Algumas considerações sobre educação e revolução

Neste segundo semestre de 2017 (centenário da revolução russa), participei na Unicamp de uma disciplina de pós graduação que tratou da relação entre educação e revolução.

Este pequeno texto é minha última produção para esta disciplina e que deixo aqui para abrir o debate com quem se interessar.

Diante da dialética entre aprender a teoria e se inserir na prática revolucionária, aqueles que se propõe a uma prática radicalmente diferente em educação, devem se fortalecer teoricamente nos processos educacionais que se vincularam aos processos de transformação radical da sociedade, especialmente as revoluções socialistas. Aquelas que pretendiam (e conseguiram) implantar um governo proletário, aquelas que conseguiram derrubar as burguesias e seus sistemas de exploração nefastos para as massas oprimidas.

Estudar esta relação, processos revolucionários e educação, nos fortalece para perceber o papel classista que a educação como superestrutura tem e sua importância na construção e manutenção da sociedade socialista que se implanta.

Em outras palavras a educação nem é a responsável única pela transformação social que o mundo precisa e nem deve ser descartada com espaço de pouca importância para estes mesmos processos revolucionários.

No primeiro caso, é uma análise necessária que temos que fazer, inclusive apontei isso na última aula, onde alguns movimentos superestimam a educação como transformadora única da sociedade. Chegando a conclusão (a-histórica) de que é preciso formar melhor os sujeitos para termos um mundo melhor. Sabemos que este discurso só é vantajoso para a burguesia e seus governos que mantém assim a população no estado de apatia atual.

No segundo caso, aprendemos ao longo dos textos a importância que a educação teve nos diferentes processos revolucionários, especialmente a revolução russa que elevou o nível de consciência das massas e fez com que um país atrasado, massacrado e explorado pelas guerras, pelo czarismo e pela burguesia, se tornasse um país que disputaria a hegemonia política e econômica do planeta.

Como a professora Nereide colocou, em 1957 o Sputnik era lançado, assombrando o mundo com a tecnologia soviética. 40 anos antes o país estava mergulhado no analfabetismo extremo. Este é apenas um exemplo do poder de um governo proletário.

É preciso analisar também nesta relação dialética entre educação e revolução, os retrocessos que os governos socialistas sofreram ao longo do século XX e analisar, não a luz do que deveria ter sido, afinal isso seria idealismo, mas a luz do materialismo histórico, dos motivos para a vitória da restauração capitalista em todos os países de governo proletário.

A restauração capitalista deixará duras marcas nestes países e nos demais que não conseguiram fazer sua revolução. Isso por que junto ao processo de restauração foi criado uma gigantesca campanha anti-comunista que nos assola até hoje. O motor desta campanha está na guerra fria que a URSS travou com os EUA.

A restauração capitalista também tem raízes nos erros dos governos socialistas. No caso da união soviética, a burocratização do stalinismo e a teoria do socialismo em um só país, mergulharam o mundo numa espécie de comunismo patriótico que negou o internacionalismo defendido por Marx, Engels, Lenin e Trotsky.

Como a história nos mostra, o capitalismo tem seus dias contados. Uma nova ascensão do socialismo no mundo vai triunfar. Contudo não devemos esperar por ela sentados ou de braços cruzados. É preciso vincular nossas lutas na educação a construção do partido mundial da revolução. É preciso, como nos ensinou Marx e Engels, usar a educação para denunciar a sociedade burguesa, anunciando seu fim e construir a sociedade onde os seres humanos terão enfim a possibilidade de serem livres e completos, a sociedade sem classes, a sociedade comunista!

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1 comentário

  1. Excelente reflexão! Especialmente no que se refere às possibilidades da educação. A ela se atribui, a tarefa de salvar o mundo e as pessoas (especialmente aqueles que estão nas bordas da sociedade). A panacéia que tudo transforma. Mas seus limites são muitos, até porque a escola é mais uma instituição social e não tem, isoladamente, a condição de combater as desigualdades – que cada vez mais percebe-se as raízes profundas de suas diversidades. Isso não significa que a escola seja, então, uma simples reprodutora de iniquidades. Escola e educação são essenciais para as mudanças sociais e daí a necessidade de reconhecermos suas possibilidades em termos de formação e consciência crítica e não apenas de formação apenas para o mercado de trabalho e de consumo.
    Ótima a sua análise!!!

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