A juventude revoltada e a classe média #chatiada

Há tempos atrás, publiquei algo sobre o uso do celular na sala de aula, e que minha opinião sobre isso é que se trata de uma forma de protesto dos estudantes contra esta educação massificadora e reprodutora que lhes é imposta. São obrigados a aprender coisas que nunca vão usar, são ceifados em suas vontades e desejos, não são perguntados nunca o que querem fazer.

Pensei em traçar um paralelo com as manifestações que estão ocorrendo no Brasil (e fora também) pela defesa mínima dos direitos que foram conquistados e que devido a onda de repressão atual estão sendo tirados um a um.

A mídia se apressa em dizer que são vândalos que lideram estes movimentos e que a destruição é o foco dos protestos. Antes de defender estas ações, que é o que farei logo em seguida, digo que preferiria que fossem fruto de decisões coletivas, ou seja, se o conjunto das massas decidissem coletivamente por quebrar/queimar algo, eu estaria na frente. Mesmo assim, mesmo que não seja fruto direto de decisões coletivas, não posso de maneira nenhuma deixar que a mídia burguesa coloque o foco das manifestações no termo “vandalismo”. O que estes jovens (grande maioria de jovens) lutam é por justiça dentro de um mundo/sistema injusto. Usam assim as ferramentas que têm. Usam o motor principal que é a revolta.

Quem se incomoda com esta revolta? Alguns que estão no conforto dos seus carros, querendo o trânsito livre e mal percebendo que é parte do trânsito também. Alguns que estão na rua e nos pontos de ônibus, reclamando dos ônibus, reclamando do preço dos ônibus, mas que devido ao processo de alienação que sofrem diariamente não se vêem como parte integrante dessa massa de revoltados. Outros não querem a revolta por que esta revolta deixa #chatiada a classe média e burguesa e fará com que percam votos nas próximas eleições. Outros ainda que acham errados os métodos dos revoltados, mas não fazem a mais vaga ideia de outros métodos de luta onde suas reivindicações sejam ouvidas, talvez xingar muito no twitter ou postar muito no facebook.

E você que está lendo este texto agora, faz parte de qual destes grupos?

Eu prefiro ir à luta com esta juventude, que não foge da raia a troco de nada. Só assim construiremos o amanhã desejado.

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