Somos Todos Macacos ou Não?

Meu facebook hoje está bem dividido entre dois grupos, os “#SomosTodosMacacos” e os “#NãoSouMacacoPorraNenhuma”, (isso porque ignorei conscientemente os “#SomosTodosImagemESemelhançadeDeus”), achei então uma ótima oportunidade para escrever meia dúzia de palavras sobre o assunto.

A resposta ao título é biológica e política. Primeiro a biológica. Se levarmos ao pé da letra das palavras de ordem é claro que o segundo grupo que está certo, não somos macacos! A Teoria da evolução de Darwin não diz em nenhum momento que somos macacos, nem que evoluímos do macaco. (Pensar assim abre margem para a pergunta tosca: Por que os macacos do zoológico não viram seres humanos?).

Os seres humanos (homo sapiens sapiens), o chimpanzé e o gorila têm um ancestral próximo comum, que NÃO era um macaco, mas que, por ter muito pelo no corpo, estatura baixa e cérebro menor que o nosso, traz a semelhança com os nossos primos macacos.

Imagem
Linha evolutiva dos primatas
Nossa ancestral Lucy e eu ;-)
Nossa ancestral Lucy e eu 😉

 

Mas a questão principal não é esta. O problema aqui é que o primeiro grupo, “#SomosTodosMacacos” está usando esta hashtag para responder a um problema de racismo, o caso do Daniel Alves.

O problema do racismo é muito mais complexo do que uma frase de efeito. Independente da boa vontade de quem está postando fotos com bananas na mão; independente da manipulação sofrida pelas pessoas, já que uma agência de publicidade criou o slogan; saber que somos todos descendentes de um mesmo ancestral não resolve nem um pouco o problema do racismo, já que a linha evolutiva que trouxe até o ser humano, fez esta espécie desenvolver muitas maravilhas, tecnologias, cultura e arte, mas também gerou uma espécie capaz de criar o racismo, o ódio, o preconceito, enfim, a subjulgação de um ser por outro. O racismo é a crença inocente, para dizer pouco, que diz que a cor da sua pele (mais especificamente raças) te torna superior ou inferior a outro ser humano. Ele foi usado históricamente para justificar a escravidão e outros abusos de um determinado grupo sobre outro.

O problema do racismo é um problema cultural e histórico ligado de forma clara ao capitalismo – embora não tenha existido apenas neste sistema. Este problema NÃO se resolverá com slogans bonitos… Se resolverá com educação e luta diária para acabar com o sistema opressor que promove a alienação e o massacre da população, gerando assim todas as formas de preconceito e racismo.

Sim, o sistema econômico vigente condiciona a forma de pensamento das pessoas. Se o sistema econômico é baseado na exploração e submissão de um ser humanos sobre outro, este sistema só poderá condicionar a forma de pensamento das pessoas para uma lógica de que um homo sapiens sapiens é superior a outro homo sapiens sapiens!

Não adianta pedir para as pessoas pensarem que somos todos iguais se em todos os âmbitos da vida diária o sistema nos faz diferentes*. Exploramos e somos explorados todos os dias.

É preciso então acabar com o sistema de exploração existente, o capitalismo. Só em um sistema econômico e político em que formos todos iguais poderá aparecer a realidade intrínseca de que Somos Todos Iguais!

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* No pior sentido de ser diferente. Não estou pensando nas diferenças que nos tornam seres únicos, penso nas diferenças que nos tornam exclusivistas, coorporativistas, separatistas e segregadores.

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1 comentário

  1. Na verdade somos macacos sim. Por fazermos parte do grupo de primatas, somos automaticamente primatas. Dizer que não somos macacos é o mesmo que dizer que salmão não é peixe. Peixe e macaco não são denominações de espécies, mas de grupos de animais. Se surgisse uma espécie de peixe com inteligência social super desenvolvida e comunicação complexa com o qual pudéssemos conversar, este ainda seria um peixe, mesmo que lhe déssemos um nome diferente. Pois deste grupo é oriundo, e deste grupo faz parte. O ancestral comum dos humanos e dos primatas não-humanos é, sim, um macaco, e os macacos do zoológico não são um grupo alheio ao nosso, até porque os nomes das várias espécies que existem nos zoológicos não se reduzem a “macaco”, mas macaco-prego, bugio, chimpanzé e diversos outros (não citarei nomes científicos das espécies porque não convém). Tudo isso faz parte de um conceito de sistemática, matéria da biologia que estuda a relação evolutiva entre as espécies.

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