O papel traidor das frentes populares e o fetiche pelo passado

Mais uma vez está em destaque o papel traidor das direções sindicais e das frentes populares que arrastam milhões de pessoas atrás de suas bandeiras reformistas e eleitoreiras.

Como uma espécie de fetiche pelo passado, e até criando uma nova variante da famosa frase de Marx, em que ele dizia no 18 Brumário, que a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, estão tentando reproduzir um movimento de “diretas já” forçosamente e copiosamente aos moldes dos primeiros anos da década de 80.

Acontece que a história não perdoa e o movimento que se ensaia agora, não tem o mesmo contexto da década de 80, não tem uma ditadura militar em sua bagagem, ainda que pese a ditadura de classe da burguesia em que vivemos, que alguns insistem em chamar de democracia.

Fazer um mega show pelas diretas exatamente como foi feito em 1984, sinto muito, mas é preciso dizer inclusive que não foi aquele show que acabou com o regime ditatorial que vivíamos (o congresso não aprovou as diretas naquele momento). E é preciso dizer sem dó que foi menos pela pressão pequeno burguesa que se formou do que pela pressão liberal/neo-liberal de globalização que estava se configurando no mundo que a ditadura militar teve seu fim.

Falar isso não significa que estes movimentos não tenham suas importâncias, principalmente os movimentos de resistência que se formaram nos períodos mais duros do regime militar que muitas vezes são esquecidos em nome de um amplo movimento popular que se formou próximo ao desfecho em 1985.

Também não esqueçamos os muitos parlamentares que apoiavam o fim do regime, inclusive representantes da burguesia (basta lembrarmos que após a morte de Tancredo NEVES (tive que colocar esse sobrenome em maiúscula) a presidência caiu no colo de um representante das oligarquias, José Sarney).

Nosso contexto atual é outro. Passamos por um golpe parlamentar que está cada vez mais desmascarado pelas investigações da polícia federal, pelas delações premiadas e denuncias contra a alta cúpula do governo. Mas ressalto aqui: estas provas só são importantes para furar o bloqueio da grande mídia. Os movimentos de esquerda organizados já tinham essa comprovação de golpe muito antes.

O essencial aqui é que o fim deste governo, nomeadamente, Michel Temer é secundário para a burguesia e deveria também ser secundário para nós da esquerda também. O que está de fato na pauta da burguesia é a provação das reformas trabalhista e previdenciária (já que a reforma do teto já foi aprovada). É isso que importa, seja com Temer ou qualquer outro representante lacaio da burguesia. Está aí o erro das frentes populares, nomeadamente, Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, além das direções sindicais burocratizadas, CUT e sindicatos filiados. Erram em colocar a bandeira Fora Temer como se este fosse o real problema dos explorados.

Agora aparecem com uma nova panacéia, a das “Diretas Já!” colocando a solução dos oprimidos na via da eleição burguesa, pregando a manutenção do sistema e a mera substituição do manipulador das marionetes.

Colocar as bandeiras de abaixo as reformas em segundo plano é ser traidor da classe proletária!!!

Isso porque são essas reformas que atacarão a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Eleições diretas para colocar um novo representante da burguesia ou da conciliação de classes só nos jogará ainda mais na miséria!

Neste sentido convocar um grande show para lutar contra o governo é um erro histórico, epistemológico, ontológico e axiológico tudo ao mesmo tempo! É a estratégia errada para levantar a bandeira errada.

Abaixo a reforma da previdência!

Abaixo a reforma trabalhista!

Abaixo a lei do teto dos gastos públicos!

Estas são as bandeiras que servem de verdade aos oprimidos. E se o governo cair que caia em consequência destas bandeiras.

Não arrancaremos estas conquistas com música, será com a convocação imediata de uma greve geral por tempo indeterminado. Que as direções sindicais rompam com a colaboração de classe e construam esta greve e que as frentes populares abandonem a via eleitoral para lutar contra os ataques mais sentidos dos oprimidos.

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