A função social da polícia

Todos viram o que aconteceu recentemente em Osasco e Barueri…

Não, acho que nem todos viram, porque fazemos uma leitura seletiva do mundo. Aposto que muitos (burguesia, classe média e até proletários alienados) sequer ouviram falar que a polícia militar de SP matou 19 pessoas numa só noite.

Não, mesmo quem viu a noticia não foi desta forma… leu ou assistiu assim: “segue o genocídio da população preta e pobre das periferias…”

Não! Não foi assim também. Será que foi assim: “19 pobres foram executados em nome da vingança, pela morte de um PM”.

Não. Óbvio que não foi assim… Na verdade foi algo assim… “Suspeitos mascarados matam pessoas na Zona Oeste”.

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Isso não é nada novo. Sabemos bem que a função da polícia é a proteção do estado. E o estado por sua vez, no sistema capitalista, é a manutenção da separação de classes. É a defesa da burguesia.

O vídeo que está circulando pela internet mostra bem o que quero dizer. Numa apresentação de rua um artista faz uma crítica a polícia e o governador do Paraná, Beto Richa. Neste momento é preso por “desacato”.

No fundo então a polícia tem a função de defender o patrimônio privado, não a população. Além disso ela cria novos mecanismo de auto defesa. Para isso elimina oponentes, se vinga quando um membro de sua facção é eliminado etc. A chacina de Osasco/Barueri é um exemplo disso.

Secretário confirma 19 mortes em ataques em Osasco e Barueri 

Serie de ataques deixa mortos e feridos em Osasco

A polícia militar é uma facção de dupla identidade. Por um lado defesa do governo, braço armado do governo. Por outro defesa da própria instituição, auto-defesa e eliminação de opositores e possíveis opositores.

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Acabam reforçando a lógica capitalista quando acreditam que a origem da criminalidade está na “maldade humana”, não percebem que, não por acaso, essa “maldade” só acontece nas periferias. Não são capazes, justamente por que fazem parte do sistema, de perceber que é a exclusão social que produz as maiores vítimas do sistema. Aqueles que chegam ao limite da exclusão e partem para a criminalidade.

Não uso casos particulares e pontuais para argumentar em favor de um tese, mas com tantos “casos pontuais” acredito que podemos sair da lógica do pontual e perceber que se trata de eliminação sistêmica do povo das periferias. Nesta lógica dos “casos pontuais” encontraremos o Amarildo que foi eliminado pela polícia militar do Rio de Janeiro, a Claudia que foi eliminada e arrastada pelas ruas do Rio de Janeiro, o Peterson, amigo próximo, que foi eliminado pela PM no Jd. São Luis de SP em 2012, o Ricardo em Pinheiros SP, a chacina da candelária no RJ, as mortes do Carandiru etc. A lista é tão vasta que seria difícil ser completa aqui.

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Hoje é um dia de manifestações por todo o Brasil, mas estas manifestações não modificam em nada a estrutura social. Em última instância elas impulsionam a troca de um governante por outro, mas de maneira prática não afetam em nada o capitalismo. A burguesia não vê nenhum risco neste movimento. Ela até se divide entre alguns que apoiam e outros que se colocam contra, afinal o atual governo já garante um lucro expressivo. Basta ver o PPE (programa de proteção ao empresário emprego), onde o atual governo do PT propõe uma série de ações que no fundo visam a manutenção do lucro dos capitalistas. Plano de demissões voluntárias, redução da jornada com redução dos salários, parte da pagamento do prejuízo pelos cofres públicos (FAT – Fundo de Apoio ao Trabalho). Se a burguesia não vê risco nesta manifestação o governo também não vê. Se o governo também não vê risco, a polícia não é acionada. O resultado disso é a polícia participando da manifestação apenas como fachada. Para tirar selfies com os cidadãos de bem.

Bem diferente das manifestações onde a polícia é convocada para reprimir e acabar com o ato o mais rápido e eficiente que puder. Em Julho de 2014 as manifestações pelo Brasil eram contra a Copa do Mundo, projeto propagandístico e de lucro do governo federal principalmente. Não teve perdão. A polícia (braço armado do estado) caiu matando (figurada e literalmente) contra os manifestantes. Era a defesa explícita do sistema. Em Janeiro de 2015 as pessoas começavam se organizar em SP contra o aumento abusivo das tarifas do transporte público, logo no nono dia do ano, o primeiro ato foi duramente reprimido e esta repressão cumpriu sua função: assustar as pessoas para que os atos não crescessem como em 2013. Neste ato eu fui preso e pude ver de perto a lógica da PM fascista de SP. De dentro do ônibus da PM um comandante pega o telefone e ordena alguém: Volta lá agora! Acaba com isso aí. Mete bomba nesses zé povinho!

Defesa do sistema, defesa do estado, defesa do patrimônio privado, auto-defesa para a própria manutenção estas são as reais funções sociais da polícia!

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