Entendendo um pouco o funcionamento da máquina: para quem interessa o desemprego?

Lendo aqui sobre a questão do salário e do emprego no Brasil me veio uma coisa na cabeça. Para quem interessa o desemprego? Não devemos pensar de maneira simplista que os capitalistas querem acabar com o emprego. Não é bem isso.

Falta de emprego não é boa para ninguém. Para o/a trabalhador/a, por motivos óbvios. Para o governo pois perde arrecadação de duas maneiras, (i) impostos diretos das folhas de pagamento e (ii) o/a trabalhador/a deixa de consumir e consequentemente te-se menos arrecadação sobre os produtos. Além disso é ruim para o governo pois sem empregos precisa investir mais e gastar mais com políticas sociais. Precisa ser assistencialista.

Por último, a falta de empregos também não é o ideal do capitalista. Ele precisa da mão de obra e da economia funcionando. Por que ele demite então? Como eu disse não é o ideal. O ideal seria manter o emprego porém com o salário mais baixo possível. De preferência com trabalho escravo! (mas mesmo neste caso eles teriam problemas pois os/as trabalhadores/as não teriam dinheiro para consumir seus produtos. Basta lembrar do que foi a comemorada alforria dos negros no Brasil, ampliação de consumidores para sustentar o capitalismo)

As demissões são fruto da necessidade de manter os lucros já que não pode (não descaradamente) diminuir os salários. Mas no fundo conseguem reduzir os ganhos dos trabalhos de uma forma mais sórdida. Aumentam anualmente os salários (quando aumentam) menos do que inflação do período, sendo assim os produtos de consumo sobem numa certa taxa e o salário sobe numa taxa menor, resultado, o trabalhador passa a ganhar menos.

Para completar os ataques do capitalismo a classe proletária, existem outras formas de precarização do trabalho. Como a layoff, onde o trabalhador/a fica afastado/a do seu posto de trabalho por alguns meses. Obviamente recebendo bem menos. Ou também o PDV (plano de demissão voluntária).

É preciso que os proletários entendam bem o funcionamento da máquina para assim poderem lançar mão dos seus próprios mecanismos de luta e resistência. A saber, greves, ocupações, paralisações, enfim as ações diretas para combater os ataques que sofrem.

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