Tropa de Choque invade USP mais uma vez

É preciso protestar nas ruas! Exigir a libertação dos presos! Abaixo a repressão ao movimento! Pelo direito de se mobilizar pelas reivindicações!

Na madrugada de hoje, centenas de policiais da Tropa de Choque invadiram a USP para cumprir a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupada pelos estudantes desde 1/10, em protesto contra o autoritarismo da reitoria e da burocracia universitária e para reivindicar democracia na universidade.

Ao contrário de 2011, quando os estudantes que ocupavam o mesmo prédio foram pegos de surpresa pela repressão na véspera de uma negociação marcada com a reitoria e governo, desta vez o movimento já aguardava a ação da tropa treinada para o assassinato. Alertados por sua chegada, deixaram o local antes da ação repressiva. Dois estudantes, no entanto, foram presos por estarem passando perto da reitoria, em direção ao CRUSP, no momento da chegada da tropa de choque. Estão sendo acusados de formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e furto qualificado, sendo que há alegação de flagrante. Além disso, há ameaça de colocar como suspeitos dos mesmos crimes aqueles estudantes que venham a fazer depoimento como testemunha, e uma promessa de novas acusações contra o DCE.

A violência policial não se despejou sobre os estudantes da maneira que fez em 2011. Há uma série de motivos para isso, dentre os quais a mudança na situação política causada pelas manifestações de junho se destaca.

A construção da desocupação

A reitoria já havia derrotado a ocupação e a greve politicamente. Valeu-se para isso da política da direção do DCE (PSol/PSTU), que retrocedeu a mobilização das ruas para dentro da universidade, estimulou o corporativismo dos cursos quando negociou pautas específicas nas unidades, retirou cursos importantes da greve e, principalmente, embelezou a farsa da negociação da reitoria, enaltecendo as promessas e comissões palpiteiras apresentadas pelo reitor para enrolar os estudantes, dando a falsa impressão de que a casta autoritária que governa a universidade estava fazendo concessões e recuando, e assim alimentou o recuo da mobilização. Depois de rechaçar as reivindicações que expressam de fato a democracia universitária – o governo tripartite subordinado à assembleia geral universitária e a dissolução do conselho universitário – em nome de negociar pontos “alcançáveis”, acabou renegando suas próprias bandeiras de “democratização” da estrutura autoritária em nome de um termo imposto pela burocracia universitária. Fez uma forte campanha dentro e fora da USP pelo fim da greve e aceitação do termo da reitoria, embutida aí a desocupação da reitoria. Ao procurar atenuar o choque, abriu caminho para que a reitoria recuperasse a iniciativa, recorresse ao Tribunal de Justiça, atropelasse as instâncias judiciárias e impusesse a reintegração de posse.

Uma parcela dos estudantes resiste

A assembleia de 06/11 foi uma das maiores desse movimento. Mais de 1300 estudantes votaram em grande maioria pela rejeição do termo da reitoria, manutenção da greve e da ocupação. A direção do DCE manobrou para votar a desocupação novamente no dia seguinte, numa assembleia com cerca de um terço dos presentes no dia anterior, mas foi derrotada de novo. Mais de setecentos estudantes se manifestaram em favor da ocupação. Novamente, como aconteceu com a aprovação da bandeira do governo tripartite, um setor importante se posicionou em oposição à linha de conciliação da direção do DCE e defendeu o caminho da luta contra a casta autoritária que governa a universidade. Mas o estrago no movimento já estava feito. Já não existe a unidade na mobilização. A divisão foi implantada inclusive nos cursos mais mobilizados. A confusão ao redor das proclamadas “conquistas” do termo da reitoria ludibriou uma parte dos estudantes. O setor mais propenso à conciliação se uniu aos antigreve, manejado por professores e seus mesquinhos interesses, e conseguiu ganhar força e expressão nas assembleias dos cursos que resistiram à política de desintegração da greve pela direção do DCE. O comando de greve, controlado pela direção do DCE a partir das delegações de cursos que não estão em greve, está amarrado pela dupla PSol/PSTU.

Se uma parcela resiste, como os vários cursos da ECA e o curso de Design (da FAU) que voltou a decretar greve, é porque acredita que é possível retomar as mobilizações de rua, de forma a pressionar o governo e a reitoria. É porque não aceita deitar as bandeiras que foram levantadas e aceitar as imposições da reitoria. É porque quer defender o movimento contra os processos e perseguições políticas. É porque busca a unidade com os demais movimentos sociais reprimidos pelos governos, pelo Estado policial.

As lições de outras lutas

A greve estudantil da FFLCH de 2002 durou 106 dias, atravessou as férias de julho, esteve em atos de rua todas as semanas que durou, e impôs ao governo a contratação de 91 professores, quando a reitoria oferecia seis. Mostrou que a luta de uma única unidade pode exercer pressão sobre a reitoria e até ao governo, se projetar a luta para fora da universidade e ganhar apoio da população assalariada, ao expressar a defesa do ensino público e gratuito.

A ocupação da reitoria e greve de 2007 obrigaram o governador José Serra a recuar em seus decretos intervencionistas sobre a universidade. Tornou-se uma referência nacional, que se materializou numa onda de ocupações contra a política do Reuni nas universidades federais. Seu desfecho, porém, deixando de lado as bandeiras de conflito com o governo em troca de promessas, acabou levando a um profundo refluxo em 2008, que culminou na impotência diante da demissão política do diretor sindical Brandão.

A ocupação da reitoria e greve de 2011 provaram que havia uma grande insatisfação com o convênio que colocou a PM para dentro da universidade, manifestada na explosão de um movimento de milhares nas ruas. Seu encerramento precoce, orquestrado pela mesma direção do DCE que temos hoje, abriu caminho para o crescimento da ofensiva repressiva da reitoria, para o fortalecimento do autoritarismo.

Lições: a luta pelas reivindicações não pode ser corporativista, deve ser levada às ruas em unidade com os demais movimentos e em busca do apoio da população assalariada; o movimento não deve deixar de lado suas bandeiras em troca de promessas; a aceitação das imposições da reitoria leva a um refluxo e a mais derrotas.

Ao contrário, manter as bandeiras e os métodos de luta fortalece o movimento para os embates futuros. Esse é o caminho!

Todos à assembleia geral, quarta-feira (05/11) às 18h na FAU!

 

CORRENTE PROLETÁRIA ESTUDANTIL

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s