Psicologia da Aprendizagem: Condicionamento Clássico (Pavlov)

Veja também:  Escola Politeia – um outro jeito de aprender

O Condicionamento Clássico, também conhecido por condicionamento de Pavlov, foi proposto por este investigador (Pavlov 1849 – 1936) entre 1903 e 1908 numa experiência com cães. A ideia é que depois de um certo numero de ensaios o cão fizesse algo que não fazia antes, ele teria aprendido alguma coisa. É curioso que esta investigação deixou Pavlov mais conhecido que seu prémio Nobel recebido em 1904.

Ele percebeu uma coisa que muitos dos que lerem isso também já terão percebido, um cão (ou outro animal) que tenhamos em casa, quando ouve o som de panelas, ou vê a pessoa que costuma trazer o alimento já se prepara para recebe-lo mesmo antes de ver o alimento. Como isso poderia ser medido? Através da saliva do cão. Para que o procedimento fosse rigoroso ele fez uma pequena cirurgia no cão introduzindo um tipo nas glândulas salivares para que a medição fosse precisa (Figura abaixo). Assim inicialmente era apresentando um alimento ao cão, ele salivava. Depois era apresentado um som, o som de um metrónomo, a resposta ao som era aleatória. Em seguida era apresentado o som seguido do alimento, depois de muitos ensaios ao ser apresentado o som o animal já salivava, o que não fazia antes.


À apresentação do alimento é dado o nome de Estímulo Incondicionado (EI), o som, Estímulo Neutro (EN) e ao som seguido de alimento Estímulo Condicionado (EC), por que se condicionou o cão a reagia daquela maneira.

Com relação as respostas, a salivação diante do alimento, Resposta (ou Reflexo) Incondicionada (RI), a salivação diante do som, Resposta (ou Reflexo) Condicionada (RC), a resposta condicionada é a característica aprendida pelo animal.

Este processo é chamado de aquisição, também foi estudado por Pavlov e outros, o processo de extinção dessa característica adquirida, e o processo de recuperação instantânea,  que seria a recuperação da resposta depois de um tempo de descanso, que se mostrou eficaz com 70% de recuperação.

Esse procedimento que descrevi não precisa (nem foi) feito apenas oferecendo alimento ao animal, de fato, ele também foi realizado com relação ao medo, dando choque, borrifadas de água, etc.

É também importante notar que a RI e a RC não são idênticas, medidas de experiências mais recentes e mais precisas mostraram que existe um pequena diferença e a RC, no caso da salivação, é ligeiramente menor. Esse tipo de comparação no procedimento de medo é mais visível. Ao receber um choque o animal normalmente pula e acelera seu ritmo cardíaco num procedimento de fuga, já no caso da RC ao ver uma luz ou som que precede o choque ele se encolhe e diminui o ritmo cardíaco, num procedimento de preparação para a fuga.

Veja o vídeo que ilustra bem esta experiência:

Como foi dito o procedimento de Pavlov não se aplica aos outros animais, o seres humanos também podem (e foram) submetidos a experiências.

Basicamente este procedimento pode ser usado para aquisição ou remoção de medos. Um bom exemplo no conceito de condicionamento clássico no dia a dia é o dentista. Grande parte das pessoas sente verdadeira ojeriza a uma ida ao dentista, de certo esse medo foi gerado nas primeiras experiências com este profissional, particularmente o som da broca bota medo em muita gente (só de lembrar aqui já me dá calafrios). Colocando nos termos de Pavlov: O som da broca sozinho é um Estímulo Neutro (EN), não deve gerar nenhum comportamento específico. Nas primeiras idas ao dentista ouvimos o som da broca (EN) e em seguida (possivelmente) a broca toca um nervo e sentimos uma forte dor, Estímulo Incondicionado, ao cabo de alguns ensaios (algumas idas ao dentista), nos contraímos só de ouvir o som da broca, Resposta Condicionada, mesmo passado muito tempo sentimos repulsa quando ouvimos aquele som.

