Uma armadilha para por fim à luta por democracia na USP

Na última quinta-feira, houve mais uma reunião de “negociação” com os representantes da reitoria. Apresentou-se um termo de acordo, que foi rejeitado na assembleia geral de estudantes. Temos denunciado que a “negociação” do Rodas é uma farsa. O resultado das negociações entre a comissão de negociação (controlada pela direção do DCE – PSol/PSTU) e a reitoria mostra que se preparou uma armadilha para o movimento estudantil, que luta pela democracia universitária:

1) A separação das reivindicações entre eixos e bandeiras visava à conciliação com a reitoria e a renúncia às bandeiras de Governo Tripartite e Dissolução do C.O. Quando a direção do DCE propôs que se dividissem as reivindicações em eixos e bandeiras, seu objetivo foi o de levar à negociação com a reitoria apenas os pontos que julgava serem passíveis de se chegar a um acordo. Por isso, o governo tripartite e a dissolução do C.O. teriam de ficar de fora, pois não há como conciliar com a reitoria sobre essas bandeiras. Elas só podem ser conquistadas por meio de uma luta capaz de impor uma profunda derrota política à reitoria/governo, nunca por meio da negociação. Não é possível negociar o governo tripartite, ele implica a derrota total da burocracia e o fim de seu governo. Conclusão: a “negociação” dos eixos e exclusão das demais reivindicações foi um meio para se chegar a um acordo com a reitoria, que levasse ao fim da luta pela real democracia universitária em troca de migalhas.

 

2) A renúncia a condicionar a negociação ao fim da repressão visava um acordo ao redor de migalhas. Temos defendido em todas as assembleias que não se pode negociar de verdade sob o ataque da repressão e perseguição políticas. A direção do DCE, que controla a comissão de negociação, tem negociado em busca do que chamam de “conquistas”, que não passam de reafirmações de promessas da reitoria, nada de concreto. Isso que chamam de “conquistas” chegou a ser oferecido pela reitoria, mas junto delas veio a reafirmação de que haverá processos “com direito à ampla defesa”. Esse ponto emperrou o “acordão” planejado. A direção do DCE estava disposta a aceitar a continuidade dos processos políticos anteriores e a permanência da PM na USP, mas novos processos contra a própria direção do DCE tornariam mais difícil a conciliação. Conclusão: a renúncia em colocar como condição o fim da repressão em função de buscar o acordo acabou dificultando o próprio acordo.

 

3) A “negociação” dos eixos depende do controle e limitação do movimento. Mas essa limitação abre o caminho para os ataques da direita. A direção do DCE percebeu, pelas votações das duas primeiras assembleias e pelo que aconteceu na manifestação de 15/10, que um movimento massivo e de rua ultrapassaria sua política de “democratização” da universidade, colocando a luta direta pela derrubada da burocracia universitária, e também ultrapassaria seus métodos de luta, radicalizando o conflito e dificultando a “negociação” com a reitoria. Desde então, passou a defender manifestações menores e mais internas à universidade, de tal forma que as mantivesse sob controle. Essa linha dificulta que se expressem as tendências de luta mais radicais, presentes no movimento, e que exigiam nas primeiras assembleias “sem reitor”, por meio do governo tripartite, e se mostraram dispostas a ir às ruas e unificar com as demais lutas que acontecem. Por outro lado, a limitação das ações do movimento favorece o ascenso da direita, que se manifesta na organização, por professores, de uma camada de estudantes fura-greves que vão furiosos às assembleias para votar o fim do movimento. Conclusão: a busca pela “negociação” de migalhas obriga a direção a limitar o movimento e isso estrangula a possibilidade de aumentar a pressão sobre a reitoria.

 

A direção do DCE começou a preparar o fim do movimento ainda no seu início, quando descartou a maioria das reivindicações e principalmente aquelas que não seriam negociáveis com a reitoria. A escolha de eixos para negociar serviu à renúncia por lutar pela bandeira de real democracia e autonomia universitárias, expressa na defesa do governo tripartite de mandato revogável e subordinado à assembleia geral universitária. A “negociação” de eixos não passou de armadilha para levar o movimento a um acordo miserável com a reitoria!

 

CORRENTE PROLETÁRIA ESTUDANTIL

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