Greves e manifestações para todo lado

Em tempos tão agitados, com tantas e tão grandes mobilizações populares precisamos tomar alguns cuidados. Não podemos deixar que este momento histórico seja banalizado, ou pior, criminalizado pelas mídias e governos burgueses.

Já começo ouvir os mesmos discursos do ano passado, por exemplo, “estas manifestações já perderam o sentido”, “mascarados invadiram a manifestação pacífica”, “a greve é ilegal”, “estão impedindo o direito de ir e vir do cidadão”, entre outras frases clássicas.

Além disso, um grande perigo que corremos e a tentativa de mudança da história. Já percebemos nas conversas e nos meios de comunicação de massa os indícios deste processo, muitos dizem que as manifestações de Junho/2013 foram manifestações pacíficas, já estas são violentas e baderneiras. Uma grande mentira. Os atos de Junho/2013 foram extremamente violentos. A repressão foi muito forte e isso NÃO pode ser esquecido.

QUAL O SENTIDO?

Este é um ponto importante que deve ser lembrado até mesmo pelos manifestantes. Qual e o sentido de fazer um ato de rua ou uma greve?

 Não adamos na rua porque e divertido, muitas vezes não é! Atos de rua ou greves tem a função fundamental de parar a produção. Com isso afetar o bolso dos capitalistas e forcá-los a ceder às reivindicações.

Se ninguém é afetado a manifestação não cumpre sua função. é claro que podem acontecer manifestações panfletárias, que visam apenas a divulgação de uma causa, mas não são estas que arrancam vitórias. É preciso afetar de maneira direta o capitalista naquilo que ele mais valoriza, o capital. Em São Paulo, por exemplo, por que os atos são normalmente na avenida Paulista, porque é ali que o capital se concentra, assim como nas marginais. Percebam que os atos nestes locais são os mais reprimidos.

O mesmo vale para as greves. Greves servem para parar a produção social e com isso pressionar o patronato e conquistar reivindicações. Desta forma não fará sentido a greve se o sistema continuar funcionando.

Peguemos o recente exemplo do Metrô de SP. A justiça ordenou que a greve só seria válida se os metroviários mantivessem 70% do funcionamento dos trens e 100% nos horários de pico. Que greve seria esta? Onde a produção seria afetada neste caso? Este exemplo mostra muito bem a parceria que existe entre a justiça e os interesses do capital.

Também houve o pedido dos metroviários que o governador liberasse as catracas durante a greve. Por mais sedutora que possa parecer esta ideia, também não cumpriria sua função principal, a saber, pressionar os capitalistas. A população no geral é afetada numa greve sim, mas é preciso pensar que, quem é afetado em ultima instância é o patrão que deixa de lucrar no período de greve. A mídia faz um grande movimento de culpabilização dos grevistas, jogando a população contra estes trabalhadores. Oprimidos contra oprimidos.

O ideal seria que as categorias se unissem e se esta acontecendo greve nos transportes e os trabalhadores não conseguem chegar aos seus trabalhos, que fizessem greve também. Buscassem suas reivindicações, fizessem assembleias deliberativas sobre que postura tomar neste período. As escolas por exemplo deveriam fazer isso. As universidades também.

Na universidade a coisa é ainda mais complicada. Hoje estamos com uma greve das 3 universidades estaduais (USP, UNESP e UNICAMP), na USP, por exemplo, a greve é dos 3 setores (Estudantes, Professores e Funcionários). Contudo, um número muito grande de professores “em greve” continuam passando trabalhos e provas para os estudantes via internet!!! Greve deve parar a produção social! Estes professores devem ser denunciados, pois estão sabotando a greve da própria categoria e da categoria dos estudantes.

As greves na educação por si só são greves abandonadas porque de uma forma bizarra a educação não é uma produção social que afeta em curto prazo o sistema. Basta lembrarmos o efeito que deu as greves de ônibus e metrô em SP que duraram 3, 4 dias. E a greve dos professores da rede municipal que durou 40 dias.

brasil-greve-professores-estado-sao-paulo-avenida-paulsita-20130510-07-size-598

DIREITO DE IR E VIR

As mídias vendidas (Globo, Record, Band, Folha, Estadao, VEJA, etc) usam muito o argumento do “direito de ir e vir” para colocar a população contra as manifestações. Engraçado nunca citarem o direito de manifestação ou o direito de greve. No dia 12 de Junho deste ano, no ato em frente ao sindicato dos metroviários fomos cerceados do direito de andar pelas ruas com a manifestação, não vi nenhum jornal nos defendendo dizendo que a policia retirou o nosso direito de ir e vir.

