Carta aberta à comunidade da USP

Na última segunda-feira, dia 09 de janeiro, um policial militar apontou uma arma para um estudante da universidade. O PM exigia que o jovem mostrasse sua carteirinha dentro do espaço de vivência do DCE. Também foi registrada uma agressão da Guarda Universitária contra outra estudante. Em nenhum dos casos, os estudantes reagiram.
Podemos dizer que os incidentes daquela semana são apenas mais um exemplo da política de segurança do Reitor João Grandino Rodas. Novamente, como no caso dos três estudantes abordados no estacionamento da FFLCH, em outubro do ano passado, a PM agiu contra os estudantes e não para zelar por sua suposta segurança. É preciso dizer: tais ações são ilegais, ferem direitos individuais básicos da nossa sociedade. Essa opinião não é apenas nossa, coincide com a apresentada recentemente pela própria ouvidoria da PM, para a qual o Convênio com a USP é insustentável.
Este último episódio foi mais grave. Uma arma foi sacada contra um estudante dentro de um espaço dos estudantes, dentro do DCE-Livre da USP! Lembramos aqui que, em 2007, quando Rodas era ainda diretor da Faculdade de Direito e ordenou que o Pelotão de Choque invadisse o prédio, muitos estudantes se refugiaram no espaço do Centro Acadêmico XI de Agosto, pois ali a PM não poderia entrar — uma tradição desde os anos da ditadura militar. Vejam que nem esse direito histórico nos é mais respeitado!
Rodas diz que não ordenou a ação. Ora, como todos sabem, isso contraria por completo o próprio Convênio USP-PM, onde ações específicas da PM dentro do campus devem ser sancionadas antes pela própria Reitoria. Independente disso, a verdade é que, se a polícia está no campus, ela vai agir cada vez mais autonomamente, com os mesmos métodos truculentos e antidemocráticos que se reproduzem aos montes nas periferias e favelas.
Assistimos assustados nas últimas semanas uma escalada repressiva-militar em nossa sociedade: a “higienização” na região da Luz no centro de São Paulo pela via da violência policial brutal, a prisão política de 16 de estudantes em Teresina-PI, as ameaças de morte a estudantes e professores em greve na UNIR, a grave tentativa de sabotagem ao SINTUSP, a ameaça permanente de desapropriação da população da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos…
O Comando de Greve dos estudantes da USP repudia tais métodos dentro e fora da universidade e se solidariza à luta nacional da juventude e dos trabalhadores!
Na USP, mais uma vez a autonomia universitária foi quebrada e outra grave advertência à comunidade uspiana está sendo dada! Se permitirmos tais ações antidemocráticas, em pouco tempo serão reproduzidas em diversas universidades brasileiras. Não podemos mais aceitar que Rodas e a PM imponham um cerco de repressão à mais importante universidade da América Latina sob pena de uma grande tragédia acontecer!
Diante dos fatos, reafirmamos com todas as letras, em alto e bom som: as aulas não começarão em fevereiro de 2012! Levantaremos a greve contra Rodas, o Convênio, as 6 expulsões e os 72 estudantes indiciados. Chamamos funcionários e professores a se integrarem nessa jornada de luta contra a repressão e pelas liberdades democráticas na USP!
Comando de Greve dos Estudantes da USP
16/01/12
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