O Exterminador do Futuro e o racismo na cadeira de trás no cinema

Sinto que precisarei de uns três dias (e mais uma sessão de cinema) para entender o filme Exterminador do Futuro… Mesmo assim gostei muito!
Me fez até ter uma epifania pós filme sobre o problema da conservação de energia não ser só espacial, mas também temporal. Sendo assim as ideias de viagem no tempo da ficção científica onde o viajante encontra com ele mesmo no passado ou no futuro (como nos filmes “De volta para o futuro”, “O homem do futuro”, “A maquina do tempo” etc), não violam este princípio pois ele some do tempo original e, no balanço geral temporal do universo, a energia se conserva…
Bateu até uma saudade de estudar relatividade e física quântica… mas passou, passou…

As ideias de viagem no tempo nos fascinam. O triste é não ter a menor perspectiva desta possibilidade no mundo real. O mais próximo que teremos da Skynet é se a empresa Sky comprar a empresa NET. (confesso que terei medo se isso acontecer)

Mas podemos deixar esta possibilidade ainda mais fora de alcance. Mesmo que se passe muitos e muitos anos a máquina do tempo que viaja para o passado não será inventada. Como eu sei? Você já viu algum viajante do futuro chegar aqui ou termos registro de algum viajante que chegou em algum tempo passado? Não. Pois é, este é o melhor argumento para pensarmos que a máquina do tempo não foi, nem será inventada.

Tudo lindo até aí, não fosse um comentário escroto na cadeira de trás no cinema…
O único negro do filme aparece por menos de 1 minuto (este fato já daria uma boa discussão). É o criador da Skynet (máquina que quer destruir os humanos). Aí um imbecil atrás de mim solta a frase:
– Tinha que ser preto!
O sangue me subiu de tal forma, que tive que me conter muito pra não fazer alguma coisa pior. Apenas virei para trás… falei que era um escroto racista (mas isso sem saber quem era exatamente)… Mas não fui além disso o que me causou um nó na garganta que dura até agora.
Esses dias um evento circulou as páginas do Facebook. Comentários racistas atacaram a repórter da Globo que apresentava o clima no Jornal Nacional. Os comentários ali eram tão absurdos que muitos imaginaram ser montagem. Pois bem, eu também imaginei por um instante. Mas não. O comentário que ouvi no cinema hoje mostra que não precisamos de montagens. O racismo existe de verdade e está escancarado no dia-a-dia. Nos detalhes disfarçados e nas ações explicitas. No medo da borboleta preta, no gato preto que “dá azar”, na expressão “a coisa tá preta”, na palavra denegrir ou no idiota na cadeira de trás que diz “tinha que ser preto”, na redução da maioridade penal, que vai atacar principalmente jovens negros da periferia, nos assassinatos diários pelas mãos da polícia etc.

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O que seria mais eficiente neste caso? Um soco no meio da cara ou uma humilhação pública?

Não sei. Mas sei que o silêncio não é nada eficiente. Sei que ao nos calarmos diante de atitudes opressoras estamos compactuando com o opressor. Estamos contra o oprimido.

São Paulo, 05 de Julho de 2015, nenhum viajante do tempo chegou até agora. As máquinas do tempo não foram inventadas ainda e segundo minha lógica, não serão inventadas nunca. Uma pena pois eu gostaria de ter uma neste momento.

Mas você leitor, vai ter que ficar imaginando onde eu iria e para fazer o que…

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