Quem matou Guilherme?

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O estudante e militante político Guilherme Silva Neto, 20 anos, foi morto nesta terça-feira (15) em Goiânia. Tudo que encontramos na internet sobre o caso são relatos mais ou menos parciais das grandes mídias, com a culpabilização dos disparos que foram efetuados pelo pai do jovem, Alexandre José da Silva Neto e alguns relatos e críticas mais vagas a respeito da conjuntura social e política do país.

Em algumas destas análises os autores (a maioria acadêmicos) se escondem atrás da cortina de fumaça pós-moderna e apresentam o cenário da nossa incapacidade de dialogar. Como se este fosse o verdadeiro problema aqui. Eles nos dizem que a sociedade está doente, mas não apresentam a doença, apenas apontam que precisamos saber conversar, melhorar nossa comunicação e entendimento do ponto de vista do outro.

O que está faltando não é diálogo, é colocar o dedo na ferida deste sistema. Afinal não existe diálogo quando os interesses de classe são antagônicos.

Quem matou o Guilherme foi o capitalismo!

Sei que muitos vão parar de ler o texto na última frase, sigamos nós então.

Quem puxou o gatilho é só o instrumento do ódio de classe que permeia toda nossa sociedade. A morte de um militante político que participava das ocupações, lutava contra a PEC 241/55, defendia a descriminalização do aborto, era contra a cultura do estupro etc, motivada justamente por ele defender estas bandeiras, só pode ser atribuída a luta de classe que enfrentamos no capitalismo.

A burguesia exerce seu domínio de classe e domínio ideológico em nossa sociedade. Com seus mecanismo próprios, o estado burguês, a polícia, a mídia, a escola etc., ela exerce sua influência e aliena as massas. Alienação é quando a consciência está fora de si, no outro, e é exatamente assim que um sem número de pobres se encontram hoje. Defendendo os interesses de uma classe que não é a sua. Alimentando o opressor que existe dentro de si, oprimido. Impedindo a luta daqueles que conseguiram minimamente elevar sua consciência. Isso se concretiza nos muitos pais que proíbem seus filhos de participar das ocupações, de ir em atos, de se organizar. Isso se concretiza naqueles que, em pé num ônibus lotado, acham que uma manifestação só atrapalha o trânsito. Isso se concretiza naqueles que furam greve ou proferem discursos de ódio contra os lutadores. Isso se concretiza quando o ódio de classe é tão grande que faz um pai apontar uma arma contra seu próprio filho e disparar.

Escrevo este texto numa toada quase convulsiva, imaginando os erros que só verei depois, mas escrevo com a pressa de dizer uma outra palavra aos lutadores que o capitalismo ainda não matou, devemos seguir na luta!

Devemos entender que o pai do Guilherme era só mais um Silva, uma vítima da alienação. Mais uma marionete deste sistema opressor e massacrante em que vivemos. Sim, ele puxou o gatilho, mas o verdadeiro gatilho é puxado muito antes, todos os dias, quando a mídia e o estado criminalizam os movimentos sociais e as greves.

Repetimos, quem matou Guilherme foi a burguesia e seu sistema, o capitalismo. E é contra eles que devemos voltar nossas armas.

Dedico este texto à todos os Guilhermes lutadores!

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