As Varias Origens do Universo

 Quem Criou o Universo? Ele se criou sozinho? Existe desde sempre? São perguntas filosóficas, científicas e religiosas que muitas pessoas tremem só de ouvir ou de fazer.

Mas o que discutir sobre religião em Ciências Naturais? Uma possibilidade está nos mitos de criação das várias culturas ao redor do mundo e através do tempo, incluindo aí uma cultura bem específica que é a cultura científica, com seu mito de criação do universo: O Big Bang.

Ao longo da história cada cultura incomodada com a aceitação de que o Universo era como era, procurou suas próprias explicações para seu funcionamento e para o problema da criação.

São inúmeros os mitos de criação, mas a maioria se enquadra em poucas categorias.

Por exemplo o mito de criação Assírio, que começa com uma reunião de deuses. Anu simboliza o poder do céu ou do ar, Enlil o poder da terra, Shamash o Sol ou fogo, Ea a água, e Anunnaki o destino. Para os assírios, a Criação ocorreu quando os quatro elementos e o tempo se combinaram para dar forma ao mundo e à vida. Sua religião é baseada em rituais que celebram o poder da natureza, sendo a missão dos devotos a manutenção e o incremento do poder e da fertilidade da terra, uma lição que nós todos devemos encarar muito seriamente hoje em dia. Neste mito de criação existe algo antes mesmo do universo, os deuses.

Outra cultura, a dos índios norte americanos Hope, trazem uma mitologia de um ser criador, Taiowa que do infinito concebe o finito.

Algo importante de se destacar nos mitos de criação é a análise que se faz deles, dado que sempre estaremos baseados em nossa própria cultura. Isto pode gerar problemas de interpretação ou simplificações indesejadas.

“De fato, um erro bastante comum é usarmos valores ou símbolos da nossa cultura na interpretação de mitos de outras culturas. Outro erro grave é interpretar um mito cientificamente, ou tentar prover mitos com um conteúdo científico. Os mitos têm que ser entendidos dentro do contexto cultural do qual fazem parte.” (GLEISER, 1997)

O mito de Shiva traz sempre um interesse muito grande. Provavelmente por sua mitologia de criação, destruição e manutenção do Universo com sua dança. Este mito mostra uma possibilidade interessante de mitologia, a cíclica, criação e destruição eternas do Universo. Enquanto Shiva está dançando mantém o universo, quando cessa a dança o universo é destruído. Quando recomeça o universo recomeça.

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Reparem que comecei o texto tratando o Big Bang como um mito de criação. De fato, muitos cientistas torceriam o nariz ao ler isto. Mas se encararmos a comunidade científica como um grupo cultural que tem seus próprios valores e símbolos e que busca dentro de seu escopo de atuação uma explicação para a origem do universo, esta definição não parecerá tão absurda.

No mito de criação (sem criador) do universo da ciência temos o Big Bang como modelo mais aceito, mas não foi sempre assim, a própria ciência já passou por outras possibilidades de origem do Universo. Neste modelo o Universo se originou de um estado muito menor, mais denso e quente, uma partícula mínima que se expandiu de forma inflacionária no começo e continua se expandindo de maneira acelerada até hoje. Neste processo que não é uma explosão clássica (uma explosão necessita de um local para ocorrer), o tempo e o espaço foram criados. No modelo do Big Bang não faz sentido perguntar o que existia antes já que esta expansão criou o espaço e o próprio tempo. O “antes” não existe antes do tempo existir.

Nos seus primeiros momentos o Universo mais parecia uma sopa densa e quente de partículas subatômicas em constante choque, mesmo a luz (fótons) quando tentava se locomover encontrava sempre uma partícula no caminho, era absorvida e não ia muito longe. Com a expansão, a temperatura do Universo foi diminuindo e algumas partículas começaram a se combinar, o elétron e o próton se juntaram formando o Hidrogênio e abrindo espaço para a luz viajar livremente, isso aconteceu por volta de 300 mil anos depois do Big Bang (o tempo de um suspiro para o Universo), e pode ser definido neste modelo como o “Faça-se a Luz” de um outro mito famoso.

Daí para frente as partículas foram se agrupando cada vez mais e formando os primeiros elementos químicos, a gravidade passa a ter um papel mais importante que as forças nucleares e na sequência gases, poeira, estrelas, galáxias, etc…

Brincando um pouco com as possíveis definições do que se entende por “mito”, temos que entender que a diferença essencial da ciência consiste em seu método e sua forma de experimentar o mundo, ou seja, seu conhecimento não se baseia apenas em conjecturas individuais ou coletivas, mas este é assunto para outro post.

Este texto não passa de um resumo, mas não poderia ser diferente em tão poucas palavras, afinal como condensar quase 13,7 bilhões de anos em meia dúzia de linhas?

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