Crítica ao filme Pantera Negra

Tudo que acontece num determinado período histórico está ligado às idéias de uma classe ou de outra daquele período. Nada é neutro. O cinema não poderia ser diferente. Muitas vezes foi usado de maneira bem explícita para “vender” uma ideia para a população. Mas a maioria das vezes é usado de maneira velada, um vilão russo, um símbolo da maldade vermelho. O mal com sotaque de leste europeu. O negro coadjuvante. falta de mulheres protagonistas etc. Para um bom exemplo do explícito vejam “O nascimento de uma nação” ou para um exemplo dos implícitos basta assistir os filmes holiudianos de maneira geral.

O pantera negra não foge da regra.

1. Obviamente não estou fazendo crítica a parte gráfica. O filme foi bem feito (caro). A crítica vai para as ideias mais gerais.

1,5. O filme segue o padrãozinho da famosa saga do herói. Uma espécie de receita de bolo para histórias de heróis fazerem sucesso: o herói se descobre de repente numa aventura. Tem um ancião para lhe ajudar. O ancião precisa morrer para ele se tornar herói de fato. Ele precisa ir para uma jornada espiritual para se encontrar. E por fim, o retorno para salvar geral. Batman, Superman, Luke Skywalker, Jesus Cristo e tantos outros heróis ficcionais, todos seguem mais ou menos essa saga.

2. ‎O ponto central, na minha opinião, é um incômodo da porra que tenho quando um filme coloca a pessoa que tem a posição de defesa dos oprimidos de maneira geral, como sendo o vilão do filme. Isso é bem repetitivo nos filmes estadunidenses.
O vilão do filme foi muito bem construído por sinal. Mostra a confusão dele com origem na pobreza, na violência e no abandono, além da vingança (bem ao estilo Darth Vader). Mas este vilão aparece com um discurso de libertação dos oprimidos no geral pela via da revolução violenta.
É óbvio que para a burguesia esse discurso só poderia ser do “cara mau”. Sendo que o opositor, o pantera, era um a. monarquista, b. patriarca, c. ultra-nacionalista. Bem ao estilo da famosa TFP (Tradição, Família e Propriedade).

3. Alguns vão dizer que ele muda no final. Sim é verdade, mas qual foi a saída para o problema? Tchan tchan tchan tchannnnn…
Saída parlamentar!!! Saída legalista!
Ele decide ir na ONU e depois criar um instituto de ajuda aos pobres. Em outras palavras se torna um reformista.

4. É claro que foi legal ver um exército de mulheres. Mas a galera que acredita na representatividade seria muito fraca politicamente se aceitar essa representatividade, das mulheres guerreiras, numa sociedade totalmente patriarcal (ou seja o poder não mudou, apenas a defesa do poder q passou a ser feito pelas mulheres, se fosse no mundo real só mostraria uma alienação maior delas). É isso que chamam de empoderamento?

5. ‎E tem pra todo gosto. Para o pessoal da representatividade negra que está aplaudindo de pé o filme q tem o negro como protagonista, talvez devesse lembrar quem foi que “salvou o dia” no filme. Pasmem: um estadunidense branco.

6. ‎E não podem usar o argumento do “lugar de fala” comigo. Acho q meu nível de melanina me permite fazer a crítica ao “filme negro” representando uma monarquia absolutista rs…

7. ‎Pra fechar acho uma pena q o nome desse herói seja esse. Vai apenas confundir os jovens que vão ouvir a expressão “pantera negra” e vai lembrar desse reizinho aí. Não vão lembrar do grande movimento revolucionário dos panteras negras que lutavam sem abrir mão da violência revolucionária para acabar com a segregação racial nos EUA. Esses sim poderiam ser chamados de super heróis.

Créditos: Vitor Teixeira

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