Divagações sobre a morte do universo ou tabacaria cósmica

Estou aqui pensando e escrevendo com o desconforto de uma cadeira mal virada, e a vista que dá para rua e para o samba. Olhando pra baixo não vejo nenhum Esteves, mas vejo o sorriso de canto de boca de quem entendeu a referência. (terá dado outro sorriso agora que foi citado?)

Não, não vim escrever este texto pra mostrar que sou sublime, apenas foi a distração que encontrei. Quando percebi que lia sobre sociologia, enquanto volta e meia encarava as luzes dos carros lá embaixo que me faziam pensar na dissipação de energia, o que imediatamente me levava ao conceito de entropia que por sua vez levava diretamente a morte térmica do universo daqui um google de anos talvez. Engana-se quem imaginou que está divagação quase sem sentido se completaria num círculo perfeito de conceitos e chegaria novamente na sociologia da educação… Não chega.

É muito fácil tropeçar e cair de boca no niilismo quando pensamos que a energia de forma geral tende sempre a se dissipar homogeneizar (essa palavra existe?). Aquela luz do farol que está batendo nos meus olhos agora ou a luz do celular que estou digitando, ou ainda o calor que gero pelo movimento dos meus dedos em atrito com o ar em volta deles e também pela fricção dos ossos e músculos internos, são dissipação de energia que não serão mais aproveitadas. O mesmo podemos pensar da energia que o sol e as outras estrelas estão emitindo este momento. Elas se espalham pelo universo e mesmo que estrelas novas possam nascer ainda hoje são cada vez menores já que a energia está cada vez mais espalhada universo a fora. Isso significa que uma hora vai acontecer de não ser possível mais uma estrela ser criada. Neste tempo as lâmpadas acesas do universo vão começar a apagar uma a uma. Tornando cada canto desta casa um pouco mais escuro. Outros fenômenos enérgicos ainda poderão durar um pouco mais como os buracos negros, pulsares e quasares. Mas ainda assim vai chegar um tempo em que mesmo eles vão se apagar e é pensando nisso que esbarramos no pensamento da completa falta de sentido para tudo isso. Esse pensamento é sedutor.

Existe um quê de lamento neste meu relato porque minha mente limitada….

No meio da frase fui interrompido pelo colega de apartamento estudando matemática e perguntando sobre graus e ângulos num relógio. Depois de responder ele, eu só consigo pensar que o tic tac do relógio não é mais que a dissipação através do som, da energia contida na pilha colocada atrás dele. A outra parte dissipada da pilha vai para o movimento dos ponteiros e isso somado com a dissipação interna da própria pilha (aquele calorzinho que você sente quando pega uma pilha de estava fazendo algo funcionar) fazem toda a energia ir embora e se constituir em mais um grão de areia nessa imensa praia da dissipação da energia do universo. É… hoje eu estou mesmo melancólico com esse negócio do universo acabar.

Tento retomar a ideia.

Demoro…

Não consigo….

Consigo!

Vai um certo lamento de uma mente limitada que é a minha. Uma mente limitada e humana que não consegue ver muito além daquilo que conhece. Daquilo que formou com experiência prévia. Sendo assim a morte térmica do universo não deveria ser algo de lamento ou de comemoração apenas um fato físico. Neste evento cósmico a participação humana e espetacularmente improvável. Algum outro ser assistiria? Azimov chegou mais perto da resposta. E mesmo assim agora é ele mesmo energia dissipada por aí.

Tudo bem, assumo a tentativa de ser sublime. Mesmo sem os chocolates, sem a placa, sem as palavras que ele tinha.

E se pensa o improvável leitor de que farei agora uma amarração com a sociologia da educação, minha leitura prévia, a luz do farol do carro, o ângulo estudado pelo colega ou mesmo o Esteves sem metafísica, não, não vai.

Apenas um fim seco, sem espetáculo, frio como a própria morte do universo será.

Droga, o texto teve conclusão!

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