Este texto não é para a classe média (ou Sobre Ateísmo Militante)

É fácil para a classe média dizer que cada pessoa pode acreditar no que quiser. Uma parte dela segue acreditando no todo poderoso, outra parte percebeu o ridículo do conceito de deus, mas acredita nas tais “energias cósmicas”.  No fundo é a mesma coisa, só que as tais energias são abstratas demais para serem verificadas (conseguem ser mais abstratas que deus), e assim passam ilesas pela crítica ou até mesmo o ceticismo de alguns.

A classe média adora a expressão “ah deixa cada um acreditar no que quiser!”.  Esta é uma lógica essencialmente capitalista. Afinal parte do pressuposto que todos tem igual capacidade e discernimento para escolher o que é melhor para sua própria vida. Ignoram assim a componente concreta deste problema. A componente social e histórica. De que o sistema no qual vivemos nos molda de acordo com suas necessidades e que nossa consciência não é um ser autônomo e emancipado, é um produto social e histórico das relações de produção do capitalismo. Em outras palavras, somos assim por que o sistema nos fez assim e não o contrário.

O famoso “deixa cada um acreditar no que quiser” é uma variante da meritocracia.

Enquanto o “deixa cada um acreditar no que quiser” cresce, a bancada evangélica cresce junto e passa a regular sua vida e seu corpo. Seu corpo nossas regras!!!

Este texto não é para a classe média. Afinal eles tem estudos, acesso a informação e algumas posses e fazem um jogo bizarro de criticar o sistema onde dói no calo e afagar o sistema onde ganham vantagem. Alguns chegam a conseguir acreditar no amiguinho imaginário e lutar por um mundo melhor no seu dia a dia (Se pensar um pouco nisso vai perceber que é uma contradição em termos).

Não, este texto não é para a classe média. Este texto, de ateísmo militante, é para mostrar que não acredito que esteja tudo bem cada um acreditar no que quiser. O pressuposto é que a religião (e o misticismo de tabela) fazem mal.
Fazem mal nas periferias e favelas onde as pessoas (maioria absoluta) estão alienados por um mundo que não existe. Estão presos na redenção. E na salvação que virá quando eles partirem desta Terra. Nesta lógica “tudo bem” sofrer aqui na Terra por que receberão o paraíso depois.

As pessoas alienadas pela religião deixam de lutar por uma transformação deste mundo em nome de um mundo pós vida hipotético.
Em última instância deixam até de reclamar da vida sofrida e explorada que levam por que acham que é uma “provação de deus”.

Este texto não é para a classe média, mas bem que eles poderiam ler e perceber que da vista do seu apartamentinho parcelado e bem localizado não é possível ver a alienação que deus e o misticismo impõe para os explorados e exploradas do capitalismo.

P.S.

Para continuar pensando no assunto assista o vídeo a baixo:

1 Comment

  1. Texto completamente desonesto. Não há ligação lógica entre conservadorismo e crença. Depende da instituição e a ideologia política dos líderes religiosos. Parece que o autor nunca leu sobre teologia da libertação, ou que Martin Luther King foi pastor protestante e que Mahatma Gandhi livrou a Índia do imperialismo britânico baseando-se em ensinamentos religiosos. Ser ateu militante e achar que impedir a classe explorada de ter alguma crença vai ajudar a formar uma consciência de classe é ser completamente leviano e anti-científico, já que história e sociologia também são ciências.

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