Escolas que não sabem para que mundo estão ensinando

Vivemos num mundo em rápida transformação, contudo percebemos que, um espaço social que pouco se renova é a Escola. Não podemos lidar com este novo mundo, como lidávamos no século passado. O mundo é dinâmico demais para mantermos as antigas maneiras de relacionamento, de controle e tratamento. Por antigas, entendemos ultrapassadas, ou seja, que não se adequam mais aos novos padrões sociais de relacionamento. Não se adequam mais aos desejos dos estudantes e nem às vontades dos educadores e das educadoras. Entre as diversas mudanças que podemos destacar neste mundo pós-moderno temos: a quantidade de pessoas no planeta (e nos espaços sociais), a quantidade de informação disponível (por diferentes mídias), a urgência pela questão ambiental, as novas formas de relacionamento em redes, a diminuição de relações familiares (ou aumento das diversidade de composições familiares) e as novas relações com o imponderável. Qualquer outro tempo da história humana teve seu próprio futuro, o diferencial deste momento histórico é a perda do futuro, a imprevisibilidade, educamos na incapacidade de saber para qual mundo estamos educando. Na esteira deste pensamento encontraremos dois discursos, um que reconhece o imponderável deste tempo histórico (que estamos assumindo aqui) e outro hipócrita, que finge saber o futuro para o qual os jovens estão indo (normalmente que considera o futuro como extensão simplista do presente com mais tecnologia).

Estas características marcantes do mundo atual e o ato de pensar no futuro nos levam invariavelmente àquela que mais nos afeta e que na maior parte das escolas é dada como imutável, o sistema do capital.

Acreditamos que não devemos fugir deste tema na sala de aula, acreditamos que a escola do nosso tempo deve ter esta discussão em sua agenda. Só uma educação para além do capital pode provocar a mudança estrutural que a crise estrutural que enfrentamos precisa. Concordamos que a aprendizagem e a educação devem ser pensadas para toda a vida, contudo acreditamos na escola como referencial formador e transformador das pessoas e conjuntamente do modelo de sociedade que possuímos. Ainda que nos lembremos daquela antiga pergunta, “a quem pode servir imaginar uma educação que seria a morte da sociedade que a colocasse em prática?”. Não estamos falando da escola tradicional e burocrática, e sim de outra escola, uma escola transformadora, que resiste à tendência quase hegemônica de massificação de conhecimentos e de pessoas.

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