Primeiro grande ato contra o aumento: a repressão vista de perto

10492210_430560870435397_138531763268505629_nAconteceu ontem o primeiro grande ato contra o aumento da passagem do transporte público em SP. Foi um ato com mais de 15.000 pessoas (difícil precisar o número, mas para ter uma ideia a Rua da consolação estava completamente tomada).

A grande mídia tem noticiado que a polícia apenas reagiu às ações violentas de vândalos. ISTO É UMA MENTIRA!

A mídia está fazendo como em 2013 (nos primeiros atos) quando abusou das palavras “vândalos”, “vandalismo”, “quebra-quebra”, “depredação” etc., e só mudou o discurso quando repórteres foram atingidos pela repressão.
É exatamente o contrário. A Polícia reprimiu um ato gigantesco e pacífico de maneira gratuita. Alguns manifestantes em fuga colocaram fogo em lixo (forma de bloqueio) e quebraram bancos etc.
O ato foi surpreendido com bombas de gás e efeito moral. A grande maioria foi pega de surpresa. Eu estava na frente da rua Matias Aires e corri para baixo quando vieram as primeiras bombas. Neste momento fomos surpreendidos pela Polícia que vinha de baixo (CERCO!!!). Entramos nesta rua e corremos. Muitos se esconderam dentro dos bares (o primeiro vídeo abaixo mostra bem tudo isso).
O gás fechou meus olhos completamente e fui guiado pelo meu camarada Yvan até um rapaz que tinha vinagre. Este vinagre ajudou muita gente lá. Voltamos a correr, mas ao lado um camarada caiu passando muito mal pelo efeito do gás. Ele estava vomitando e quase inconsciente. Dois rapazes (Lucas e Vitor – até então desconhecidos) e eu decidimos carregar o camarada caído. Quando começamos levantá-lo a Polícia chegou prendeu os quatro usando da violência que lhe é característica. Usaram o lacre-algema para nos imobilizar e nos levaram para junto de outro grupo de umas 10 pessoas detidas. Detalhe: prenderam até o rapaz que estava passando mal. Quando este retomou a consciência estava detido.

– QUAL A ACUSAÇÃO?
Silêncio.

– QUAL A ACUSAÇÃO?
Silêncio.

Esta pergunta foi feita muitas outras vezes, todas sem resposta. Eu sei que não tem resposta. Não tinha acusação nenhuma.
Depois de mais de meia hora fomos levados para a frente da loja Pernambucanas (Consolação) onde estavam mais uns 15 manifestantes, a maioria jovens e muitos machucados. Um rapaz estava com muito sangue na cabeça. Outro estava isolado do grupo com a cabeça coberta e virado para a parede. Este rapaz foi levado primeiro e com a cabeça coberta, além disso deixaram ele separado dos demais, uma ação muito estranha. Não vi mais ele. Era negro e usava bermuda Preta e camiseta Verde. Isto é tudo que sei.

Depois de mais meia hora nos colocaram num ônibus, não sem antes isolar a mídia e os manifestantes que estavam por ali gritando por liberdade.
Rodaram com o ônibus por uma hora, claramente para esperar a dispersão do ato. La dentro um policial pega o telefone e fala em alto e bom som: “Volta lá agora é acaba com isso, mete bomba nesses Zé povinho!!!”
Isso mostra claramente que a Polícia reprime por ordem superior, não por reação a qualquer tipo de violência como diz a mídia burguesa comprada.
Fomos levados para a 78DP. Ao total 51 pessoas foram presas. Quando chegamos percebemos a mídia no local. Alguém falou algo de abaixar a cabeça.

Não! Não devemos nunca nos envergonhar de lutar!

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Fomos obrigados a esperar por horas. Tivemos acompanhamento dos advogados ativistas, de manifestante e amigos.

Para soltar os lacres-algemas um PM usou uma faca. Quando estava cortando o lacre de um rapaz ao meu lado, ele cortou o lacre com força e cortou as costas do rapaz que teve que ser levado para o hospital.

3 manifestantes foram liberados logo no começo, 39 foram chamados para depoimento e 9 ficaram esperando do lado de fora (eu fiquei neste grupo).
Fomos acusados de resistência a prisão, depredação e desacato. NOVAS MENTIRAS! Os PMs combinaram ali mesmo o que seria dito. Alguns foram pressionados a assinar coisas que não fizeram.

1h da manhã escolheram aleatoriamente mais 4 para liberar. Me liberaram neste grupo. Muitos vão sofrer processo.

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É importante perceber que foram prisões POLÍTICAS. Sendo assim deve receber resposta política. Isso acontecerá com atos mais massivos. Não aceitaremos nenhuma prisão! Ninguém fica para trás!

