quantidade de informação disponível (por diferentes mídias), a urgência pela questão ambiental, as novas formas de relacionamento em redes, a diminuição de relações familiares e as novas relações com o imponderável. Estas características marcantes do mundo atual nos levam invariavelmente àquela que mais nos afeta e que na maior parte das escolas é dada como imutável, O sistema do capital.

Acreditamos que não devemos fugir deste tema na sala de aula, acreditamos que a escola do nosso tempo deve ter esta discussão em sua agenda. Só uma educação para além do capital (MÉSZÁROS, 2005) pode provocar a mudança estrutural que a crise estrutural que enfrentamos, precisa.

O mundo tem mudado muito, mas a educação muito pouco. A escola é, de certa forma, a mesma de sempre. A postura educacional frente ao mundo mudou muito pouco nos referenciais teóricos, e nos referenciais práticos mudou menos ainda. Ou seja, o chão da escola, o dia-a-dia escolar continua o mesmo. Buscamosem István Mészároso referencial teórico desta mudança e nos espaços de resistência em educação o referencial prático.

Muitos jovens já percebem estas discrepâncias e rejeitam a educação passiva os depósitos diários de informação da educação bancária (FREIRE, 1988) existente em muitas escolas ainda hoje. Muitas escolas, educadores, alunos e alunas já trabalham na contra mão deste quadro. Escolas que buscam pedagogias alternativas para trabalhar com os educandos não só conteúdos, mas também postura cidadã, autonomia, respeito à diversidade, direitos humanos, sustentabilidade, valores e percepções diferenciados do tradicional, saindo do plano político pedagógico onde em muitas escolas estes conceitos estão citados, e indo para a prática escolar. Algumas referências chamam de pedagogias não-diretivas (SNYDERS, 2001), outras, como usaremos neste trabalho, de experiências escolares de resistência (SINGER, 2010), em ambos os casos os expoentes mundiais são a Escola da Ponte (PACHECO, 2008) em Portugal, A.S. Neill’s Summerhill School (NEILL, 1963), na Inglaterra, Escola Democrática de Hadera (http://www.democratics.org.il/site/index.asp?depart_id=125189&lat=en), em Israel, entre outras. No Brasil, alguns espaços de resistência podem ser encontrados na Escola Politeia (http://escola.politeia.org.br) e EMEF Des. Amorim Lima (http://www.amorimlima.org.br), focos do meu interesse já que trabalho na primeira e colaboro na segunda, além da Escola Lumiar, Escola da Vila, CIEJA Campo Limpo (http://ciejacampolimpo.blogspot.com), EMEF Campos Salles em Heliópolis (http://emefcampossalles.blogspot.com/), entre outras.

Uma continuação para estas ideias podem ser encontradas em: Educação de Resistência

Referências

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

MÉSZÁROS, I. Educação para além do capital. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2005.

NEILL, A. S. Liberdade sem medo. São Paulo: Ibrasa, 1963.

PACHECO, J. Escola da Ponte: Formação e Transformação da Educação. Petrópolis, RJ: 2ª ed. Vozes, 2008.

SINGER, H. Quando a educação é invenção democrática de pesquisa-ação. In: Invenções Democráticas. Belo Horizonte: Autêntica, p. 105-114, 2010.

________. República de crianças: sobre experiências escolares de resistência. Campinas: Mercado de Letras, 2010.

SNYDERS, G. Para Onde Vão as Pedagogias Não-Diretivas?. São Paulo: Centauro, 2001.

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