O que vi e o que Senti hoje

O que vi e o que senti hoje no ato contra o aumento das passagens em SP.

Vi 3 educadores saírem da escola para ir ao ato.

Senti orgulho de estar numa escola com este tipo de gente.

Vi, ao descer do ônibus no Largo do Arouche, caminhões que transportam cavalos.

Senti que aquela não seria uma manifestação como as outras.

Vi, ao chegar no ato, uma multidão.

Senti que o povo está acordando. Que as coisas estão mudando.

Vi o ato chegar na rua da Consolação, na altura da rua Maria Antonia e a polícia bloquear a passagem dos manifestantes.

Senti que teríamos problemas logo no começo. Senti que nosso direito (constitucional inclusive) de manifestar estava sendo cerceado.

Vi os policiais atirarem primeiro para dispersar a multidão. Vi jogarem bombas e gás lacrimogêneo no meio da multidão forçando a separação.

Senti o cheiro do gás, meu olhos quiseram fechar, o rosto ardeu. O vinagre que levei me ajudou e ajudou muitas pessoas que precisaram.

Vi a massa correr para a praça Rousevelt.

Senti que ficaríamos mais tranquilos pq estaríamos fora da rua.

Vi novas bombas e mais gás fazendo os protestantes se dispersarem mais. Estávamos sendo atacados sem motivo algum!

Senti medo.

Vi que me perdi de um companheiro do grupo, descobri que ele estava cercado embaixo do minhocão.

Senti que devíamos revidar, lutar. Mas o gás não deixa.

Vi o que restou da multidão subir a Augusta e ser bloqueado lá em cima, chegando na Av. Paulista.

Senti que estávamos sendo conduzidos pelos PMs.

Vi o grupo desviando e chegando na consolação. Mais bombas e mais tiros. Vi também os cavalos em cima dos cavalos. A cavalaria é uma das coisas mais agressivas que a polícia tem.

Senti outra vez o gás e senti a falta de mais uma companheira que perdemos no meio da violência policial.

Vi o grupo caminhar para a Av. Angélica, tentamos outra vez chegar na Av. paulista. Novamente bloqueados.

Senti que estavam mesmo era protegendo o centro financeiro. O capital fala alto nesta nossa sociedade.

Vi o grupo ser conduzido para a Doutor Arnaldo, com o mesmo som de sempre.

Senti que devíamos ficar no meio dos carros pq ali não atirariam. Estava errado. Eles nos caçaram. Mesmo entre os carros. Atiraram com outra arma. Uma de curto alcance, para não pegar num carro ou coisa assim.

Vi o grupo se dividir em dois. Uma parte correu para a Av. Sumaré outra parte desceu para o Pacaembu, eu estava neste grupo.

Senti que me perdi do último do grupo que estava comigo.

Vi umas 100 pessoas correndo ladeira abaixo com a polícia correndo (!!!) atrás. Vi as bombas de gás rolarem e a gravidade ajudou a polícia neste momento.

Senti uma explosão no meu pé. Uma luz tão forte que eu quase caí. Continuei.

Vi este grupo vagar pelas ruas, sendo perseguido por este grupo de policiais. Não dispersamos, ficamos juntos. E fomos um dos últimos grupos grandes a resistir.

Senti que estávamos sozinhos, perdidos nas ruas de mansões e pessoas que não estavam nem um pouco preocupada com o que estava acontecendo.

Vi nosso grupo chegar na estação Santa Cecília do Metro, paramos na porta para decidir o que fazer. Vi neste momento dois carros da polícia pararem atrás de nós e descerem dos carros atirando.

Senti que devia correr.

Vi os guardas do Metro fecharem as portas e ficarmos encurralados!

Senti que seria preso ali.

Enfim,

vi hoje uma manifestação histórica. E vi também uma repressão histórica.

Senti tristeza, revolta e cansaço. Espero que amanhã eu sinta que a luta continua!

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