Este processo se deu naturalmente em muitos de nós, mas isso poderia ser forjado. Um bom exemplo disso foi na experiência de Watson e Rayner (1920) com o pequeno Albert, uma criança de 9 meses, que antes da experiência não apresentava qualquer medo de ratos ou objectos peludos, ao fim desta, a criança chorava e evitava qualquer animal deste tipo ou objectos semelhantes. Veja o filme:

É interessante perceber que este é o lançamento das bases do behaviourismo (comportamentalismo) que posteriormente foi bastante criticado pela vertente cognitiva.

Em seguida trataremos do Condicionamento Operante, com referência a Skinner.

Referências

PINTO, A., Psicologia Geral, Porto: 2007.

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16 respostas para Psicologia da Aprendizagem: Condicionamento Clássico (Pavlov)

  1. Jucilene disse:

    bastante proveitoso essa matéria de pavlov

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  2. Pingback: E aí, você tá Bioligado? » Blog Archive » Condicionamento Pavloviano

  3. Érika Andrade disse:

    Muito Obrigado! Foi muito útil!! :D

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  4. Fernanda disse:

    Esse experimento nos possibilitou a entender que que o comportamento pode ser modificado. E no meu dia a dia, consigo observar essas mudanças. E a cada dia me apaixono mais pela Psicologia. abraços

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  5. luciana disse:

    Me ajudou bastante no esclarecimento desse condicionamento..valeu!!!

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  6. Iris disse:

    Gostaria de ler o condicionamento operante por Skinner. E a versão crítica sobre o Pavlov.

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  7. sambita disse:

    sou a sany e eu que o condicionamento clássico é mas uma das maneiras que o ser aprende a lidar com novas experiências porque o ser vivo vive de adaptações.

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  8. sambita disse:

    eu acho que todos aqueles que estão estudando psicologia têm uma grande tarefa em fazer novas descobertas.MAS pessoal será isto possível?Visto que o homem já chegou no limite da ciência?

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    • Luciane Santos disse:

      Desculpe a observado ….mas o homem nunca chegará ao limite da ciência, pois somos a própria ciência, que renasce em nossas mentes, como a cada amanhecer.

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  9. andrea abreu disse:

    gostaria de saber qual é o paradigma do condicionamento clássico.
    obrigada,

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  10. Marcelo Silva disse:

    Vejo muitos casos, mas não vejo e ainda não vi nenhum estudo sobre isso. O condicionamento clássico aplicado ao comportamento sexual quando da dependência ou condicionamento de uma droga( a maconha e o álcool ) . Vejo casos de pessoas que condicionam o cérebro a utilizar a maconha e o álcool para conseguir transar com o(a) parceiro(a). Dizem ser muito bom, porém estão condicionando sua mente a ligar aquele prazer ao uso da droga ,e quando não tem a droga ou álcool, eles não conseguem ter relação por falta de ” tesão”. Isto é um problema a médio longo prazo, pois vejo constantemente exemplos de esposos que já não tem desejo pela esposa e só conseguem transar depois de alterados pelo uso do álcool e outros casos de casais com vários níveis de comprometimento, como namorados e casados que sempre utilizavam álcool e maconha para terem relações sexuais com seus parceiros e quando não tem essas substâncias, o ” psicológico já está condicionado de ” forma negativa” e não conseguem ter prazer, tanto na mulher que se torna frígida com o seu parceiro e o homem que não consegue ter uma ereção. Acabam terminando um relacionamento pelo condicionamento feito de forma errada e contínua. As pessoas até se amam, mas acabam sendo afetados pelo psicológico na questão sexual ,e daí acaba atrapalhando tudo, pois o outro parceiro também se sente rejeitado. E isto é um grave problema que destrói relacionamentos, famílias e casais a todo momento. O que vocês acham sobre isto ? Conhecem alguma pesquisa ou estudo sobre esta questão ? Abraços

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  11. François Ngoma Zita disse:

    É muito proveitoso

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  12. Pingback: Psicologia da Aprendizagem: Condicionamento Clássico (Pavlov) | Blogdajor 61/62

  13. Claramente um esperanto útil, porem provando uma teoria praticamente inútil para humanos normais…. definitivamente muito útil para condicionamento de animais e á interação ou proteção de humanos com síndromes agudas (para manter um altista longe do perigo por ex)… irrelevante cientificamente fora desse contexto.

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  14. Pingback: Sorria, você está sendo condicionado… | segura o rojão

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