Eles não sabem o que dizem?

Cresce o numero de debates pela internet e uma constante nos comentários reacionários é a violência e ferocidade dos debatedores.

Os debates políticos pelas redes sociais, principalmente o facebook, não está nem perto de substituir os debates políticos reais e as instâncias de participação política das pessoas. Contudo acredito que não devamos ignorar este espaço totalmente. Eles nos dizem algumas coisas.

Em primeiro lugar não se trata de discurso pós moderno contrário a violência. A violência revolucionária deve existir e é desejável. Mas trata-se de uma violência que se constitui nas ações contra o estado burgues e contra própria burguesia, em outras palavras, violência contra os aparelhos que nos oprimem e nos massacram. Não contra aqueles que sofrem conosco esse mesmo massacre.

Eu e alguns amigos estamos passando neste momento pelo 3º ataque reacionário em pouco mais de 3 meses.

No primeiro destes casos, um amigo fez uma fala de crítica à polícia militar e alguém gravou sem autorização e jogou em redes de direita, redes de apoio à PM, amantes da ROTA, etc. O ataque foi feroz e rápido. Com ofensas pesadas, ameaças e até visitas indesejáveis no local de trabalho.

No segundo caso, eu mesmo sofri a agressão ao postar uma foto de uma aula de matemática onde eu explicava a linha de produção das coisas (natureza, fábrica, mercado, casa e por último lixo ou reciclagem). O objetivo era focar no mercado quando eles (crianças) brincariam de mercadinho, comprar e vender produtos de brinquedo (beeem subversivo como podemos perceber). Pois bem, o resultado disso foi uma denúncia na página do projeto Escola sem Partido e o resultado foi, nada mais nada menos, que mais de 700 comentários na minha página, atacando a mim e tudo que era próximo.

E o terceiro ataque está sendo sofrido por uma amiga neste exato momento ao postar e divulgar um curso para falar sobre gênero. Isso mesmo, falar sobre gênero e desconstrução de preconceitos sociais.
Quem quiser ver o resultado basta ir na página OcupAção. Comentários violentos. Ofensivos. Rasos. Ataques pessoais. Exposição das pessoas. Etc.
Nenhum argumento que valha o debate.

O curioso foram os sentimentos que passaram pela minha cabeça nestes três casos. No primeiro, raiva, revolta, no segundo graça, diversão e no terceiro, tristeza.

Tristeza de perceber que o processo de alienação é extremamente eficaz no sistema capitalista. Fazendo com que uma série de oprimidos pensem como opressores. Isso mesmo, pobres trabalhadores que sentem ódio de classe. Ódio daqueles que lutam por condições melhores de vida, seus e de sua classe.

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A elevação de consciência se dá por diversos fatores, a experiência prática com as diversas opressões do sistema, a experiência com a luta concreta (fora do facebook), o conhecimento teórico históricamente acumulado, o conhecimento da história, etc. Imagino que estas pessoas estão ainda muito longe de qualquer elevação de consciência. Apoiam o Bolsonaro sem entender muito bem o que isso significa. Apoiam a prisão de crianças por sentirem o problema concreto da pobreza que gera a violência. São contra o aborto muitas vezes por estarem imersos no ópio do povo, a religião. Vociferam contra o socialismo e o comunismo sem fazer a mais puta ideia do que estes sistemas representam.

O ódio de classe é o cimento que mantém em pé o capitalismo, no sentido que nos coloca, oprimidos contra oprimidos nas mais diversas situações da vida cotidiana.

As condições materiais para manter nossas vidas estão cada vez mais graves, aprofunda-se os ataques da burguesia sobre a população, reforma da previdência, arrocho salarial, congelamento dos gastos com serviços públicos por 20 anos, etc. Isso fará, por um lado muitas pessoas se aprofundarem no discurso conservador, nacionalista, xenofóbico, meritocrático e outras tantas pessoas, que sentindo sua condição de existência minguando, passarão para o lado da luta contra o sistema capitalista, pessoas que impulsionarão a luta de classe.

É muito difícil ver as mensagens de ódio e pensar que no fundo estas pessoas não são culpadas, são vítimas da alienação (o pensamento está no outro, não em si). Ainda assim é um exercício constante que devemos fazer. Mas não se trata de “dar a outra face”, nem tolerar calado. Sejamos duros se for preciso, mas com a consciência que o nosso adversário principal é o capitalismo e sua produção coletiva, apropriação privada e massificação de pessoas.

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4 comentários

  1. Boas meu camarada,

    não gosto muito de escrever, mas não podia deixar de parabenizá-lo pelas suas produções ao longo desses anos e dizer que elas estão cada vez melhores :). É sempre um prazer lê-las.

    Não farei nenhum comentário sobre esta publicação, pois certamente seria prolixo e até redundante.

    Abraços

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