A Vida Fácil do Negro no Brasil (ou Cotas)

As Cotas para universidades beneficiam quem? Quem é contra?

Estudantes que são contar as cotas.

O vestibular exige e supõe que as condições dos candidatos sejam iguais (ou parecidas), mas é isso que acontece com estudantes das escolas públicas e particulares?

Tive duas conversas boas e curtas essa semana sobre Cotas. Isto por que foi aprovado recentemente a lei que regulamenta que metade das vagas das Universidades Federais devem ser de cotas sócio raciais. Isso significa que beneficiarão estudantes de escolas públicas, negros e indígenas.

Para começar esta conversa vou resgatar uma música dos Racionais MCs que estava ouvindo ontem e que vem a calhar, A Vida é um Desafio:

“tem que acreditar.
Desde cedo a mãe da gente fala assim:
‘filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.’
Aí passado alguns anos eu pensei:
Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses… por tudo que aconteceu? duas vezes melhor como ?
Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez.
E sempre foi assim.
Você vai escolher o que tiver mais perto de você,
O que tiver dentro da sua realidade.
Você vai ser duas vezes melhor como?
Quem inventou isso aí?
Quem foi o pilantra que inventou isso aí ?
Acorda pra vida rapaz”
 

A música é muito boa e muito maior que isso, esta é só a introdução, mas ilustra um pouco do que quero falar. Como ser melhor se estamos tão atrasados?

O grande problema das pessoas com as cotas é confundir potencial individual com potencial coletivo. Costumam dizer: Mas um negro tem a mesma capacidade intelectual de um branco. Pura verdade! A questão é que as oportunidades que os negros têm/tiveram, considerando a história, é/foi muito desigual.

As cotas são como uma espécie de pagamento pela história, pelos 400 anos de escravidão. Temos que analisar a história ao pensar em cotas, temos que analisar o grupo todo, não os indivíduos. Olhem para as periferias, a maioria esmagadora é de negros, isto é apenas o reflexo que temos hoje de uma história marcada pela escravidão e exclusão social. Os negros foram relegados para as periferias do país e a atenção do poder público para estas periferias são mínimas, ou seja, não nos foram dadas as condições de igualdade de origem e no entanto, nos cobram a mesma condição de termino, no vestibular por exemplo.

Alguns dizem, e a libertação dos escravos? Santa princesa Isabel!!! Santa nada. A libertação dos escravos que pode ser entendida com “o ato de jogar os negros nas ruas sem condições nenhuma de subsistência”, foi entre outras coisas uma abertura de mercado. Eles precisavam de mais consumidores e “libertar” os escravos foi a maneira que os burgueses conseguiram para ter mais consumidores na sociedade!

De lá para cá a exclusão continuou, as oportunidades sempre foram falsas e as cotas (QUE NÃO SÃO UM FIM EM SI) vêm para começar fazer o pagamento da história.

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1 comentário

  1. Também tive uma conversa boa essa semana sobre cotas, com um amigo meu que me falou que tinha sido cotista na UFPR (no entanto não por ser negro, mas por ser de escola pública).
    Eu fiz uma espécie de entrevista com ele, foi muito bom. Ele me disse que por experiência própria, notou que nos primeiros anos os cotistas se esforçam para se equipararem aos não-cotistas, correm atrás do prejuízo. Mas que depois eles até mesmo superam os outros em desempenho. Ele até me falou que já foram feitos estudos comparativos de desempenho, obtendo esses resultados (não vi esses estudos ainda, mas não duvido nada dos resultados, principalmente quando penso na maioria dos alunos de escola particular para quem eu já dei aula de reforço…)
    Logo, aquele famoso argumento de que “os cotistas diminuem a qualidade do ensino superior” é balela. (Pensando bem, inclusive os alunos oriundos de escolas particulares têm esse “poder” kkk).
    Gostei do seu texto também!
    Confesso que eu ainda não tinha escolhido uma posição sobre esse tema, mas hoje tenho a convicção de que o sistema de cotas é uma das melhores coisas que aconteceram recentemente… Só espero que mais coisas aconteçam para melhorarmos a educação pública!

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