O que é democracia?

Claro que eu não sei a resposta! Isso por que não existe apenas uma resposta, mas como diz a frase deste blog: irresponsabilidade seria não escrever!

O problema que sinto muitas vezes quando converso com alguém sobre o tema é que a palavra Democracia está gasta.

Os apelos que percebemos nos discursos, principalmente políticos, remetem para uma banalização do termo Democracia, tornando esse termo extremamente vago e sem valor para a maioria das pessoas.

Este fato por si só faz com que boa parte da propaganda política perca todo o sentido. Isso por que percebemos que os mais diferentes partidos, as mais diferentes correntes e coligações, as mais extremadas ou centralizadas posições, apelam sempre à democracia, como um termo que sozinho pudesse resolvesse todos os nossos problemas. Não obstante, vemos muitas instituições sociais se denominarem democráticas. A democracia que temos na sociedade brasileira, por exemplo, é o que a esquerda real chama de democracia burguesa, que concede uma participação política mínima aos cidadão, mas que isola estes atores das decisões mais importantes no palco político.

Podemos lembrar de um exemplo interessante do livro do Michael W. Apple e James A. Beane, quando dizem que,

Woodrow Wilson neutralizou a oposição dos EUA ao envolvimento na Primeira Guerra Mundial, ao afirmar virtual e incontestavelmente, que os soldados norte-americanos lutavam “para transformar o mundo num lugar seguro para a democracia”, apelando para a palavra democracia, conseguiu o que queria tal como aconteceu muitas vezes, desde então, com diversas manobras políticas e militares (BEANE; APPLE, 2000).

A democracia, desde a Grécia antiga, assumiu muitas formas e não faremos aqui um histórico do conceito. Contudo vale a pena pensar na pretensão de verdade que o discurso democrático assume em nossa sociedade. Não se trata de julgar neste momento se a democracia é uma verdade ou se é naturalmente um benefício para o cenário político, mas podemos nos questionar como, historicamente, a democracia conquistou esta noção de verdade, quase como o valor de um discurso científico como é adotado por nossa sociedade desde a idade média. Isto para pensar que, talvez, não devêssemos aceitar simplesmente a verdade da democracia dos nossos dias, mas perceber que qualquer discurso carrega consigo uma carga temporal de valorização, de pretensão de verdade histórica, que quando se desenvolve traz consigo o desejo de reduzir ou liquidar outros discursos concorrentes (FOUCAULT, 2011).

 
Referências:
 
BEANE, J.A.; APPLE, M.W. Escolas Democráticas. Porto: Porto Editora, 2000.
 
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
 
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