Breve comentário sobre autonomia e emancipação nas escolas Politeia e Amorim Lima

Se pensarmos etimologicamente, autonomia vem de auto (próprio) e nomos (lei, regra), seria a capacidade do sujeito se guiar pelas próprias regras, se auto-regular. Desta forma podemos problematizar a ideia de autonomia em contraposição – ou complementação – a ideia de emancipação. A autonomia se constituiria como uma liberdade mais individual. Mas ninguém é totalmente livre, principalmente no sistema capitalista e, na escola, torna-se tênue o limite entre a prática pseudo-democrática e a prática autoritária. Ou seja, pode aparecer um discurso falso de democracia que mascara a liberdade ou mesmo a falta dela.

A emancipação requer uma preposição e um substantivo. Só se é emancipado de algo, a emancipação requer a criticidade. Se estamos pensando de maneira sistêmica, o sujeito emancipado seria livre de um sistema que o oprime. 

Contudo para Paulo Freire o conceito de autonomia se aproxima muito do conceito de emancipação. Em seu livro dedicado para este conceito, Pedagogia da Autonomia, ele coloca a questão da autonomia sob a óptica do paradoxo autonomia/dependência. Ser autônomo no individual e se perceber dependente de um coletivo, afinal somos seres inconclusos e em relação com o mundo, sendo assim precisamos do outro. A autonomia de Freire leva em consideração a percepção do outro, quando coloca,

“a autoridade do não eu, do tu, que me faz assumir a radicalidade do meu eu”. (FREIRE, 1996).

Creio que a discussão sobre autonomia que a escola Politeia e a EMEF Amorim Lima fazem está muito próxima daquilo que Paulo Freire propõe. Ou seja, existe uma autonomia construída dentro dos muros da escola e, muitas vezes, para a atuação dentro da própria escola (capacidade de escolha do que/quando/onde vão estudar, decisão das regras, organização do indivíduo e do coletivo na escola). Mas sempre levando em conta o mundo externo e, na medida do possível, relacionando com este mundo, e no limite, percebendo que não existe mundo externo e interno, existe apenas o mundo e a escola faz parte dele em essência. Por isso ela, a escola, pode sim ter a pretensão de transformação deste mundo.

 

Referência

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

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