[Em tempos de golpe] Se o voto mudasse alguma coisa já estaria proibido!

Não defendo o voto nulo por princípio, já votei em outras eleições e posso votar em eleições futuras, mas neste momento creio que só a anulação do meu voto representa meu sentimento diante deste sistema, destes candidatos, deste golpe!

O problema não é a ideia de votar em si, o problema está na falência do sistema eleitoral, o problema está  na via parlamentar como via da democracia burguesa, aquela que afasta os oprimidos das lutas reais que eles precisam travar para melhorar sua condição de vida. Aquela que coloca a crença das pessoas que um sujeito/individuo pode mudar o sistema ou trazer melhorias para a maioria de dentro da máquina corrompida.

Acreditar que a diferença está no nome Haddad, Erundina (só pra falar do que se acredita ser a esquerda parlamentar) e não olhar para que partidos eles representam, e mais, não olhar para o fato de que estes partidos estão (em diferentes medidas) comprometidos com a conciliação de classes. Ou seja, assistencialismo de um lado e não mexer nos lucros e na propriedade privada de outro.

O fator determinante neste momento, em minha opinião, está no fato dos petistas, apoiadores e pessoal do voto útil, ter sofrido um golpe parlamentar. Terem seus votos jogados na lata de lixo pela burguesia que não viu mais vantagem manter o PT no poder. O mais absurdo me parece ser, essas pessoas depositando seus votos e confianças novamente nas urnas, 2 MESES DEPOIS!!!

(Se você classe média letrada está lendo isso e pensando que é possível votar na sua esquerda e mesmo assim ir para as ruas, amplie seu horizonte e pense nos trabalhadores proletários, alienados pelo sistema, massacrados pelo capitalismo, que tem suas ilusões renovadas ano após ano, no sistema eleitoral e mesmo assim, ano após ano continua com sua condição de vida precária)

Voto Nulo

Acho importante colocar aqui por que acho que o voto nulo é importante e em seguida a diferença entre o voto nulo e o voto em branco.

Sabemos que pela lei (4737/65) o voto nulo não anule as eleições, já que pela lei, se apenas uma pessoa votasse num certo candidato e todas as outras anulassem esse candidato seria eleito.

Temos aqui um claro conflito entre a teoria e a prática, se metade da população votasse nulo como manifestação de sua insatisfação com o sistema eleitoral e com os candidatos, essa mesma metade não aceitaria a validade legal desta eleição, não seria nada democrática!

Por isso defendo o voto nulo, mesmo sabendo que oficialmente não anula as eleições. Mas mostra na prática toda a insatisfação que vemos e ouvimos nas ruas e nas redes sociais a respeito destes candidatos e deste sistema que NÃO NOS REPRESENTA!

Voto Nulo x Voto em Branco

No ponto de vista objetivo, ambos têm o mesmo efeito, pois não possuem interferência no resultado das eleições. O que os difere é a simbologia. O voto branco significa “tanto faz”: o eleitor apático pensa que qualquer um dos candidatos pode ganhar e nada mudará; ele delega a responsabilidade e o poder de escolha para a maioria. Já o voto nulo é uma manifestação do desagrado do eleitor, que não se identifica com nenhum dos candidatos, pois não são aptos ou dignos de receber seu voto. Para André Singer, professor da FFLCH e especialista em comportamento político e pesquisas eleitorais, ambos são bem distintos. “Para resumir, em princípio seriam votos com sentido oposto. Um de recusa total do processo eleitoral [voto nulo] e outro de aceitação total desse processo, incluindo seu resultado [voto em branco]”.

Essa diferença de significado é uma herança de antes de 1997, quando os votos brancos eram considerados válidos em eleições proporcionais (para Deputado Federal/Estadual e Vereador). Após a Lei 9.504/97 do Código Eleitoral, o voto branco deixou de ser computado em todas as eleições.

Mesmo assim, o Brasil ainda possui uma alta taxa de votos nulos e brancos, em comparação com outros países. Tanto para Schmitt quanto para Singer, grande parte disso se deve à obrigatoriedade da eleição. Em países onde o voto é facultativo, o número de votos nulos e brancos é baixíssimo. Por outro lado, sua taxa de abstenção é muito maior. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela fica por volta dos 50%. Em uma pesquisa do Datafolha de maio desse ano, 44% dos entrevistados disseram que não votariam se a eleição não fosse obrigatória. “No sistema de voto facultativo a abstenção é alta, por que quem não está afim não precisa ir votar. Por outro lado, os votos brancos e nulos são baixos. Não faz sentido a pessoa acordar, ir para o local de votação, pegar fila, se aborrecer, chegar e votar nulo ou em branco. Melhor ficar em casa”, explica Rogério Schmitt.

Referência:  – Jornal do Campus – USP

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