O que de fato contém o “termo” de “negociação” da reitoria da USP

 Vejamos o que o reitor ofereceu:

1) Sobre as diretas: não suspendeu a eleição atual, que será decidida pelos mesmos 2 mil membros de conselhos centrais e congregações e terá uma lista tríplice a ser submetida ao governador; “deverá ser pautada, no processo de “Estatuinte”, […] a proposta de eleições diretas para reitor”. Ou seja, as diretas não virão agora, ficam na dependência da estatuinte. E a estatuinte fica na dependência da decisão do C.O., que não aprova as diretas. Ou seja, não vai haver diretas, nem agora, nem depois.

2) Estatuinte: a estatuinte será “livre, autônoma e democrática”. Ou seja, os estudantes, professores e estudantes podem fazer seu congresso e apresentar a proposta de estatuto. Mas não será soberana, ou seja, suas decisões estarão submetidas ao C.O. A estatuinte servirá como legitimação das mudanças estatutárias que a burocracia quiser fazer e não vai mudar nada de interesse dos que estudam e trabalham.

3) Permanência: os blocos K e L serão devolvidos “conforme anunciado pelo Senhor reitor em 2010”, assim que possível. Rodas vem prometendo essa devolução desde sua campanha eleitoral. Ou seja, se depender disso, nunca acontecerá! Os espaços do DCE e APG não são discriminados pelo termo, podem significar apenas suas salas de diretoria. O aumento de vagas nas creches será discutido pela já estabelecida comissão da assistência social, agora com participação estudantil. Ou seja, só enrolação. Quanto ao bandejão, há a extensão da refeição para a janta nos finais de semana e a criação de pontos de recarga na química e na física, com a contratação de funcionários para isso. Esse é o único ponto concreto de todo o termo.

4) Transporte: mantém-se a privatização dos circulares, ampliará a discussão sobre isso, e pedirá à SPTrans a volta das linhas extintas. Nada de concreto.

5) Bolsas de estudo: terá reajuste de acordo com o acordado pelo CRUESP sobre os reajustes salariais. Nenhum dado foi apresentado sobre o que isso significaria na prática. Mas o último reajuste de bolsa foi de 14,5% (e os dois últimos reajustes salariais foram de 8,4% e 6,14%). Ou seja, mais enrolação.

6) PM na USP: debate sobre plano de segurança e violência contra a mulher. Nada de concreto.

7) Semestre letivo: como sempre, não se cancelará o semestre, e a reposição de aulas será decidida pelas burocracias nas unidades.

8) Repressão: mantêm-se os processos, eliminações e demissão. Uma comissão acompanhará o tema. Quanto ao movimento atual, haverá “procedimentos administrativos” (leia-se processos), “com direito à ampla defesa e contraditório”. Existe ainda a possibilidade de atribuição de responsabilidades ao DCE enquanto organização.

Como se pode ver, o termo não estabelece concessões reais da reitoria ao movimento. O que promete (estatuinte, suposta devolução do K e L), já vinha sendo discutido dentro da administração, e não serve para atender nenhuma das demandas do movimento. A direção do DCE caracteriza esse termo como uma vitória, que só precisa de um adendo: que se garanta não haver processos contra o movimento atual. Rejeitemos de fato essa proposta: ampliando a mobilização e aumentando a pressão sobre a reitoria!

É preciso retomar as manifestações de rua, unificando com os demais movimentos sociais reprimidos pelo governo, para pressionar o chefe do Rodas e fazer frente à ofensiva repressiva de conjunto!

CORRENTE PROLETÁRIA ESTUDANTIL

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