O Sulear como Resistência ao Capitalismo

joaquin

Não adianta, não haverá dignidade nem respeito!

Não enquanto este sistema capitalista vigorar. Por que é inerente a sua lógica a exclusão social de pessoas.

Assim como o SUL foi/é explorado pelo NORTE a mais de 500 anos (e isso é até hoje o motor do sistema do capital), as periferias são exploradas pela burguesia. Mão de obra barata, mais valia, exploração de pessoas e terra, as duas fontes de onde provêm toda a riqueza (MARX, 1998).

Nós precisamos nos Sulear!

“El Sur” de JoaquínTorres Garcia

Sulear significa ter um olhar crítico da história e perceber que a posição que ocupam hoje todos os países do hemisfério Sul não é uma mera contingência e sim obra de toda a exploração que sofremos nos últimos 500 anos. Nas Américas (principalmente Central e do Sul) tivemos a exploração de riquezas, de terras, de pessoas, de culturas, de tradições, etc. (SEMERARO, 2009). Um exemplo claro disso é que os europeus quando aqui chegaram em busca de comércio, encontraram um sem numero de  grupos, culturas e tradições dando a todas elas o nome de “índios”. Na África a exploração de pessoas é o gritante. Famílias inteiras destruídas, vilas, povos inteiros dilacerados por aqueles que acreditavam que a quantidade de melanina no corpo poderia dar alguma superioridade/inferioridade. Arrancados de suas terras e de sua terra natal, presos, exportados para um lugar estranho para trabalhar  e servir, para ser escravo!

O que acontece hoje com as periferias não é muito diferente. É clara a exploração da burguesia sobre pessoas e terras.

Sobre pessoas na forma de mão de obra barata, uma enchente de trabalhadores que busca seu sustento e encontra no salário de fome, de onde o proprietário do meio de produção tira a mais valia, sua forma de manter a família.

Graças a esta exploração de pessoas existem os excluídos do sistema, aqueles que Freire chamou de os esfarrapados do mundo, que aprendem desde cedo que é diferente daquele que nasceu (como diria Racionais MCs) da ponte pra lá! Mesmo sem atravessar a ponte (que não é uma ponte física, é ideológica) eles, os esfarrapados do mundo, sabem que são diferente, têm a televisão para mostrar bem isso.

“(…) Olha meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque
Eufóricos brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
Gritando palavrão é o jeito deles
Eles não tem video-game às vezes nem televisão
Mas todos eles têm um dom São Cosme São Damião
A única proteção. “
 
Fim de Semana no Parque – Racionais  MCs

A exploração de terra e muito fácil de demonstrar também, bastar abrir qualquer jornal das últimas semanas, ou uma rápida procura pela internet. Estará lá estampada a exploração de terra que a burguesia. Incêndios diários na favelas de São Paulo. A feliz “coincidência” dos pontos de incêndio com locais de valorização imobiliária.

Veja o mapa – FOGO NO BARRACO.

Agora me respondam: Adianta pedir paz nas periferias dentro do sistema do capital?

Minha resposta é NÃO!

É preciso criar um movimento de resistência, que não siga as lógicas burguesas de reivindicação (abaixo assinado, protestos em parques, reclamações em redes sociais, educação burguesa, bancária e reprodutivista, etc.). Só os oprimidos poderão se libertar da opressão que sofrem, os opressores nunca cumprirão este papel (Freire, 1998).

Acredito que o Sulear é um começo. É uma resistência contra este atual modelo de sociedade, principalmente para os países do Sul, que precisam tomar para si o governo de seu próprio futuro!

Referências:

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

MARX, K. O Capital. vol. 1, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1998. p 360 – 361.

SEMERARO, G. Libertação e Hegemonia: realizar a américa latina pelos movimentos populares. Ideias & Letras, São Paulo, 2009.

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