A Polícia usou seus aparatos repressivos, porém temos que lembrar que ela é o braço armado do estado burguês. E o estado burguês é um aparato de defesa dos capitalistas.
A luta contra o aumento das passagens e pela estatização do transporte público está em confronto direto com o lucro dos capitalistas do transporte. Por isso o governo pressionado pela burguesia reage (usando a força) para massacrar as manifestações populares.
É preciso responder com os métodos de luta proletária, atos massivos, ocupações, greves etc.

Abaixo a repressão!

O próximo vai ser maior!

Outros textos:

https://ninja.oximity.com/article/Tiro-porrada-e-bomba-no-1%C2%BA-Grande-1

http://www.vice.com/pt_br/read/protesto-mpl-09-01-2015-a-policia-de-sp-t-acom-saudades-das-jornadas-de-junho

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/10/opinion/1420896908_403524.html

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/pm-muda-estrategia-e-reprime-manifestacao-a-200-metros-do-fim-7522.html

Vídeos:

http://spressosp.com.br/2015/01/10/video-mostra-o-exato-momento-em-que-pm-comeca-atacar-manifestacao/

https://www.facebook.com/video.php?v=894916513873014&set=vb.168262279871778&type=2&theater

https://www.facebook.com/video.php?v=874488162572599&set=vb.229151370439618&type=2&theater

https://www.facebook.com/video.php?v=602421479890737

Veja como a mídia comprada noticia:

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/manifestantes-protestam-contra-reajuste-da-passagem-em-sp-rj-e-bh/3884225/

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2015-01-09/manifestacao-em-sao-paulo-tem-confronto-com-a-policia.html

Outros textos do Mundo de Oz

O erro da Mafalda

Não é fácil ser duende no capitalismo

Sobre EUA e Cuba ou O fim do capitalismo se aproxima

O absurdo de escolher contra quem vamos lutar

O Sulear como resistência ao capitalismo

O fim (do capitalismo) está chegando

2 Comments

  1. Oz, eu estava nesse grupo de encurralados e capturados na Matias Aires, quase na esquina com a Consolação.
    Foi uma bagunça absurda lá dentro da delegacia. Pegaram nossos nomes, RGs, telefones e endereços e depois ficamos pra lá e pra cá, sem maiores informações sobre acusações e consequências.
    Algumas pessoas foram ouvidas, outras, como um grupo de mais ou menos 20 pessoas e eu, foram encaminhadas pra uma sala de espera.
    Vez ou outra ouvíamos, numa coisa meio telefone-sem-fio, que teríamos de assinar um B.O. coletivo por desacato. Por volta das 2h20 fomos (esse grupo da sala e eu) liberados sem assinar nada. Alguns rapazes ficaram lá, acho que eram os agredidos.
    Uma coisa que notei no pátio da delegacia é que alguns pms estavam fotografando o pessoal com seus celulares pessoais. Até aí, pensei “ok, os caras precisam de um troféuzinho pra compartilhar entre si”, mas um deles, além de fotografar meu rosto, fotografou meu RG e pediu meu endereço, pra anotar tudo no aparelho. Não sei se outras pessoas passaram por isso (é provável que sim), mas achei estranhíssimo. Falei por alto com um dos advogados sobre o fato e fui informada de que, infelizmente, não poderia fazer nada, que é tática de terror dos caras.
    Você sabe de mais alguém que passou por isso?

    A luta continua!

    Abs!

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  2. Eu estava lá, mais pro meio. Me assustei muito quando ouvi a primeira bomba lá na frente. Eles estavam quase na Paulista, e tava tudo pacífico. Depois alguém perto de mim gritou “eles vão atirar bomba!” e quando olhei pra trás, tinha uns 3 PM com a arma com a bomba se aproximando de todos. Todos começaram a se aglomerar de um lado. E aí soltaram não sei quantas bombas. Só lembro de um monte de gente gritando “vinagre! vinagre!” e eu ficando sem ar e sem voz, correndo, seguindo o fluxo. Quando deu e consegui ver umas pessoas correndo, atravessando a Consolação para ir em uma rua (não sei o nome) em direção da Augusta, não pensei duas vezes e fui atrás. Nunca corri tantos metros sem respirar. E aí eu vi o choque subindo a Augusta e, depois que eu me recuperei um pouco do gás, decidi ir atrás para ver o que estava acontecendo. Foi aí que vi as “depredações”. Lá na Paulista, fiquei meio à toa, só observando. O choque pegou um rapaz (foi tão rápido, que nem deu tempo de ver o menino) e enfiaram ele no carro e vazaram. Viaturas pra todo lugar, cavalaria… Uma viatura atravessando a Paulista na Bela Cintra, quase atropelou umas pessoas que estavam atravessando. Lá perto, cheguei a ver um menino, que estava com um puta machucado no rosto. Sangrava, e parecia que ter sido alguma agressão.

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