Nem Dilma, nem Aécio: a defesa do voto nulo no 2º turno

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Anular o voto é sim um ato político.

Quando você anula seu voto está participando do processo tanto quanto (ou mais) as pessoas que escolhem um candidato/partido para votar. Muitos não pensam assim porque consideram apenas os chamados “votos válidos” (excluem os brancos e nulos). Isto é, para dizer pouco, uma afronta a democracia. Seria como se numa assembleia, ignorar as abstenções. Na prática desconsiderar os votos brancos e nulos é ignorar as pessoas que estão insatisfeitas com o sistema, é ignorar a quem desagrada a eleição ou deixar de lado quem descobre que nenhum candidato/partido lhe representa.

No fundo as pessoas são obrigadas a escolher um candidato/partido.

Neste modelo, os insatisfeitos são completamente ignorados restando para eles apenas 3 saídas:

a) Não votar, nem aparecer na urna e pagar uma multa posteriormente (em torno de R$ 3,00) .

b) Escolher o “menos pior”. É o que está acontecendo com muita gente que conheço, tendo que se vender render ao menos pior e fazer o chamado “voto útil”.

c) Anular o voto (lembrando que voto nulo é diferente de voto em branco). E esperar que um maior numero de pessoas tenha coragem de anular também, e que assim a população reúna forças, não para anular uma eleição pela lei, mas para anular uma eleição na prática, nas ruas, na luta. E em seguida anular o sistema político e econômico que mantêm toda esta farsa, o capitalismo.

Porque não devemos escolher um candidato?

Ainda existe a fome, a miséria, as pessoas que morrem pelas drogas, ainda existe a pobreza e enquanto estas coisas existirem o sonho socialista não morrerá.

Nem Dilma, nem Aécio se propõem a transformar a sociedade, ambos fazem parte de partidos que defendem os interesses da burguesia. Nos seus governos (PT 3 mandatos e PSDB 2 mandatos) a burguesia se tornou ainda mais rica e a distância entre ricos e pobres só fez aumentar. Não são as migalhas assistencialistas que um partido deu mais que outro que devem determinar para onde vai o voto dos oprimidos. Volto a dizer:

Cumprimento de promessas de campanha é obrigação, não deve ser motivo de comemoração!

É preciso estar atento as condições concretas de miséria que persiste nas favelas e guetos do país, a imensa juventude desempregada, a pobreza que joga um sem número de pessoas para a criminalidade, a violência policial e a repressão do estado contra os movimentos populares e o cabresto criado pelos sindicatos vendidos que impede a verdadeira luta dos trabalhadores. Estas condições não mudaram nos 5 mandatos que estes dois partidos tiveram (20 anos!!!). Porque devemos ter a ilusão AGORA que um deles vai transformar o Brasil?

Os proletários têm seus próprios métodos de luta (as ocupações, greves, paralisações, manifestações etc.), mas estão calados pelos sindicatos ligados aos partidos (exemplos, CUT e APEOESP ligadas ao PT e Força Sindical ligada ao PSDB). Os proletários têm que ter seu próprio partido para defender seus direitos e lutar com eles. É preciso então construir o Partido Operário Revolucionário com os métodos e as bandeiras dos proletários.

Mas qual a diferença entre voto nulo e voto em branco?

No ponto de vista objetivo, ambos têm o mesmo efeito, pois não possuem interferência no resultado das eleições. O que os difere é a simbologia. O voto branco significa “tanto faz”: o eleitor apático pensa que qualquer um dos candidatos pode ganhar e nada mudará; ele delega a responsabilidade e o poder de escolha para a maioria. Já o voto nulo é uma manifestação do desagrado do eleitor, que não se identifica com nenhum dos candidatos, pois não são aptos ou dignos de receber seu voto. Para André Singer, professor da FFLCH e especialista em comportamento político e pesquisas eleitorais, ambos são bem distintos. “Para resumir, em princípio seriam votos com sentido oposto. Um de recusa total do processo eleitoral [voto nulo] e outro de aceitação total desse processo, incluindo seu resultado [voto em branco]”.

Essa diferença de significado é uma herança de antes de 1997, quando os votos brancos eram considerados válidos em eleições proporcionais (para Deputado Federal/Estadual e Vereador). Após a Lei 9.504/97 do Código Eleitoral, o voto branco deixou de ser computado em todas as eleições.

Um pouco de história…

Quando as eleições eram feitas em cédulas de papel, as pessoas que compareciam no pleito para a votação podiam fazer três coisas:

1) Escolher um candidato e depositar seu voto.

2) Deixar a cédula em branco, ou seja, concordar com o resultado das eleições.

3) Rabiscar a cédula, fazer um desenho, criar um candidato fictício (bem divertido), ou seja, anular seu voto.

Cédula anulada

(vamos ser práticos, se mais da metade da população votar nulo e estiver insatisfeita com a eleição, não será fácil um zé ruela qualquer assumir qualquer cargo. Neste momento tenho certeza que a população terá força suficiente para mudar este sistema)

Muitas pessoas alegam que estamos jogando fora toda a luta pela redemocratização do Brasil. Isso não é verdade. O processo vitorioso das “Diretas já!” foi muito importante para a história do país e para as pessoas, para retomar uma forma de participação política para as pessoas. Mas estamos em um novo momento da história e agora a luta é outra, queremos o direito de escolher se queremos votar ou não. A obrigatoriedade é contra a democracia e contra a liberdade.

Voto nulo programático – pela construção do Partido Operário Revolucionário (POR)

Não defendo o voto nulo por princípio, ou seja, anular sempre. Sou marxista/leninista/trotskista e por isso minha defesa é do voto nulo programático. Contra as eleições e os partidos burgueses. E a favor da união das massas, dos oprimidos com seu programa e seu partido revolucionário.

Defendo hoje o voto nulo chamando os proletários para a construção do Partido Operário Revolucionário (POR).

Democracia burguesa ou falsa democracia

A mudança não vai vir de cima (nem de seres imaginários nem de políticos sem vontade) e neste momento, nesta eleição, a única resposta que tenho é o voto nulo!

O pano de fundo e princípio desta luta é o fim do sistema capitalista. Não podemos manter a ilusão de que escolhendo vereadores, deputados e até mesmo presidentes destes partidos burgueses estaremos transformando a sociedade.  Os verdadeiros chefes do poder econômico, as pessoas que de fato determinam os rumos do capitalismo, as lideranças das grandes empresas, enfim a burguesia, nenhum destes são escolhidos democraticamente. Nós não escolhemos os presidentes do FMI, Banco Central, Banco Mundial, etc. Vivemos numa ilusão de democracia. E a eleição burguesa é o verdadeiro picadeiro palco onde a farsa acontece.

Temos que nos manifestar nas ruas, na luta direta, mas nas eleições devemos ter claro que Anular é sim, um ato político!

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