A MAIOR EMPRESA DO MUNDO EM EDUCAÇÃO CAMINHA PARA O MONOPÓLIO

 

Um monopólio anunciado se configura no caminho que vem seguindo a empresa Kroton, maior empresa de educação do mundo.

A gigante brasileira começou em 1966 em MG com o cursinho Pitágora, que em seguida virou o colégio de mesmo nome e continuou crescendo e engolindo outras instituições até chegar ao ensino superior em 2000, quando as regras para abertura de universidades privadas foram flexibilizadas pelo governo. Em seguida o impacto desta empresa no mercado foi meteórico. Comprou a IUNI educacional, faculdade Atenas no MA, UNOPAR em Ponta Grossa, FAIS, Centro Universitário Cândido Rondon, Uniasselvi e, em 2013, se tornou a maior empresa de educação do mundo, quando comprou a Faculdades Anhanguera.

Este percurso já nos coloca em alerta por configurar a consolidação na mercantilização da educação no sistema capitalista. Mas ainda pode piorar.

Neste mês a empresa está engolindo a segunda maior empresa de educação do país, a faculdades Estácio.

O Brasil possui hoje aproximadamente 6 milhões de estudantes no nível superior. A gigante formada terá 1,5 milhão de matriculas neste nível, ou seja, 25% das matriculas do país.

Especialistas da OAB começam agora avaliar o óbvio: a monstruosidade do negócio vai gerar acumulação de capital e prejudicar a concorrência. Em outras palavras, trata-se de um monopólio.

Diante do atual cenário do ensino superior os trabalhadores e jovens ingressantes no mercado de trabalho se veem obrigados a entrar nas universidades privadas devido a excessiva concorrência das universidades públicas, ou seja, a falta de vaga.

As políticas privatistas dos governos e descaso com as universidades públicas, como o corte de verbas que está em curso para o ano letivo de 2017, empurram os trabalhadores para estas universidades, fazendo com que retirem dos baixos salários as mensalidades da universidade, enriquecendo ainda mais os capitalistas da educação, como a Kroton e recebendo em troca um ensino fraco e descolado da realidade.

Os jovens precisam se organizar para combater mais este ataque ao direito de estudar. Não basta lutar por mais repasse ou imaginar que os 10% do PIB para a educação serão a solução.

Precisamos lutar por uma universidade pública e gratuita para todos!

Imagino que alguns achem isso absurdo, fora de cogitação, impossível de acontecer. Agora pensem que este mesmo absurdo já foi pensado para o ensino básico, ou seja, em algum momento foi pensado que o acesso de todos ao ensino básico seria impossível. Pois bem, não é  (sem pensar aqui na qualidade deste ensino que é ruim por outros motivos).

Podemos sim, imaginar uma universidade abertas para todos, sem vestibular, gratuita e pública. Mas não sejamos ingênuos em acreditar que isso se dará dentro do capitalismo!

P. S. Enquanto isso, a Kroton agradece…

2 Comments

  1. Fala, Osvaldo! Dei uma olhada rápida na net, e o grupo Objetivo também mantém diversas empresas educacionais pelo país inteiro. Juntas essas duas devem promover uma grande influência no pensamento tecnicista que se forma no país. Triste.

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