Mas nos no dia a dia, conseguimos mesmo ir e vir?

O dia com o maior transito da cidade de São Paulo este ano foi um dia que não tinha nenhum protesto na cidade. Todos as dias ficamos presos no transito caótico das grandes cidades. O direito de ir e vir nos é retirado todos os dias.

Ato

ATAQUES

Tanto as greves quanto as manifestações vem sofrendo duros ataques repressivos. Um movimento muito forte da mídia burguesa, governos e orquestrados em ultima instância pelos capitalistas.

O esforço é para acabar o mais rápido possível com qualquer tipo de movimento de luta e criminalizar os movimentos. Nem a própria democracia da burguesia que vivemos é respeitada e o direito de greve e manifestação vem sendo ceifado a cada protesto.

Os ataques vem por meio de punições judiciais, multas exorbitantes e demissões sumarias. Além claro, da repressão violenta direta que a policia executa todos dias nos atos.

Voltando para a greve dos metroviários, podemos dizer que foi uma greve derrotada. Foi grande, foi importante, mas foi derrotada pelo governo. Os metroviários não alcançaram suas reivindicações, não conquistaram o apoio massivo da população e ainda saíram da greve com 42 trabalhadores demitidos. Não podemos dizer, como alguns partidos e grupo vem dizendo, que a greve foi vitoriosa pelo impacto que causou. Devemos reconhecer que foi derrotada para aprendermos a lição e resistir com mais forca nas próximas vezes.

Foto_Ato_Plenáriatiro210407571_688612511187264_4420325746669195172_n

SINDICATOS

Alguns movimentos recentes nos deram uma importante lição. A lição que vem da base, se os sindicatos e direções não estão do nosso lado, passaremos por cima deles!

O movimento dos garis do RJ e dos motoristas e cobradores de SP capital e grande SP, mostraram isso. Os sindicatos atuaram de maneira passiva ou traidora da classe e a base não se calou diante destes golpes.

Um sindicato é uma entidade que serve para organizar a luta de sua base. Se um sindicato não cumpre esta função e atua junto ao patronato deve ser derrubado ou ignorado.

Esta mesma regra vale para as direções do movimento estudantil que muitas vezes não organiza a base justamente por saber que não terá capacidade de organizar a luta dos explorados.

VANDALISMO

Este é outro ponto que gera amores e ódios nas manifestações e greves.

Uma frase famosa diz, não podemos confundir a violência do opressor com a reação do oprimido.

Em todos os atos somos atacados violentamente pela PM, muitos vídeos mostram o primeiro ataque sendo desferido por esta corporação. O que vem em seguida é a óbvia e necessária resposta dos manifestantes. A PM possui balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e, muitas vezes, armas letais, para fazer cumprir os desejos do governo e dos capitalistas que estão de alguma forma sendo afetados pela manifestação. Os manifestantes têm pedras, pedaços de pau e sua coragem.

Neste contexto todo, alguns símbolos do capital são afetados e não seremos nós, os oprimidos, que defenderemos estes símbolos.

Muito é dito sobre os protestos, muito é inventado. O conselho que sempre dou para alguém que entra na lógica da grande mídia é, vá. Conheça. Veja com os próprios olhos. Assim poderá assumir uma posição mais esclarecida.

 

imagescadw5g5h
imagescadw5g5h
imagescawgecrj
imagescawgecrj

10468376_688708791177636_4401747337378899067_nusp-policia-1Trabalho

Anúncios

1 comentário

  1. “O ideal seria que as categorias se unissem e se esta acontecendo greve nos transportes e os trabalhadores não conseguem chegar aos seus trabalhos, que fizessem greve também. ” – Oz
    Perfeito! Essa greve nos deu a oportunidade iniciar uma notavel mobilizacao proletaria. Mas, infelizmente, a malevola mistura entre a manipulacao da midia e a alienacao dos oprimidos, nos privou do exito.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s