Provar o quê?

EscolaPoliteia.com.br

“Aqui na Escola Politeia não temos prova”. Quando esta afirmação aparece nas apresentações da escola ou em conversas com amigos/as, causa diversas emoções. Desde o susto, apreensão, incompreensão e até mesmo descrédito. Logo em seguida vem a pergunta: “Como avaliam então?”. Um dos grandes problemas da educação é associar avaliação com prova.

Mas o que temos mesmo que provar?

A prova estipula um patamar, uma nota, que todos os/as estudantes devem atingir para dizer que estão aptos ao próximo nível, para dizer que aprenderam certo conteúdo. Este conteúdo é invariavelmente escolhido pelo/a professor/a para ser colocado na prova.

Neste sistema todos/as os/as estudantes são comparados com este patamar, com esta nota, o famoso 5 (6 ou 7 dependendo da instituição). Um 4 diz que você não é capaz, um 9 diz que é quase um gênio. Mas gênio em que? Em decorar fórmulas, listas, conceitos e reproduzir mecanicamente numa folha de papel com um tempo estipulado? Não me parece muito genial fazer isso.

Ah, o tempo… O tempo é um fator importante numa prova, afinal todos têm o mesmo tempo para aprender (aulas) e o mesmo tempo para dizer que aprenderam (provas), o MESMO tempo! Isto nos dá uma ilusão de justiça.

Mas não somos todos diferentes? Trabalhamos em tempos diferentes, brincamos em tempos diferentes, nos divertimos e vivemos em tempos diferentes uns dos outros, por que raios temos que aprender no mesmo tempo? Pior, por que todos temos que dizer o que sabemos no mesmo tempo? Por exemplo, 1 hora e 30 minutos de prova. Opa opa… 1h31 você passou do tempo, isso prova que é burro…

São tantas irracionalidades no conceito de prova que fica até difícil colocar aqui. Não estão nem falando do desespero desnecessário que as provas provocam nos estudantes, nem da meritocracia que é uma das principais características do capitalismo, etc.

Quem determina o 5, 6 ou 7 de nota?

A prova diz que todos devem atingir o mesmo lugar. Estranho… Afinal os estudantes são todos diferentes, não é mesmo?

Costumo dizer que a prova é uma foto, retrata um momento, um instantâneo do/a estudante e a avaliação deve ser um filme, um contínuo que mostre todo o processo e que compare o/a estudante com ele/a mesmo/a. Como o/a estudante estava antes e como está agora.

A avaliação deve ser feita a tempo de identificar crescimentos e dificuldades (uma prova não faz sentido, mas ainda será pior se for na última semana de aula sem tempo para perceber o que aprendeu e o que precisa melhorar). Esta avaliação deve ser usada para valorizar conhecimentos mais do que apontar falhas.

Enfim, este é um assunto muito mais complexo do que estas poucas linhas dão conta. Precisamos continuar pensando a avaliação, mas aqui na Escola Politeia já sabemos como ela NÃO deve ser…

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